O melhor texto sobre esta história do casamento e legalismos associados. Só não entende quem tem má vontade.
Casamento, Hélder n´O Insugente.
E, a propósito dessas declarações deliciosas do eminente hermeneuta dos ensinamentos conciliares e demais documentos catequéticos, também conhecido por José Sócrates Pinto de Sousa, pela distracção de Deus Primeiro-Ministro de Portugal, vejam (antes de gastarem tempo à procura da definição de casamento na Patrística e na Escolástica, para perceberem do que quereria este brilhante teólogo acusar Manuela Ferreira Leite)


devo ter má vontade…
agravada pela enxurrada de disparates nos comentários
Por: tangas em Julho 15, 2008
às 12:55 am
então diga lá a razão da má vontade: o casamento é apenas um contrato? é apenas uma instituição religiosa? não existe sem religião ou estado?
Por: Carmex em Julho 15, 2008
às 12:16 pm
a má vontade é contra a estupidez e o falar por falar. contrato ou instituição, religioso ou não, tanto me faz. o facto de ele não ser para todos o mesmo é que é má vontade.
mas não são só os homossexuais que estão nesse barco. vá lá perguntar aos muçulmanos e outros grupos religiosos se vêem reconhecido o casamento segundo as suas convenções pelo estado português… isso não é discriminação? não é má vontade? onde fica o respeito pelos direitos e liberdades do indivíduo? pelas suas crenças religiosas? pela não distinção entre os sexos?
o estado discrimina, essa é que é essa. descaradamente.
Por: tangas em Julho 15, 2008
às 1:47 pm
O casamento é mais uma instituição a abater neste movimento rumo ao totalitarismo. Tudo o que servir para acabar com a família é usado como arma. O fim último é mesmo o fim do indivíduo, que sem família não poderá despontar.
Podemos pensar nisto a partir de outro ponto de vista. Há uns dias passou deu uma reportagem na televisão sobre uma família com 9 filhos. A ênfase foi diferente do habitual. Aquela família não era um exemplo de miséria e disfuncionalidade. Pelo contrário, apesar de muitas dificuldades e dos rendimentos reduzidos, tinham conseguido manter todos na escola, 3 já na universidade. Acho que muitos urbano-depressivos com sonhos carreiristas e de modernidade deverão ter ficado com uma inveja mortal daquela família. Porque sentia-se que eles eram felizes, que existia uma entreajuda enorme para ultrapassar dificuldades e uma grande pureza de coração em todos eles. A mãe disse que talvez estivesse destinada a ser mãe, imagine-se a heresia nos tempos de hoje. Esta é uma família que funciona porque foi gerada pelo amor, não por desígnios modernos de eficientismo e egoísmo, que quando transpostos para classes mais baixas levam também à formação de famílias grandes, mas muito diferentes, em que os filhos servem apenas como mão-de-obra e para receber abonos do Estado.
O que o progressismo quer é destruir as famílias funcionais, acabar com o amor, na verdade, e gerar a partir dos seus novos valores alternativos exemplos de miséria e degradação, para depois apontarem a dedo e virem, da forma mais cínica e sórdida, acusar as instituições tradicionais de não funcionarem, quando na verdade elas deixaram de funcionar quando o progressismo as minou de todas as formas possíveis.
Querer formar uma família é um desejo natural. Não o querer é, na verdade, um desejo de morte, um ódio à própria existência. Mas é este desejo implícito de morte que vingou nas sociedades modernas. Veja-se o nojo com que se recebem desígnios de formar uma família com desejos reprodutores, como se isso não fosse a coisa mais natural no ser humano e uma constante relatada em todas as culturas desde que há registos. Mas não, para esta gente, natural é querer mudar o mundo à força por fraqueza de não querer viver de acordo com a sua própria natureza. Estão mesmo viciados em ter uma existência que se afaste em tudo dos modelos que receberam. São infelizes e não sabem porquê.
Por: Mário em Julho 15, 2008
às 2:14 pm
Tangas, se tanto se lhe dá o que é o casamento, não entendo porque há-de discuti-lo. mas diz muito bem, o casamento não é um saco onde cabe tudo, nem deve ser (acrescento eu). porque há-de o casmento em portugal, país com cultura e tradições centenárias, acolher os casamentos polígamos dos muçulmanos? era o que faltava. é que as pessoas não têm só direitos; há também a parte dos deveres (para com a sociedade e para com os que os rodeiam).
e eu até acho que devia ser legalizado o casamento entre homossexuais (já não concordo com a adopção por homossexuais, porque aí se envolve um terceiro a quem o estado tem a obrigação de colocar no melhor ambiente familiar, e isso é um pai e uma mãe); mas não dou para o peditório dos “direitos” e do “casamento deve ser isto ou aquilo”; o casamento é o que sempre foi.
Mário, acho que o seu comentário vai um bocadinho no sentido do que escrevi a propósito das licenças de maternidade. tambem acho que há muito quem de se revoltar contra todas as medidas que promovam a família – e isto quando se sabe, e cada vez com mais detalhe, que problemas muito complicados como a criminalidade têm tudo a ver com a degradação dos valores familiares. É anti-natural.
Por: Carmex em Julho 15, 2008
às 3:30 pm
carmex, o que eu quis dizer foi que não importa se o casamento é uma instituição ou um contrato, o que é uma coisa completamente diferente. e a discussão é sobre o direito de apenas alguns se casarem, que também é uma coisa completamente diferente. ao contrário do que se diz por aí, muitos muçulmanos têm apenas uma mulher e são felizes assim, estando portanto em perfeita concordância com as leis que vigoram em portugal. dizer outra coisa é sofrer de demagogismo. acho muito moderna a sua concordância com o casamento entre homossexuais. e absolutamente irresponsável afirmar que é contra a adopção por famílias homo, porque há que ter em conta o bem-estar da criança, sobretudo numa sociedade em que a maioria esmagadora das crianças são apenas educadas pelas mães, sustentadas pelas mães e amadas pelas mães. se acha que para dar um passo como a adopção as pessoas são todas inconscientes e não estão preparadas para assumir durante uma vida as obrigações da maternidade e da paternidade, não sei o que pensar… é que não tinha ideia que a carmex era uma das pessoas que acha que alguns são gente e outros um bocadinho menos gente. que heteros são à partida gente inteira que pode criar filhos, e homos gente menos gente que não tem essa capacidade. mas, enfim, vai-se aprendendo.
Por: tangas em Julho 16, 2008
às 11:06 am
Eu tinha-a avisado carmex… primeiro os pés de lã, depois as tentativas de destruição de carácter…
Por: Mário em Julho 16, 2008
às 1:01 pm
Tangas, de modo nenhum acho que os homossexuais menos gente ou com menos capacidade para amar e aducar filhos. Muitos homossexuais, de resto, são pais e mães e tão bons como quaisquer outros. Agora não me parece que seja a melhor solução para uma criança ser educada só por dois pais ou duas mães, já que é essencial para o desenvolvimento de uma criança a identificação sexual com um dos progenitores – o do mesmo sexo – e a diferenciação com o de sexo oposto. A relação que uma criança tem com o pai não é a mesma que tem com a mãe, o amor de um pai não é igual ao amor de uma mãe, e isso é muito enriquecedor. Acho, sinceramente, que o Estado não se pode demitir do objectivo de dar o melhor ambiente possível às crianças à sua responsabilidade. Este tipo de adopção seria totalemnte diferente dos filhos biológicos de homossexuais, porque mesmo que vivam com o casal homossexual as crianças continuam a ter um pai/mãe fora desse agregado familiar.
O facto de haver famílias longe de perfeitas não é justificação para a adopção por homossexuais. Aliás, nos Estados Unidos, onde há muitos estudos sobre estas realidades, verifica-se que a criminalidade nas comunidades afro-americanas está muito ligada às famílias monoparentais.
(quanto aos muçulmanos, concordo, a maioria deles não pratica a poligamia; no entanto, a respeitar-mos a religião muçulmana teríamos que aceitar este tipo de família que alguns muçulmanos adoptam.)
Por: Carmex em Julho 16, 2008
às 1:01 pm