Publicado por: Maria João Marques | Junho 22, 2008

Gostei

Do discurso de Manuela Ferreira Leite. Não concordo com todas as ideias de MFL – por exemplo na política fiscal, quanto à necessidade de baixar impostos – mas esteve bem na forma e no conteúdo. Referiu a burocracia e os excessos interventivos estatais que infernizam (deveria dizer vampirizam) a vida das PMEs e da classe média; criticou esta febre contraída recentemente pelos socialistas (para umas gargalhadas, lembro que os mesmos que apregoavam o crescimneto económico na sequência do plano tecnológico) de anunciar obras públicas e mais obras públicas, como se não houvesse amanhã e fizéssemos bem em esgotar agora todos os nossos recursos e ainda ficar a dever alguma coisinha, que não estaremos cá para pagar; colocou a exigência no centro de um bom sistema de ensino; questionou o SNS; relembrou a necessidade de reformar a nossa mastodôntica Administração Pública; referiu a necessidade de transparência e previsibilidade da política fiscal, bem como a justificação moral da recolha de impostos da redistribuição de riqueza, por oposição ao que se tem verificado com a alimentação de clientelas (esta é minha) e de despesa pública inútil; terminou revelando o seu espírito de missão, ao esclarecer que, para MFL, o bem comum é a finalidade da actividade política.

(E aqui não resisto a lembrar às pessoas que correm à minha volta com a expressão “bem comum” a saltar-lhes dos lábios e consideram este objectivo como propriedade desse insosso MEP, que não, os outros também têm as suas ideias para o bem comum e trabalham para ele. Mas vamos deixar as questões de farisaísmo e voltar ao Congresso do PSD.)

O tom de MFL é monocórdico (e quando tenta não ser, sai mal). Acho que isto não é um defeito, não perante um Sócrates em permanente estrebuchar, que saltita na sua tribuna de PM e agita os braços (parecendo as asas dos anúncios do Red Bull) e é de uma falta de educação assombrosa. Parece-me que, neste confronto, só o facto de ser bem-educada já dá vantagem a MFL.


Respostas

  1. Essas ideias todas, depois de as ouvir centenas de vezes já não ligo…

    A única coisa relevante do discurso de MFL ocorreu quando, a propósito do comportamento do PM ela disse “Isso acabou!”, em tom de o colocar no seu lugar, de rabo entre as pernas.

  2. Isso acho que foi no discurso inicial.

  3. O discurso final, não apresentando propostas concretas já foi mais esclarecedor. Tem razão: ouvimos isto dezenas de vezes. Vamos esperar que estas ideias sejam mais concretizáveis do que o choque fiscal de Durão Barroso.

  4. Concordo com o Mário.
    Muitas dessas ideias já foram repisadas, mas nunca foram postas em prática. Talvez Manuela tenha coragem de as aplicar (se algum dia chegar ao Governo), mas o facto de falar delas acaba por cair em saco roto, já que são poucos aqueles que ainda acreditam que alguém com um discurso reformista possa passar das palavras aos actos, uma vez que se apanhe no Governo.

  5. Pois. Novamente recordo o choque fiscal de Barroso, que acabou numa subida de 2% do IVA…


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