1. Isto de sermos um país pequenino tem destas coisas: impressionamo-nos sempre com os grandes números. Eu declaro-me impressionada com os milhões de pessoas que se dão ao trabalho de ir votar para influenciarem a decisão do candidato nomeado por cada partido para a candidatura à Casa Branca. Grande democracia, sim senhora.
2. Ontem ouvi na CNN um surfista californiano entrevistado. Segundo esta personalidade surpreendente, o aquecimento global era o maior problema dos States. Depois de umas saudáveis gargalhadas, temos que reconhecer que os States, carregando um susto bolsista e uma forte probabilidade de crise económica, patrocinando uma guerra no Iraque e outra no Afeganistão, são mesmo um país muito rico. Só os cidadãos dos países muito ricos se dão ao luxo de acreditarem que um problema para o qual não há sequer consenso científico nem demonstração empírica é mais perigoso do que crises económicas, guerras ou ameaças terroristas. Ou isso ou burrice à moda antiga.
3. Os candidatos democratas são terrivelmente vaidosos; os republicanos – com excepção de Mitt Romney, que se exibe sempre impecavelmente – precisam todos de contratar uma ex-voguette para consultoria de imagem (ou, em alternativa, o guru de imagem do nosso animal feroz, que agora, coitado, está bastante combalido e nem com um jogging em Central Park recupera a ferocidade).
4. Barack Obama quer-se reunir com os governantes de Cuba, Coreia do Norte e Irão, sem quais quer pré-condições. Claro que qualquer regime mal-intencionado delira com estas propostas: são sempre boas ocasiões para entreter os americanos e o mundo enquanto continuam como se nada fosse, dizendo apenas que talvez estejam dispostos a mudar levemente aqui e ali. Parecem Lord Halifax e restantes appeasers, que se entretinham em conversações com o “moderado” Goring (com aqueles dois pontinhos em cima do o) enquanto o “moderado” Goring e Hitler acertavam a melhor forma de dar esperanças infundadas aos britânicos sobre a possibilidade de uma moderação do regime nazi. Obama, na minha opinião, entrou definitivamente na categoria dos bem-intencionados e impreparados que são um perigo para o mundo em geral e para mim e para a minha família e amigos (e blogue) em particular, ao género de um Zapatero (que só não estraga mais porque não lhe dão rédea solta fora de Espanha) ou de um Harry Truman (este foi das boas intenções à bomba atómica).


[...] Algumas notinhas sobre as primárias americanas, Farmácia Central [...]
[...] 6, 2008 Change! Posted by hirudoid under Vitaminas Não concordo mesmo nada. Comparar Obama a Zapatero, além de reduzir o debate a um bipolarismo impossível na política [...]
A comparação entre Obama e Zappatero é possível de se fazer apenas em termos pessoais mas não naquilo que farão depois de eleitos. Paradoxalmente, o chefe de governo de um país relativamente insignificante é muito mais absoluto e determinante (mas não em termos de influência global, é claro) que o poder do chefe de governo do país mais poderoso de todos. Isto é, Zappatero elege-se dizendo que vai retirar do Iraque e não tem qualquer problema em fazê-lo.
Já alguém que se elege presidente dos EUA dizendo que vai retirar do Iraque porque sabe que é essa a vontade maioritária dos eleitores (e a retirada é apenas um exemplo, podia ter sido dado outro) vai ter de lidar com o número de factores muito maior. Afinal, a presença espanhola era apenas simbólica e não significava mais que isso. O presidente dos EUA começa logo por ter de lidar com a realidade no terreno, já que até ser eleito tinha feito de conta que a realidade era a imagem fabricada pelos grande media. E uma retirada americana do Iraque tem consequência reais e não apenas simbólicas como no caso espanhol e tudo o que correr mal será apontado. A mesma comunicação social que o “obrigou” a fazer campanha pela retirada pode trucidá-la se ele a consumar mesmo.
Depois, aquela conversa de que o presidente dos EUA é o homem mais poderoso do mundo tem muito que se lhe diga. A seu poder de influência é tremendo, sem dúvida, mas é um alvo exposto que para tomar uma decisão tem de se entender com meio mundo. Com quem o elegeu, com a opinião pública, com o Congresso, com o Senado, com os militares, com os países aliados, com os não aliados mas intocáveis, com Israel mas também com os países árabes colaborantes pelo menos em termos de fachada.
Por isso mesmo esta defesa da retirada do Iraque é apenas propaganda – e se ele não sabe isso, como eu quase acredito, é doido varrido. Nem pensar que as tropas americanas de lá podem sair, para segurança dos iraquianos. De resto, a situação acalmou desde que se enviaram os quase 20.000 reforços que Bush pediu. Mas este caso vai dar para umas boas gargalhadas se for eleito um democrata, como eu já escrevi no blogue da Atlântico.
O caldo estaa entornado no Iraque… e eu sou o primeiro a reagir dizendo que agora teem de ficar atee aquilo ficar em condicoes, e comprar (Marshall Plan II) o caminho de volta… custe o que custar…
Como sei que os americanos nao querem pagar esse caminho de volta a la Marshall Plan, e soo pensam em sair o mais depressa possiivel, nao me espanta que seja isso mesmo que vai acontecer…
O argumento apresentado seraa que os custos da ocupacao se tornaram exorbitantes, que a sociedade americana nao estaa simplesmente disposta a pagar, e que o caos instalado no Iraque ee tambeem uma consequencia da presenca americana… vao fazear a coisa, e em 2010 soo terao batalhoes nos outskirts… as Nacoes Unidas passarao a estar involvidas aa semelhanca do que fizeram noutros locais de post-conflict…
O argumento que de facto as coisas no Iraque estao caooticas tambeem pela presenca americana nao seraa confirmado, mas entretanto, jaa estaremos noutra… a vitima (Iraque) estaa feita, o paciente (a Paz) nao tem volta, o enfermeiro (EUA) que o matou ee o uunico que ainda nao percebeu isso…