Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 9, 2008

A privacidade, esse direito absoluto para alguns

Há quem esteja muito incomodado com o teor dum meu comentário que a Fernanda Câncio transcreveu no seu blogue. Curiosamente os mesmos que aqui me deixam apelos à pancadaria (mas permanecendo curiosos, claro, que os princípios têm limites) ou me insultam com nomes de animais desagradáveis. Enfim, boas almas.

 Eu não entendo muito de ética jornalística, mas recordo-me de ouvir dizer que se reconhecia que o direito à privacidade pode ser quebrado quando os comportamentos privados das pessoas contraditam as suas afirmações públicas. Mas claro que se a FC me processase por expressar a minha opinião sobre um texto que ela escreveu, tendo-a eu acusado de favores ao actual governo, claro que não poderia nem deveria utilizar informações que indiciassem que a relação da FC com o actual governo não é de forma a garantir imparcialidade. Claro que não poderia ou deveria. Não, defender-me é demasiado torpe; deveria oferecer-me logo para pagar uma indemnizaçãozita de 1 ou 2 milhões de euros, claro está. Era mesmo isto que as boas almas fariam.

Já agora, a FC, perante esta notícia do Correio da Manhã, apenas se incomodou com o facto de terem assumido que como madrinha da marcha gay deveria ter estado presente e noticiarem a sua ausência. As alusões à vida privada foram ignoradas.

E só mesmo mais uma coisa. Este coro de indignados de agora muito estranhamente nunca se indignaram quando a Fernanda Câncio chama “brigada do cilício” aos católicos que defendem a abertura das grandes superfícies ao Domingo – porque, claro, o uso de cilício não é nada privado – ou quando a Fernanda ridiculariza ou dá sentenças (como no post que lhe linkei acima e em mil outros casos no seu blogue) sobre a relação mais intíma e privada da minha vida que é a minha relação pessoal com Deus. Mas claro, já me esquecia, a defesa da privacidade só tem um sentido.


Respostas

  1. Mas afinal vamos falar sobre os hábitos de colocação do lixo da FC ou não? Agora que a coisa estava a ficar interessante…

  2. Eh, eh, Álvaro, vamos esperar que não seja preciso.

  3. Não gostava de comentar os trâmites desta polémica, que me ultrapassam.

    Mas o seu post inicial é correctíssimo. FC é daquelas jornalistas activistas, que confunde tudo. Quando lemos as suas noticias, não sabemos se estamos a ler os seus artigos de opinião. Defende intransigentemente o seu governo, as suas políticas e os seus Ministros. Não percebo porque se admira que seja considerada por alguns como uma propagandista ao serviço do Governo. Ela que releia os seus textos e que os compare com o que escreve sobre temas “caros” à direita. Irá verificar que não consegue ser isenta. E esse é o cerne da questão.
    As polémicas e relatos sobre a vida privada são desagradáveis e evitáveis. Não é que está em questão.

  4. Nuno Gouveia, finalmente alguém que percebeu o que eu escrevi.E, de facto, não vale a pena ir aos assuntos privados, foi uma referência que fiz no calor do momento e de que me arrependo.


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