Publicado por: Maria João Marques | Março 19, 2008

A Florida não resiste a destacar-se…

Os Democratas entregaram os votos do colégio eleitoral do estado da Florida a John McCain que, obviamente, deve ter ficado encantado. Além desta solicitude para com os seus opositores, Obama (o mais bem posicionado em termos de pledged delegates, apesar de Hillary poder vir a ganhar o voto popular com as primárias que se seguem e ser vista como a mais bem preparada para lidar com os assuntos económicos, que de resto estão a ganhar preponderância nestas presidênciais) não se coíbiu de mostrar que sacrifica muito (demais) para obter a nomeação democrata: a falta de vontade da sua candidatura para construir uma solução de repetição da votação na Florida e Michigan que, em princípio, lhe continuariam desfavoráveis foi ostensiva – a campanha de Hillary chegou a propor angariar metade do valor para pagar as segundas primárias nos dois estados, desde que a campanha hiper-angariadora de Obama angariasse a restante metade; não houve qualquer apreciação por este plano na campanha de Obama – e mostrou que, mais importante que ter todos os votos contados, era o seu resultado (ao contrário do que diz e repete). Quando chegar a altura, sendo ele o nomeado, de Obama anunciar que afinal vai angariar os fundos para a sua campanha (algo em que é extremamente bem-sucedido) e não aceitar o montante fixo estatal – contrariando o que tinha defendido – vai mostrar também quanto valem a sua palavra e os seus valores. Não preciso de dizer quanto, pois não?

Eu sou crítica de Hillary há muito tempo, mas reconheço que ela é muito mais bem preparada, fundamentada, resistente, consciente, corajosa, competente, sincera, etc., etc. do que Obama. Ficaria deveras contente se Hillary conseguisse dar uma valente vassourada em Obama na Convenção.


Respostas

  1. [...] A Florida não resiste a destacar-se…, Maria João Marques, Farmácia Central [...]

  2. “…apesar de Hillary poder vir a ganhar o voto popular com as primárias que se seguem e ser vista como a mais bem preparada para lidar com os assuntos económicos…”

    “…mas reconheço que ela é muito mais bem preparada, fundamentada, resistente, consciente, corajosa, competente, sincera, etc., etc. do que Obama…”

    PORQUE?

  3. Também não entendo, mas tenho por mim que é um clichet!

    Olho para aqui e para aqui e não consigo entender essa vantagem. A não ser que mais bem preparada queira dizer que já conhece os cantos à Casa Branca e isso, para mim, não é critério. Mais critério, isso sim, é alguém que traz algo de novo à Política para além daquilo que a que já nos fomos habituando e acomodando com o passar dos anos e que nem nos trevemos a questionar.

    Muita experiência. Pois, pois,e o resto? Mais do mesmo.

  4. Conhece os cantos aa casa e teraa ouvido o marido atender telefonemas aas 3 da manha…

    Essa vantagem quantifica-se em 3 dias de Presidencia a visitar as vaarias salas da Casa Branca e os cantos da sala oval, e a receber telefonemas a meio da noite por causa da trampa que por laa vai no Iraque…

  5. A Monica L. teraa mais experiencia porventura…

  6. Ora bem.

    Relativamente a “ser vista como a mais bem preparada para lidar com os assuntos económicos…” têm que perguntar aos americanos, porque estou a reproduzir dados das sondagens que se têm feito (procurem no NY Times e no USA Today, que devem ter ainda alguma coisa em linha). De resto, entre os eleitores democratas que têm votado nas primárias e caucuses, aqueles que consideram que o assunto mais importante é a economia têm votado maioritariamente em Hillary. Também é um facto que os americanos estão gradualmente a colocar este ponto como o mais importante para a campanha presidencial. (Talvez por isto fosse boa jogada de McCain ter Romney como VP.)

    Quanto a estar mais bem preparada, isso já é opinião minha. Já expliquei ao Hirudoid que Hope e Change não são (na minha modesta opinião) programas políticos, e Hillary, sempre que a oiço, mostra perceber o que diz e ter propostas práticas para implementar em assuntos tão díspares como o health plan ou o Iraque; do lado de Obama são as duas coisas nebulosas, apenas com intenções bonitas que se percebem que podem valer tanto como a promessa de Sócrates de não aumentar os impostos.

  7. Se fosse o presidente dos EUA a cuidar de todas as especialidades seria preciso um super-presidente. O precisa sim de ter uma forte cultura geral das diversas especialidades.

    O relevante é analisar-se a equipa que vêm com eles …

    O Presidente têm de ter carisma, ser um lider e é importante sabermos quais as políticas que deseja implementar.

    Entre a Hillary e o Obama (já descartei os Republicanos), pessoalmente não tenho dúvidas nenhumas em dizer que Obama seria o candidato mais interessante para a Europa e para o Mundo em geral, pois para além de ser um lider e ter carisma, é um “outsider” do sistema americano, irá romper definitivamente com a linha de orientação dos últimos governos Bushistas e terá condições especiais para ser uma ponte sustentada com o efevercente mundo mulçumano.

  8. Bem-vindo Rodrigo.
    A ideia é exactamente essa (excepto a parte de descartar logo os republicanos).

    Esta conversa com a Carmex já não desencrava. Por exemplo, continuo a não entender o que isto e isto tem de mais nebuloso do que isto e isto.

    Diferentes, sem dúvida, mas se o critério é concretização, então diria que são nebulosos os dois. Quanto a mim, não é isso (medidas para não cumprir) que faz falta aos políticos nos momentos de protagonismo e aí o Rodrigo acertou na mouche!

    Ah! E MEDO também não me parece ser um programa político e ESTABLISHMENT, muito menos.

  9. Meus caros,

    Não será John Mccain o melhor candidato em competição? Mais experiente, com mais sabedoria, com melhor capacidade de mudar Washington? O único com real vontade de ultrapassar as divisões provocadas por Clinton e Bush? Um verdadeiro herói americano? Com ele sabemos com o que vamos contar.. E é o verdadeiro candidato Transatlântico…

    Eu votaria Mccain…

  10. Caro Nuno Gouveia, tambeem nao tenho dificuldades em separar o John McCain do grupo de republicanos que, com Bush Jr, escreveu esta paagina negra da histooria contemporanea… tenho atee alguma simpatia felo tipo (especialmente com uma mulher daquele calibre)

    Parece-me atee um tipo que tem dificuldade em estar na mesma sala que o Bush Jr..
    Quando foi confirmado como o candidato Republicano, McCain foi aa Casa Branca, e a conferencia de imprensa depois de almoco, ao lado de Bush Jr., pos-me a imaginar o gajo a pensar: “darn, would you shut up for a minute George? Geez, with friends like these, who needs enemies?!??”

    A minha imaginacao…

    Pergunto-me no entanto, se “experiencia” nao seraa tantas vezes “overstated”… especialmente em sociedades como a Portuguesa… a minha, mas seguramente tambeem a sua histooria pessoal, estaa cheia de instancias onde a falta de experiencia (leia-se, a falta de anos a fazer uma determinada coisa, bem ou mal) foi apresentada como um obstaaculo intransponiivel para a assuncao de uma tarefa, que de facto sentia que podia desempenhar…

    Tenho 33 anos, e faco coisas a assumo responsabilidades agora noutro continente, e noutro contexto, que em Portugal nunca me seriam confiadas antes de ter experiencia, ou seja, antes de ter 50 anos…

    Estranho nao?

  11. Para mim o Mccain têm um grande handicap (e só por isso descartei os Republicanos). Apesar de ser claramente um elemento de ruptura face ao aparelho instituido na sua ala política, irá concerteza sofrer fortes pressões internas e sinceramente não sei se conseguirá romper em tempo útil com a linha de orientação Bushista.

    Posso estar errado, mas acho que já lá vai a época em que havia heróis na política.

    Caro Nuno,

    Gostaria (muito) de ler um artigo seu sobre a importância e a relevância que a religião têm na política Americana. Que acha do desafio?


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