Publicado por: Maria João Marques | Julho 5, 2008

Lá vai nova maluqueira começar

“Tablet Ignites Debate on Messiah and Resurrection

A three-foot-tall tablet with 87 lines of Hebrew that scholars believe dates from the decades just before the birth of Jesus is causing a quiet stir in biblical and archaeological circles, especially because it may speak of a messiah who will rise from the dead after three days.

If such a messianic description really is there, it will contribute to a developing re-evaluation of both popular and scholarly views of Jesus, since it suggests that the story of his death and resurrection was not unique but part of a recognized Jewish tradition at the time.”

No NY Times.

Descobriu-se uma pedra com um texto escrito, provavelmente datada do sec I a.C. que alude a um Messias que morre e ressuscita três dias depois e lá vem o NYT – e o resto do mundo atrás – falar de debate e reavaliação sobre a morte e ressurreição de Jesus.

No texto acima linkado não li nada que transtornasse a visão católica da morte e ressurreição de Jesus. O facto de o NYT ter encontrado esse material deve-se talvez ao facto de todos os contribuintes para a peça serem judeus (isto sem querer parecer o Pedro Arroja, que, de resto, escreveu dois posts muito interessantes sobre razão e crença em Deus), expectavelmente não católicos e, como tal, talvez não inteiramente conhecedores do que dizem os católicos sobre o seu Messias.

Refere-se a importância do messianismo político à época de jesus. Se tivessem lido os evangelhos, teriam percebido que os próprios discípulos de Jesus o confundiam com um líder político, que havia um discípulo zelota e que em todas as escolas de Teologia se estuda o messianismo político.

Alude-se à variedade do judaímo do sec. I. What else is new? Havia os fariseus (que se pensa também aceitarem o conceito de ressurreição), os saduceus, seitas marginais como os essénios (que produziram os Manuscritos do Mar Morto, já inteiramente traduzidos e publicados por grupos de exegetas judeus, católicos e protestantes; são unanimemente considerados a mais importante descoberta arqueológica do sec. XX; não têm absolutamente nada a ver com o cristianismo, que nem sequer referem); até serem expulsos dos templos no Concílio de Yamnia, os católicos (de ascendência judaica e circuncidados) consideravam-se judeus e participavam nos ritos.

Sugere-se a transferência para o cristianismo do pensamento teológico católico primitivo. Mas onde tem vivido esta gente? Não saberão que Jesus Cristo era judeu e que se apresentou como seu Messias e redentor, tendo sido recusado? Que ainda hoje os cristãos usam os livros sagrados judeus como seus? Que os cristãos primitivos – visto que a velocidade dos acontecimentos era substancialmente mais lenta – começaram por (mais correctamente: continuaram a) usar nas cerimónias onde se fazia a fracção do pão os livros sagrados judaicos, sendo que o Novo Testamento era, então, apenas pertencente à tradição oral e só quando as testemunhas directas da vida de Jesus começaram a morrer e se necessitou de fixar por escrito esta Boa Nova foram surgindo os evangelhos? Que foram vistas como alusões à morte e ressureição de Jesus o sinal de Jonas ou a morte do Servo de Yahweh? Que os relatos da anunciação do nascimento de Jesus são inspirados na tradução da Bíblia dos Setenta do livro de Isaías?

E continuava…

Não contradizendo nada da teologia católica, esta pedra também não será obrigatoriamente integrada no judaísmo. Apesar de o folclore dos livros apócrifos só rodear os evangelhos apócrifos, existem também muitos escritos sobre a fé judaica que são apócrifos do Antigo Testamento, tanto para os crsitãos como para os judeus. Provavelmente o caso deste texto.


Respostas

  1. falha-me a capacidade de ver, nos posts citados do pedro arroja, o interesse que nomeia. acho, aliás, todo o blog recheado de insinuações radicais que parecem herança directa do ideário do antigo regime, com umas pinceladas de catolicismo arrivista e pretensões a um qualquer esclarecido intelectualismo que só mascara confusão mental para justificar não sei que originalidade de opiniões.

  2. Tangas, eu muitas vezes discordo das opiníões do Pedro Arroja, mas acho mesmo muito interessante o testemunho que ele dá de se chegar à fé em Deus através da razão. As opiniões extravagantes de PA sobre judeus, mulheres e até sobre a identificação do catolicismo com determinados regimes políticos não implicam que não possa ter um percurso de fé interessante. Todos somos bons e maus em algumas coisas, não é?

  3. é verdade o que diz. o certo é que não me mostra racionalismo nenhum em particular em relação à fé. promete, mas não entrega.


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