Publicado por: Maria João Marques | Julho 14, 2008

Do Casamento

O melhor texto sobre esta história do casamento e legalismos associados. Só não entende quem tem má vontade.

Casamento, Hélder n´O Insugente.

E, a propósito dessas declarações deliciosas do eminente hermeneuta dos ensinamentos conciliares e demais documentos catequéticos, também conhecido por José Sócrates Pinto de Sousa, pela distracção de Deus Primeiro-Ministro de Portugal, vejam (antes de gastarem tempo à procura da definição de casamento na Patrística e na Escolástica, para perceberem do que quereria este brilhante teólogo acusar Manuela Ferreira Leite)

Manuela Ferreira Leite, José Sócrates e o Vaticano II (2), AAA n´O Insurgente.


Respostas

  1. devo ter má vontade…
    agravada pela enxurrada de disparates nos comentários :|

  2. então diga lá a razão da má vontade: o casamento é apenas um contrato? é apenas uma instituição religiosa? não existe sem religião ou estado?

  3. a má vontade é contra a estupidez e o falar por falar. contrato ou instituição, religioso ou não, tanto me faz. o facto de ele não ser para todos o mesmo é que é má vontade.
    mas não são só os homossexuais que estão nesse barco. vá lá perguntar aos muçulmanos e outros grupos religiosos se vêem reconhecido o casamento segundo as suas convenções pelo estado português… isso não é discriminação? não é má vontade? onde fica o respeito pelos direitos e liberdades do indivíduo? pelas suas crenças religiosas? pela não distinção entre os sexos?
    o estado discrimina, essa é que é essa. descaradamente.

  4. O casamento é mais uma instituição a abater neste movimento rumo ao totalitarismo. Tudo o que servir para acabar com a família é usado como arma. O fim último é mesmo o fim do indivíduo, que sem família não poderá despontar.

    Podemos pensar nisto a partir de outro ponto de vista. Há uns dias passou deu uma reportagem na televisão sobre uma família com 9 filhos. A ênfase foi diferente do habitual. Aquela família não era um exemplo de miséria e disfuncionalidade. Pelo contrário, apesar de muitas dificuldades e dos rendimentos reduzidos, tinham conseguido manter todos na escola, 3 já na universidade. Acho que muitos urbano-depressivos com sonhos carreiristas e de modernidade deverão ter ficado com uma inveja mortal daquela família. Porque sentia-se que eles eram felizes, que existia uma entreajuda enorme para ultrapassar dificuldades e uma grande pureza de coração em todos eles. A mãe disse que talvez estivesse destinada a ser mãe, imagine-se a heresia nos tempos de hoje. Esta é uma família que funciona porque foi gerada pelo amor, não por desígnios modernos de eficientismo e egoísmo, que quando transpostos para classes mais baixas levam também à formação de famílias grandes, mas muito diferentes, em que os filhos servem apenas como mão-de-obra e para receber abonos do Estado.

    O que o progressismo quer é destruir as famílias funcionais, acabar com o amor, na verdade, e gerar a partir dos seus novos valores alternativos exemplos de miséria e degradação, para depois apontarem a dedo e virem, da forma mais cínica e sórdida, acusar as instituições tradicionais de não funcionarem, quando na verdade elas deixaram de funcionar quando o progressismo as minou de todas as formas possíveis.

    Querer formar uma família é um desejo natural. Não o querer é, na verdade, um desejo de morte, um ódio à própria existência. Mas é este desejo implícito de morte que vingou nas sociedades modernas. Veja-se o nojo com que se recebem desígnios de formar uma família com desejos reprodutores, como se isso não fosse a coisa mais natural no ser humano e uma constante relatada em todas as culturas desde que há registos. Mas não, para esta gente, natural é querer mudar o mundo à força por fraqueza de não querer viver de acordo com a sua própria natureza. Estão mesmo viciados em ter uma existência que se afaste em tudo dos modelos que receberam. São infelizes e não sabem porquê.

  5. Tangas, se tanto se lhe dá o que é o casamento, não entendo porque há-de discuti-lo. mas diz muito bem, o casamento não é um saco onde cabe tudo, nem deve ser (acrescento eu). porque há-de o casmento em portugal, país com cultura e tradições centenárias, acolher os casamentos polígamos dos muçulmanos? era o que faltava. é que as pessoas não têm só direitos; há também a parte dos deveres (para com a sociedade e para com os que os rodeiam).

    e eu até acho que devia ser legalizado o casamento entre homossexuais (já não concordo com a adopção por homossexuais, porque aí se envolve um terceiro a quem o estado tem a obrigação de colocar no melhor ambiente familiar, e isso é um pai e uma mãe); mas não dou para o peditório dos “direitos” e do “casamento deve ser isto ou aquilo”; o casamento é o que sempre foi.

    Mário, acho que o seu comentário vai um bocadinho no sentido do que escrevi a propósito das licenças de maternidade. tambem acho que há muito quem de se revoltar contra todas as medidas que promovam a família – e isto quando se sabe, e cada vez com mais detalhe, que problemas muito complicados como a criminalidade têm tudo a ver com a degradação dos valores familiares. É anti-natural.

  6. carmex, o que eu quis dizer foi que não importa se o casamento é uma instituição ou um contrato, o que é uma coisa completamente diferente. e a discussão é sobre o direito de apenas alguns se casarem, que também é uma coisa completamente diferente. ao contrário do que se diz por aí, muitos muçulmanos têm apenas uma mulher e são felizes assim, estando portanto em perfeita concordância com as leis que vigoram em portugal. dizer outra coisa é sofrer de demagogismo. acho muito moderna a sua concordância com o casamento entre homossexuais. e absolutamente irresponsável afirmar que é contra a adopção por famílias homo, porque há que ter em conta o bem-estar da criança, sobretudo numa sociedade em que a maioria esmagadora das crianças são apenas educadas pelas mães, sustentadas pelas mães e amadas pelas mães. se acha que para dar um passo como a adopção as pessoas são todas inconscientes e não estão preparadas para assumir durante uma vida as obrigações da maternidade e da paternidade, não sei o que pensar… é que não tinha ideia que a carmex era uma das pessoas que acha que alguns são gente e outros um bocadinho menos gente. que heteros são à partida gente inteira que pode criar filhos, e homos gente menos gente que não tem essa capacidade. mas, enfim, vai-se aprendendo.

  7. Eu tinha-a avisado carmex… primeiro os pés de lã, depois as tentativas de destruição de carácter…

  8. Tangas, de modo nenhum acho que os homossexuais menos gente ou com menos capacidade para amar e aducar filhos. Muitos homossexuais, de resto, são pais e mães e tão bons como quaisquer outros. Agora não me parece que seja a melhor solução para uma criança ser educada só por dois pais ou duas mães, já que é essencial para o desenvolvimento de uma criança a identificação sexual com um dos progenitores – o do mesmo sexo – e a diferenciação com o de sexo oposto. A relação que uma criança tem com o pai não é a mesma que tem com a mãe, o amor de um pai não é igual ao amor de uma mãe, e isso é muito enriquecedor. Acho, sinceramente, que o Estado não se pode demitir do objectivo de dar o melhor ambiente possível às crianças à sua responsabilidade. Este tipo de adopção seria totalemnte diferente dos filhos biológicos de homossexuais, porque mesmo que vivam com o casal homossexual as crianças continuam a ter um pai/mãe fora desse agregado familiar.

    O facto de haver famílias longe de perfeitas não é justificação para a adopção por homossexuais. Aliás, nos Estados Unidos, onde há muitos estudos sobre estas realidades, verifica-se que a criminalidade nas comunidades afro-americanas está muito ligada às famílias monoparentais.

    (quanto aos muçulmanos, concordo, a maioria deles não pratica a poligamia; no entanto, a respeitar-mos a religião muçulmana teríamos que aceitar este tipo de família que alguns muçulmanos adoptam.)


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