Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 9, 2008

“Common sense and not bravado.”

Ontem ainda coloquei esta questão no plano das brincadeiras, porque tendo em conta o que a Fernanda Câncio escreve das outras pessoas, como utiliza os seus artigos no DN e as suas colunas de opinião e os seus posts para ajustar contas com as pessoas que, muitas das vezes, apenas têm o pecado de terem ideias diferentes da FC no core de assuntos em que a FC dogmaticamente acredita (Pedro Arroja, Patrícia Lança, ou como Tiago Geraldo diz no Atlântico, um texto em que sugere que um cozinheiro seropositivo cuspa na sopa de um juiz, entre tantos outros exemplos), pensava eu que teria um bocadinho de elasticidade para encaixar o que dos seus escritos é escrito. Por outro lado, se a FC ficou tão ofendida e sentida com este meu texto, onde originalmente eu dizia “chego à conclusão que estes artigos foram encomendados”, o que tinha a fazer era enviar-me um mail – a FC tem o meu mail tanto dos comentários que eu faço no 5 Dias como de correspondência que já trocámos – e eu teria percebido que a FC tinha ficado ofendida e o assunto teria sido resolvido a bem, com a correcção do texto que a ofendera. Em vez disso a FC resolveu publicitar o texto que supostamente a ofendeu (estranho, não é?), o que me fez perceber que não havia qualquer ofensa mas apenas uma tentativa de peixeirada que a FC gosta de comprar dia sim, dia não, de forma a verter sobre mim a torrente de disparates e insultos em que os comentadores do 5 Dias (que escrevem sem maísculas e têm exactamente as mesmas ideias do que a FC, tal e qual) tanto se especializam e a intimidar-me.

Depois apercebi-me que havia ali alguma zanga mais profunda e escrevi isto e alterei o final do post que a Fernanda dizia ser ofensivo. Há que reconhecer que a expressão não foi feliz, e apesar de remeter para as minhas conclusões, ou as minhas percepções, e não para os factos, isso podia ser interpretado de forma diferente da que eu pretendia. Não queria dar a ideia de que o PM enviou já os artigos em rascunhos prontos para o DN, mas apenas que os artigos são verdadeira propaganda ao Governo. Assim, apresento as minhas desculpas ao Pedro Marques, a quem não quis ofender. Lamento o transtorno causado.

À FC já apresentei desculpas, na forma que a FC considera boa para as outras pesoas, concretamente para mim quando me acusou de escrever sob pseudónimo – sendo que no caso da FC não alterou a mentira do post, o que provavelmnete continua a induzir em erro quem lê apenas o post e não os comentários. (É estranho que quem pensa que eu não pedi desculpas não se incomodou nada com o facto de a FC usar, em tempos, a mesma formulação.)

Caso a FC me quiser processar, bem, eu certamente não vou pedir desculpas de outra forma que não a que me foi dirigida. Só lhe peço que não apague as suas referências à minha pessoa no seu blogue até a menina que me dá apoio de secretariado as imprimir. Por outro lado, refiro que considero de relevante interesse público a existência ou não de uma ligação entre a FC e o governo Sócrates, sendo que escreve sobre o governo PS de forma supostamente isenta num jornal de referência – tal como consideram o CM ou o Sol, por exemplo – ainda para mais quando são está em causa uma acusação às minhas palavras. Mas não haja problemas, a minha expressão foi de evidente mau gosto, esta sim, e dita no calor do momento. A FC que fique descansada, que eu não vou dar aqui nenhum início a uma sessão de revelações escabrosas, tal como não fiz quando me ofendeu vezes sem conta do 5 Dias ou esgrimimos argumentos. Estou envergonhada comigo, na realidade, por este meu acto ridículo de bravado. (E ao contrário do que alguns parecem pensar, não há nada de cariz sexual que eu saiba, lamento a desilusão.)

Quanto aos comentadores do 5 Dias, fiquem pelo blogue da FC, que as vossas lições de moral aqui são dispensadas.

Agora, com a Vossa augusta permissão, dou o assunto por encerrado.

(Desculpem a falta de alguns links, estou no Alentejo e com acesso restrito à net.)


Respostas

  1. Não se amofine, que eu vou já sair daqui. A humilhação e a abjecção nunca foram my cup of tea.

  2. Cara Maria João,

    assim se vê a formação de cada um. Você cometeu um erro e após ter esfriado, reconheceu o erro. Os meus parabéns.

    A mensagem fundamental do seu post é correctissima e como diz de interesse público.

    Gostava muito de ver a FC ter o mesmo acto de humildade…

  3. Minha querida Carmex,

    Sabes vou estar sempre aqui para te apoiar contra estas fernandas…

    infinitezas de beijos

    Borostyrol

  4. Luís Rainha, escrevi um comentário simpático há pouco em resposta ao seu e do MPJ, mas não entendo bem porquê não consta. Entretanto li os seus comentários no blogue da Atlântico e agora já não consigo reproduzir o anterior. Por iso lhe digo, comente por favor no 5 Dias, onde as pessoas “boas” estão, não se misture com “os porcos”, nas palavras sábias, elegantes e nada insultuosas (vindas de onde vêem? Nunca!) da Ana Matos Pires.

    MPJ, obrigada. Gostei muito das suas palavras.

  5. [...] 10 Fevereiro 2008 | por Ana Matos Pires O que tem isto a ver com isto? São dois textos do mesmo autor, aparentemente sobre o mesmo tema, escritos em dois locais [...]

  6. Não misture, por favor, alhos como bugalhos: nem eu falei em suínos nem a senhora tem nada a ver com as pessoas que gosto de ler (e comentar) no “Atlântico”.

  7. Luís Rainha, que grande desilusão me dá, não gostar de me comentar. Nem sei como conseguirei continuar a postar. Mas chego à conclusão que PML tem alguma razão quanto às sua confusões de leitura: não só lhe disse que foi a AMP que falou em “porcos” (já terá sido apagado o comentário? tenho que ir ver; é que o pingback de aqui de cima já não existe. Ah gente séria!) como não lhe disse que me gostava de comentar, mas que me comentou. Mas de quem percebeu que hábitos de colocação de lixo incómodos para os vizinhos significava que os vizinhos andavam a vasculhar no lixo, como escreveu no Atlântico, tudo se espera.

    A inteligência reina no 5 Dias, graças a Deus!

  8. Verifica-se: a Ana Matos Pires apagou o comentário em que nos chamava “porcos” aqui aos do blog. Ainda bem, quer dizer que reconheceu que se excedeu, o que lhe fica muito bem. Não hove pedido de desculpas, mes nem toda a gente é capaz destes gestos. Só espero é não ser agora processada também por ter escrito que a AMP nos chamou “porcos”.

  9. Lamento desapontá-la, Maria João Marques, mas nunca chamei “porco” a ninguém desta casa. Querendo, o ónus da prova é todo seu.

  10. Parece-me que há aqui um problema de memória. Quem utilizou uma citação com origem em Mateus 6:7 fui eu e não a Ana.

  11. Shiznogud, o versículo das pérolas (margaridas) a porcos é Mt 7,6 , só para ter conhecimento. Aplique-se o que disse pensando ser à AMP.

    Ana Matos Pires, aparentemente fiz confusão com os vossos nomes, lamento. Vou agora pedir à irmã e cunhado psicólogos que me digam se me chamou alguma coisa no texto onde não me linkou.

  12. Continue a mandar postais, que um dia ainda acerta uma.

  13. Tudo não se aplicará, porque como reparará o meu “A propósito, “Margaritas ante porcos” é o desporto preferido da Fuckit, já repararam?” não foi apagado coisa nenhuma. E perdoe-me a troca do 7:6 pelo 6:7, foi um lapso imperdoável, indeed…

  14. Shiznogud, está lá, tem razão, o post onde nos chama “porcos”. Confundi o Pires e depois fui procurá-la pelo nick e não pelo nome. Aplica-se tudo o que não se refira ao corte do comentário.

    Luís Rainha, ainda cá está?! Pelos vistos está a gostar, nós de facto somos boa companhia.

  15. Como em quase todas as situações podemos aprender qqr coisinha. Neste caso particular, por exemplo, o uso da metáfora bíblica pode ser considerado um insulto (e o insulto é perfeitamente lícito) já o acusar a ana de ter apagado um comentário em que falava em porcos configura não uma mas duas difamações: porque não foi ela a autora do comentário e porque este não foi apagado coisa nenhuma. Ah! Como percebi que é preciosista, corrigindo-me tão prontamente a inadmissível troca da referência ao versículo, é capaz de me ficar agradecida se a corrigir também, “margaritas” e não, como escreveu, “margaridas”.
    Despeço-me respeitosamente, esperando ter sido útil.

  16. Cara Maria João Marques,
    Embora já há algum tempo tenha conhecimento das suas acusações em relação ao engajamento dos dois perfis feitos sobre os novos ministros, só decidi responder agora às acusações. E por duas razões. Primeiro, porque não me apetecia pôr-me em “bicos de pés” para ganhar alguma espécie de atenção, como tanto acontece na blogosfera; segundo, e em confronto cm a razão anterior, não podia deixar de dizer algo sobre o assunto, pelo que achei esta a melhor altura, no momento em que veio a público pedir-me desculpas. Embora a minha consciência a isso não obrigasse.
    Para que fique registado, eu não a conheço, da mesma forma que não tenho qualquer relação com o primeiro-ministro ou qualquer membro do governo. Daí estranhar a leviandade com que levantou processos de intenção em relação a mim, a reboque de uma qualquer quezília que tenha com a Fernanda Câncio. Se ler com atenção o meu perfil sobre a nova ministra da saúde, há-de concordar que todas as afirmações em discurso indirecto são conclusões retiradas das declarações dos conhecidos da perfilada. Mais, na escrita da peça tive o cuidado de usar várias e diferentes fontes, desde amigos, colegas, ex-colegas e até pessoas com mera relação institucional com a ministra, devidamente citados. Mais uma vez digo que não encontra lá as ideias do jornalista. Encontra as opiniões dos entrevistados, admiradores de Ana Jorge. É natural que para se fazer um perfil se recorra aos que melhor conhecem a pessoa a retratar, e é natural também que quem melhor conhece essa pessoa tenham reconhecimento por ela.
    Posto isto, e já que não nos conhecemos, gostava de saber o que a levou a arrogar-se o direito de questionar a minha idoneidade profissional e mover processos de intenção em relação ao meu trabalho? Da mesma forma que gostava que provasse as minhas ligações ao gabinete do primeiro-ministro, ou sequer ao partido socialista, e de onde saiu a ideia escabrosa de subornos do governo aos jornalistas que fizeram os perfis. É que neste tipo de acusações, não pode pegar no meu nome e usá-lo em espécies de conversas de café digitais, cheias de atoardas e calúnias, e depois fazer de conta que nada se passou, à luz de uma pretensa liberdade de expressão, que se transforma isso sim na liberdade de insultar impune e irresponsavelmente.
    Cumprimentos.
    Pedro Marques

  17. Caro Pedro Marques,
    Em 1º lugar aproveito para lhe pedir desculpas, directamente, se o ofendi, porque a intenção não era de todo essa.
    Em 2º lugar, não cocordo com a apreciação da notícia. Uma notícia isenta não é apenas uma notícia que apresenta factos verdadeiros. Talvez se se tivessem procurado outras fontes o texto final tivesse sido mais equilibrado. Mas tudo isto está no domínio das opiniões.
    A minha expressão foi de uma conclusão minha, que remete para a minha percepção ou opinião do assunto, não uma imputação de factos. Percebi que a expressão utilizada era susceptível de más interpretações e por isso mesmo foi corrigida. No entanto rejeito que tenha posto em causa a idoneidade profissional. Os artigos em questão não estranhariam serem citados numa circular do PS, e isso não pode ser esquecido.
    Claro que não faço ideia de qualquer ligação sua com PS ou governo, nem nunca referi isso; e subornos? Onde foi buscar essa ideia? Referi que o PM, como se informou no caso da licenciatura, telefona por vezes directamente aos jornalistas. Ou que o DN pode querer manter boas relações com o governo – de resto absolutamente legítimo – de forma a ter um tratamento mais amigável do que o Público, por exemplo, e assim ter notícias e informações mais proveitosas para as suas páginas. É que este último facto não refere suborno nenhum; todos nós tratamos melhor quem nos trata bem, é humano. Qualquer profissional de qualquer área sabe que ter bons contactos e boas relações facilita “o negócio”. O que não implica que, descobrindo qualquer história grave para o governo não a investiguem e publiquem. Penso que há que manter algum bom senso nas interpretações que se fazem. Isto não se enquadra num suborno.
    O único direito que me arroguei foi o de questionar e dar a minha opinião sobre dois textos que se apresentaram – a ainda apresentam – como idóneos e isentos.
    Por último não fiz de conta que nada se passou. Assim que percebi que a expressão usada no meu último parágrafo era o que tinha ofendido e provocava interpretações erróneas, alterei o texto. Pensei desculpar-me para o e-mail do Pedro Marques do DN, mas estava a alguns quilómetros de Elvas, com uma ligação de GPRS muito decificiente e sem o meu computador. Decidi por isso pedir desculpas no blogue, no mesmo local onde escrevi o texto inicial. Não me parece que isto seja fazer de conta que nada se passou. Repito, a minha intenção era questionar a imparcialidade dos dois artigos – algo que me parece ser legal e legítimo (de seguida questiono também uma notício do Público online, tal como faço por vezes quando não gosto da formulação das notícias) – e não afirmar que os dois jornalistas estavam a soldo do governo, o que de resto nunca afirmei.
    Reparo que se sente insultado, mas insulto não foi o que lhe fiz. Em todo o caso, e porque ando nisto para me divertir e não para ofender ou transtornar as pessoas, mesmo que por interpretações erradas, lamento muito. Mesmo não me conhecendo, espero que acredite. Se quiser, convido-o para um café para lhe explicar pessoalmente o que (não) escrevi.
    Cumprimentos,
    Maria João Marques

  18. Querendo, esta demonstração solene do Princípio de Peter, tão ordinária que nem me merece um post, também nunca existiu.


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