Não sendo eu uma pessoa politicamente activa nem que me identifique espacialmente com nenhum partido, sempre fui um a pessoa preocupada com algumas questões sociais. É inevitável por formação.
Os leitores que não fiquem muito entusiasmados, porque digo já que não sou se esquerda. Sim, é possível ter preocupações de “esquerda” sem ser de esquerda. E se um dia, duvido muito, me envolver na politica e surgirem fotografias minhas em algum jornal em pleno comício do MRPP com apenas 2 anos, sim é verdade. Fui a alguns, na maioria deles nos ombros do meu Pai. Tem que entender que foi um período agitado e em que não era difícil ir na onda.
Como todo e qualquer mortal, uns mais que outros, tenho interesse na politica. Nem que seja, e nos piores momentos da mesma, porque as consequências dela têm efeitos nas nossas vidas.
Porque não tenho vida para ir todos os dias ao parlamento, obtenho as notícias através dos jornais, televisão e rádio (esta última a minha preferida). Sendo as notícias transmitidas através de jornalistas, todos temos o direito de discordar de uma peça jornalística.
A primeira questão que coloco é: um jornalista deve ser independente? Não, um jornalista deve relatar os factos ocorridos como tal aconteceram, mas o jornalista tem sempre a sua opinião e por isso nunca vai conseguir ser independente. Quer isto dizer, se for anulado um golo ao Sporting que tenha sido marcado com a mão (ou seja, irregularmente), eu enquanto adepto do Sporting não posso estar à espera que um jornalista venha dizer que o golo foi mal anulado. De um jornalista só posso estar à espera que ele diga que o golo foi bem anulado. Do Panaxgingsen, o golo poderia ter sido marcado com a mão e com um falta atacante pelo meio que estava tudo bem.
Em Portugal, infelizmente, os jornalistas insistem em dizer que são independentes e que apenas estão a relatar os factos, quando de facto estão a dar a sua opinião. Este caso , foi um claro exemplo disso.
Visto que parece que toda a gente acha que os jornalista são todos muito independentes, são eles próprios que o dizem, porque não podem ser estes questionados?
Foi o que fez a Carmex, e muito bem. É claro que um jornalista pode escrever aquilo que bem entende, mas também é claro que podemos questionar o que foi escrito. É isto que os jornalistas não toleram, em especial aqui. Será que os jornalistas são assim tão donos da verdade?
Claro que não são o que nos leva à pergunta. Porque não admitem os jornalistas que por vezes erram? Se eles não sabem, é humano. Depois de este post, o que a Fernanda Câncio deveria ter feito é um mea culpa e admitir que errou. E quando digo que erro é porque o próprio texto não é claro no que pretende atingir. É meter medo? Se o objectivo foi esse, digo já não foi atingido. Porque não pode pôr a Carmex em causa a isenção jornalística da Fernanda Câncio e do próprio DN?
Uma coisa é defender, porque tem o direito de o fazer, a independência. Outra coisa é ameaçar com um processo. Existe um oceano de distância entre os dois. Errou, e deveria pedir desculpas por isso.
Desafio-a a fazê-lo.


Anda por aqui grossa confusão entre neutralidade, imparcialidade e independência.
“independente” não quer dizer “sem opinião própria”; implica, mui simplesmente, “não depender”.
O jornalista desportivo pode achar que o golo foi irregular, mesmo enganando-se (acontece). Não pode é ser contratado para o afirmar; aí perderia a independência. Está a ver a diferença?
Por: Luis Rainha em Fevereiro 10, 2008
às 4:34 pm
Caro Luís,
O sentido que dei ao texto é muito claro e esse tipo de definições teóricas nada alteram o fundamental do que pretendo transmitir. Não concorda?
Por: borostyrol em Fevereiro 10, 2008
às 10:31 pm
Quando discutimos assuntos destes, o rigor dos termos não é uma minudência. Mas toda esta conversa é algo inútil: sabe tão bem quanto eu que a insinuação de favorecimento ao governo (os tais “trabalhos”) é mesmo uma acusação de falta de independência e não de falta de neutralidade.
Por: Luis Rainha em Fevereiro 10, 2008
às 11:17 pm
Caro Luís,
ainda não percebeu o fundamental da questão. Ou não quer perceber? Tente ler o texto mais uma vez e pode ser que perceba o essêncial do texto.
Dou-lhe uma dica. A última frase é esclarecedora…
Por: borostyrol em Fevereiro 11, 2008
às 10:11 am
Fabuloso. Você confunde conceitos. Eu é que não percebo.
Escreveu “Uma coisa é defender, porque tem o direito de o fazer, a independência. Outra coisa é ameaçar com um processo.” Nem precisa assinalar que são coisas diferentes. Mas podem ser consequentes: insinuar que um jornalista não é independente é atingir a sua honra, a sua honestidade e a sua competência. Se tal merece um processo, é com o atingido, parece-me.
Sem sequer estar a defender o texto inicial da Fernanda, só lhe digo que você deve ser o único a ainda não ter mesmo entendido a vera questão.
Por: Luis Rainha em Fevereiro 11, 2008
às 10:52 am
Caro Luís,
se você quer continuar com a questão dos conceitos, fique a falar sozinho.
O que eu questiono é exactamente esta falta de capacidade que os jornalistas tem de admitir que podem errar e que o seu trabalho não pode ser posto em causa.
O jornalismo é uma profissão como qualquer outra, na minha óptica. O mundo do trabalho é assim. Na empresa onde trabalho o meu desempenho é constantemente posto em causa quer pelos meus superiores quer pelos meus clientes. E não nos vamos ser ingénuos, o objectivo claro de um jornalista é ganhar dinheiro, ou não? Se não tenho a capacidade de aceitar uma critica, nunca vou conseguir evoluir nem ser bem sucedido e com isto ganhar mais dinheiro.
Não sei qual a sua profissão, eu trabalho numa empresa privada da área do Lazer, mas o mundo real é assim.
Outra coisa que não entendo, se apoia Fernanda Câncio, porque não a defende abertamente. Diz que “sem querer estar a defender o texto inicial da Fernanda…”, qual o problema de o assumir? É medo de um processo da própria Fernanda? Eu assumi claramente desde o ínicio o que estou e quem estou a defender.
Relembro-lhe a questão essencial não se trata do texto da Fernanda Câncio, embora eu concorde com a Carmex, mas a resposta Fernanda Câncio ao post da Carmex. A Fernanda Câncio errou ao ter ameaçado a Carmex e deveria pedir desculpas por tal.
Luís, se quer continuar a nossa conversa, centre-se no essêncial. Como lhe disse, trabalho numa empresa privada e o meu tempo sai caro.
Por: borostyrol em Fevereiro 11, 2008
às 12:04 pm