O Tiago Mendes escreveu este post, a responder ao AAA por causa da sua concordância com o FJV no exagero – e ridículo – que é esta ideia de que não se pode fazer humor com os gays (crime inaceitável, só semelhante a nomear-se um teddy bear de Maomé) e outras malfeitorias avulsas que Tiago Mendes não detalha. Não pretendo aqui fazer juízos de valor sobre o post de Tiago Mendes e as suas obervações sobre o AAA – basta ler o texto para delas se ajuizar. O que me espanta (de facto já não espanta, mas deveria) é que o Tiago Mendes se sinta na posição de fazer as observações que faz sobre o AAA. O AAA pode ter as posições que entender sobre gays e tudo o resto, que são legítimas (o próprio Tiago Mendes benignamente lhe concede este direito); enquanto não andar a dar bordoadas nos gays e não incentivar outros a fazê-las é um cidadão respeitável e respeitoso. De resto nunca lhe li ataques às pessoas, mas apenas a ideias que exibem.
O Tiago Mendes, pelo seu lado, não gosta do AAA nem das suas ideias. Que bom para ele. Mas isso não lhe basta: tem que mostrar ao mundo que, aceitando o direito do AAA exprimir a sua opinião, o AAA é x, y e z e as sua ideias idem.
Não consigo ver, realmente não consigo, o que Tiago Mendes pensa que tem que o torna diferente – ou melhor – do que AAA. O que eu vejo aqui é uma grande incapacidade para aceitar a diferença. Ou uma grande intolerância. (Também revelada nos comentários que foram apagados, que pelos vistos não se gosta nada de contraditório ou então se quis poupar a amiga Fernanda Câncio a um dos comentários feitos pela própria mais mal educados que já vi, chamando “gentinha execrável” a um comentador que teve a ousadia de não concordar com o TM.)
A amiga (do TM, esclareça-se) Fernanda Câncio concorda com o Daniel Oliveira e não suporta humor feito à custa das minorias. Das minorias que aprova, claro está. Segundo a sua lógica, também tem os seus momentos de cobardia, não se coíbindo de gozar frequentes vezes com católicos que usem métodos de auto-flagelação (acha ela, claro, que não me parece que as suas “vítimas” lhe andem a fazer confidências sobre a sua vivência íntima e privada da fé), que são certamente muito mais minoritários do que os gays – eu não conheço nenhum católico que se auro-flagele – e não prejudicam ninguém com os seus sacrifícios (além deles próprios, não sei) nem andam a angariar seguidores; podem ver um exemplo de cobardia aqui.
Quem deu uma lição a toda esta gente foi o RAF. De facto nem toda a gente percebe que a educação não são meras regras sociais ou de etiqueta; a boa educação tem na sua raiz a gentileza e o respeito pelo outro, seja friend or foe. Respeito pelo outro, independentemente do que pensa ou em que acredita, não é um conceito ao alcance de toda a gente.
E é uma pena que esta questão envolva o mais interessante projecto editorial de direita em Portugal (que vai continuar a ser interessante e com colunistas escrevendo que é um gosto).


Lamento desconhecer todas as ramificações desta polémica, mas o que não compreendo mesmo é que se limite o humor sobre as minorias, só porque sim.
Porque, se começarmos a fazer fatias, todos fazemos parte de uma qualquer minoria. Eu dos velhos “caixas de óculos”, por exemplo.
Não se pode gozar com gays?
Só se forem gays a fazê-lo?
Tal como só se pode gozar com os judeus se formos o Seinfeld ou o Woody Allen?
Valha-nos santa pasmaceira.
Por: Paulo Guinote em Dezembro 2, 2007
às 7:26 pm
[...] Depois existiram umas ramificações críticas sobre o assunto que aqui se sumariam. [...]
Por: Outras Polémicas 2 « A Educação do meu Umbigo em Dezembro 2, 2007
às 11:15 pm
Certa direita, tal como certos liberais, são praticamente indistinguíveis da extrema esquerda. Andam já praticamente de braço dado com os anacletos, defendendo activamente todas as causas progressistas mesmo que isso conduza a uma maior estatismo. Fazem guerra cultural na trincheira do suposto inimigo. Uma tremenda ironia serem os liberais os principais responsáveis pela descredibilização do conceito de liberdade, ao defenderem uma liberdade facilitista, sem os incómodos da responsabilidade. Da mesma forma, a direita supostamente conservadora é a primeira a cuspir em cima dos verdadeiros valores que mantém a sociedade, devido à sua cobardia, que a leva a querer parecer muito moderninha e a apoiar muito do politicamente correcto e assim supostamente livrar-se do mofo.
Por: Mário em Dezembro 3, 2007
às 1:39 pm
[...] ter capacidade de encaixe; permitir isto é uma das virtudes da blogosfera; no entanto, o que aqui referi passa dos limites. E a má educação, a falta de respeito e os ataques pessoais continuam [...]
Por: A Nova Direita “Liberal” com os tiques da Velha Esquerda Conservadora « Farmácia Central em Dezembro 3, 2007
às 4:18 pm
Caro Paulo, é a primeira vez aqui nos comentários e espero que venha muitas mais. O problema nem é só as restrições aos objectos do humor, que são ridículas, mas o facto de estes “liberais” (muitas aspas!)não conseguirem conviver civilizadamente com que é diferente deles.
Mário, concordo em absoluto. Acabei de postar no mesmo sentido. Não há mesmo paciência para estes liberais estlinistas. Só deixei de fora a direita que se envergonha, mas também tem toda a razão quanto a ela.
Por: Carmex em Dezembro 3, 2007
às 4:28 pm