“Uma vaca europeia recebe cerca de $900 por ano. É mais do que o per capita de um africano. Além de impedir a importação de leite africano para a europa, estes subsídios têm outro efeito: os europeus exportam ao preço da uva mijona leite em pó para África. Os africanos que – numa primeira fase – são impedidos de exportar para a Europa sofrem – numa segunda fase – o golpe final: nem sequer conseguem vender leite nos seus mercados internos. O leite em pó europeu é mais barato do que o leite “normal” africano. Mas os Bové anti-globalização acham tudo bem. Parece que conseguem dormir bem à noite e tudo.”
Henrique Raposo, no Atlântico (obrigatória a leitura do post completo, até à parte da solução muito inteligente do etanol).
A gente sabe que sim, que no pós-guerra foi necessário assegurar a auto-suficiência alimentar dos países da CECA e depois CEE, para a eventualidade de uma nova guerra que não se previa de todo impossível com o bloco comunista. A Batalha do Atlântico e os seus milhares e milhares de tonelagem perdida, a quantidade escabrosa de alimentos que se afundaram, as vidas que se perderam na marinha mercante para assegurar um mínimo de envio de bens para a Grã-Bretanha estavam ainda na memória de toda a gente. Bem como o racionamento, durante e depois da guerra.
Contudo as circunstâncias mudaram, o mundo transformou-se e a PAC (que não se transformou) foi vítima do próprio sucesso. Actualmente o excesso de produção alimentar na UE devido aos subsídios existentes é causadora de muita pobreza no mundo – não deixamos que os países mais pobres nos vendam e vendemos-lhe os nossos excedentes mais baratos do que o que eles conseguem produzir. E os Estados Unidos são tão culpados como nós.


Nem mais!
Por: Rui MCB em Abril 7, 2008
às 11:50 pm
Rui, aí está uma boa proposta para o MEP: defender a revisão aprofundada da PAC.
Por: Carmex em Abril 8, 2008
às 10:29 am