Rui, meu muito querido amigo Rui,
Queria relembrar-te que o Messias, o nosso ainda mais querido e indispensável Salvador, viveu na Palestina em datas incertas mas lá para os anos de 6 a.C./6 d.C até 27 0u trinta e quaqluer coisa do sec.I. E que mesmo ele, que teve que aturar muito doentinho da causa de Israel, que só percebia de messianismo político a quererem restaurar o “grande Israel” do tempo de David, marcou bem a ideia do Reino de Deus, do “a César o que é de César”, do “o meu Reino não é deste mundo”.
Donde: o único Messias que houve e haverá não teve programa político – foi mais salvífico – e, com um grau de certeza absoluto, não era o Barack Obama.
É bonito ver-te entusiasmado com um candidato à presidência dos States, e ele até parece ser bom homem e bem intencionado (já disse o que tinha a dizer destas boas intenções…); é saudável que o defendas e que argumentes em seu favor. Contudo, please, oh please, não fales dele como se fosse O salvador do mundo, que se for eleito de repente as guerras acabam, a fome é decretada extinta, a cura para a Sida encontrada na seiva dos plátanos, os homens abraçam-se entre si e dão por findas as quezílias, os ricos dividem a sua riqueza pelos países subsaharianos, a temperatura global desce uns quinze graus médios, todos começamos a apreciar os filmes de Manoel de Oliveira e outros resultados de igual mérito. Este discurso teu sobre Obama é muito new-age.
E, pela preservação das relíquias de Santa Catarina de Génova, não voltes a utilizar a expressão “anti-Obama”.
(Já agora, estou curiosa por saber a tua opinião sobre os planos de retirada das tropas americanas do Iraque num período de tempo muito breve, e que Obama defende veementemente. É certamente uma mudança, mas será uma boa mudança? E qual é a vantagem para a paz mundial de uma cimeira entre Obama e Fidel Castro? Assim de repente lembrei-me destas questões.)


Hoje fiz um pequeno exercício e por uns segundos imaginei-me apoiante de Obama. E bastaram esses segundos para já me estar a ver apanhado na armadilha mental que é ser apoiante de algo. Foi incrível ver que em menos de 10 segundos já estava a ver em formação na minha mente esquemas pró-Obama e blindagem anti-Obama. Parei imediatamente mas alguém que não tenha experiência em observar-se a si mesmo teria continuado, sem se aperceber, e em pouco tempo já estaria a fazer raciocínios elaborados e consolidado a ilusão de que o acto de apoiar um candidato era fruto do raciocínio e não o inverso.
Por isso é preciso ter a noção de que a argumentação é uma arma muito fraca quando apontada a alguém que já passou por este acto, que inclui uma blindagem anti-argumentação. Já há algum tempo que me debrucei sobre as razões de ser tão difícil abdicar deste tipo de convicções. Cheguei à conclusão que se devia a uma ilusão interior de que a própria convicção em si se trata de um elemento estruturante do ser. Abdicar dela seria quase um suicídio, por isso estamos a falar de medo. Este tipo de processos mentais para resultar tem de permanecer abaixo do nível de consciência, caso contrário irão parecer ridículos, mas não quer dizer que sejam inconscientes no sentido de serem inacessíveis a não ser por métodos indirectos ou especiais. As pessoas que têm os sentidos interiores menos embrutecidos e a isso juntem a coragem moral conseguem facilmente desfazer estas ilusões.
[...] e a memória de Eisenhower, Pedro Correia, Corta-Fitas Why Not? e Pronto, chegou a altura de termos uma conversa séria, Rui NS e Maria João Marques, Farmácia [...]
Por momentos fiquei assustado e tentei de imediato perceber se alguma coisa tinha acontecido ao meu post para que lá tivessem aparecido referências à mensagem salvífica ou a peregrinações ao Quénia de devoção à senhora Tutu, mas constatei que não. Está lá apenas aquilo que escrevi.
Suspirei de alívio e deduzi que estivesses a falar de qualquer outro Rui…
By the way! Ficaste-me com a empregada e não disseste nada???
Empregada?
Fascistas…
Panax, com duas palavras (uma irónica) conseguiste ilustar melhor que ninguém a mentalidade política que teimamos em não mudar.
Esta escapou-me: “E qual é a vantagem para a paz mundial de uma cimeira entre Obama e Fidel Castro?”
Entao? E qual ee a vantagem de nao fazer uma cimeira com o Fidel Castro?!?? Nao chega jaa de embargo?
Daqui a pouco estaas a escrever que nao haa vantagem para a paz mundial que o Presidente dos EUA se encontre com o tipo do Irao… queres ver?
Mau, agora sou acusada na blogosfera de roubar empregadas?! Ia-vos perguntar o que vos tinha parecido a Zina no próximo Sábado, quando estaremos alegremente todos juntos (a cantar salmos e a mortificarmo-nos, claro, para o caso do Vasco Barreto passar por aqui e ficar satisfeito). Mas se quiseres empregada, a minha anterior brasileira (que eu adorava) voltou do Brasil e está, penso eu, livre.
Quanto ao Obama, era mesmo para ti!
Panax, tu és o único que tem o estereotipo asiático da empregada filipina, pelo que penitencia-te (e mortifica-te também, caro irmão) pelo nome feio que nos chamaste…
Mário, estou a ver que esse exercício de imaginação foi penoso.
Panax, poderá haver vantagem se o PR dos USA se encontrar com os maluquinhos do Irão (caso seja uma cimeira à séria, para se encontrarem formas de pôr fim ao programa nuclear iraniano ou ao financiamento de grupos terroristas) ou poderá não ser (se for uma fantochada tipo cimeira ibero-americana em que se dá importância aos maluquinhos e não se recebe nada em troca).
Com a Coreia do Norte a mesma coisa.
O meu ponto é que Fidel não é nenhuma ameaça para a paz e não merece concessões nenhumas dos EUA, que têm todo o direito de não vender ou comprar produtos cubanos. Os cubanos são pobres não por causa do embargo (podem ter trocas comerciais com o resto do mundo) mas do seu regime ditatorial e brutal (coisa que eu considero muito mais grave do que o embargo, e que tu também considerarias se não sofresses actualmente desta bushite e americanite aguda!!!!).
Os maluquinhos do Irao… fascinante…
Os “cidadaos americanos” teem todo o direito de nao vender ou comprar produtos cubanos?!???! Disseste EUA como um estado ou querias referir-te aos cidadaos americanos? Para quem escreve aqueles “salmos” sobre a globalizacao, esta
afirmacao deveria soar estranho ou nao?
Explica-me laa essa loogica pela qual afirmas que um paiis nao ee pobre pelo embargo mas pelo regime ditatorial em que vive? Mas deixa-te de salmos, explica laa os detalhes pelos quais acreditas que o embargo nao importa nada mas o regime importa…
Panax, não vejo qual o fascínio de ter chamado “maluquinhos” aos do Irão.
A globalização implica a liberdade de se poder transaccionar bens e serviços, não a obrigação de se transaccionarem bens e serviços, entre países.
Quanto ao terceiro parágrafo, bem, nem sei que te diga. Recomendo-te que vejas a história da segunda metade do sec. XX e verifiques como os regimes socialistas foram TODOS tão eficazes a promover a pobreza das populações. Podes começar, por exemplo, pelo teu conhecido Cambodja – parece que houve um maluquinho chamado Pol Pot que foi um verdadeiro purgante para a economia cambodjana. Depois de umas lições de história voltamos a falar!
Fascinante a facilidade com nque rapidamente julgas povos que nao entendes de maluquinhos…
Globalizacao implica entre outras coisas, o incremento das trocas internacionais entre paises, o que ee o produto de muitas coisas, incluindo os varios efeitos de sinal contraario das poliiticas tarifaarias… se ainda nao percebeste isto ee porque nao tens lido um paraagrafo dos textos a que faco referencia aqui… o embargo a Cuba ee uma barreira imposta pelo governo americano aos seus cidadaos… neste caso, os seus cidadaos nao teem o direito de trocar com Cuba, mesmo que o queiram… le o que escreveste em cima e perceberaas que nao tens razao…
Cambodja foi a mais profunda experiencia socialista da histooria, um pesadelo, um autentico pesadelo (mas tu sabes porque?)… mas podes esclarecer esse do “como os regimes socialistas foram TODOS tão eficazes a promover a pobreza das populações”?!?!?
O que ee que isto quer dizer? Nao te conhecessse eu bem e diria que muito facilmente mandas outros estudar histooria e economia quando se calhar tu ee que nao percebes muito bem do que escreves… como te conheco, digo que as tuas palavras nao devem transparecer bem o que pensas… espero…
Panax, não podes, simplesmente NÃO PODES estar a falar a sério quanto à pobreza induzida por regimes socialistas… Podemos sempre comparar o estadso de desenvolvimento da RDA com a RFA, ou das duas Coreias; podemos lembrar dos 30 a 70 milhões de mortos à fome durante o Grande Salto em Frente ou os mais parcos mas ainda assim milhões que morreram à fome devido à colectivização forçada da agricultura da URSS nos anos 20; podemos lembrar o estado em que se encontravam os países de Leste em 1989; podemos lembrar que a URSS colapsou porque não tinha meios para fazer face aos investimentos necessários em armamento para acompanhar a “corrida” americana de Reagan; podemos lembrar que Moçambique era há poucos anos o país com o mais baixo índice de desenvolvimento humano; podemos lembrar a maravilha que eram os planos quinquenais, onde a produção era sempre igual ou superior à prevista porque era o que faltava a produção real embaraçar as estatísticas soviéticas; podemos lembrar a miséria actual de Cuba – ah, claro, isto é culpa dos americanos, não da colectivização…
Nem vale a pena elaborar sobre a falta de incentivos à produção e desenvolvimento existente numa sociedade socialista ou à brutualidade que a socialização impões a qualquer pessoa e não apenas ao ´nível económico.
Panax, meu grande brincalhão. Olha, recomendo-te que vejas o Ninotchka, que é ilustrativo e sempre te ris um bocadinho.