Publicado por: hirudoid | Fevereiro 13, 2008

Why Not?

A agitaçãozinha nervosa que grassa na blogosfera destra desde o raiar da manhã já chegou ao Farmácia.

É muito curioso como o virtuosismo de Obama se degrada à medida que o seu sucesso se consuma. É assim que, de um lado e do outro, se trabalha neste país. Nesta espécie de cultura quinhentista em que  os indígenas são amorosos até começarem a incomodar. A partir daí o melhor é despejarmos chumbo neles.

Há dias elogiei as palavras do André Abrantes Amaral porque me pareceram, absolutamente certeiras, mas a ilusão só durou até hoje. Não pelas palavras, que permanecem certas, mas porque ele acusou a pressão do preconceito. “Sim, sim, ele é tudo isso, mas o meu candidato é o outro! Os maluquinhos que façam o que eu digo e não o que eu faço”.
É por estas e por outras que eu não me revejo na panaceia dos espectros políticos que tolda a vista e engana a razão. Tudo se passa como se de mero clubismo se tratasse e não do futuro das pessoas, do país ou do mundo. Em suma, mais separação, mais discórdia, mais pessimismo, mais desânimo, mais desconfiança, mais desistência. Ou seja, o anti-Obama!

É claro que a opinião trauliteira gosta muito disto porque dá pano para mangas, mas se nem no futebol, que é a brincar, é eficaz, porque há-de sê-lo nas ideias?

Quem não percebeu Obama é porque não está disponível para resolver esta questão. É porque está centrado na clubite, no orgulho e na persistência. Elogiavam-no quando não assustava mas agora que é real desconfiam dele e afastam-se. Por todo lado aparecem especialistas a fazerem-nos querer que a política não são valores, que a política não é a democracia alargada, que a política não é o consenso.

Espero que não seja porque só isso pode, de facto, mudar as coisas…

Clinton ou McCain são boas soluções, não é disso que se trata. Acho que o mundo pode dormir um pouco melhor com qualquer um deles. O único problema é que por mais que mudem – e já sabemos que todos eles são grandes agentes mudança, não é preciso chorar – não mudam a ATITUDE. E não falo da deles, falo da de todos! Políticos, jornalistas, empresários e, sobretudo, dos cidadãos comuns.

E Give me a break, se querem as ideias e o programa político do senhor ponham-se a procurar e a ler, não tenho que ser eu a dizer-vos onde encontrar e comprovar a história, as acções e as razões de Obama.

No final certifiquem-se apenas que entenderam o essencial porque o resto virá por acréscimo. 

E porque não recordar os acordes do Cat Stevens: Why Not!?


Respostas

  1. [...] Fevereiro 13, 2008 Pronto, chegou a altura de termos uma conversa séria Posted by Carmex under Genéricos   Rui, meu muito querido amigo Rui, [...]

  2. [...] e a memória de Eisenhower, Pedro Correia, Corta-Fitas Why Not? e Pronto, chegou a altura de termos uma conversa séria, Rui NS e Maria João Marques, Farmácia [...]

  3. [...] É porque está centrado na clubite, no orgulho e na persistência (…) Por todo lado aparecem especialistas a fazerem-nos querer que a política não são valores, que a política não é a democracia [...]


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