A propósito disto e disto, claro que se pode sempre contar com a malta de esquerda para nos provocar umas alegres gargalhadas, mesmo em momentos de profundo negrume, desconsolação, desânimo (o que não era o caso comigo, mas se fosse o resultado teria sido igualzinho) com a mais que evidente clarividência sobre todo e qualquer fenómeno social do mundo moderno e via láctea e redondezas.
Ontem ouvi na Antena 1 (num daqueles programas em que participam “ou ouvintes” dizendo de sua justiça) o convidado especial que comentava o caso da Quinta da Fonte e os comentários ao caso da Quinta da Fonte (acho que não cheguei a ouvir o nome do senhor) dizer (no bocadinho que eu escutei) que a responsabilidade era da câmara que deixava aquelas pessoas viverem em condições tão precárias, e da polícia que não assegurava a segurança; enfim, a culpa era de toda a gente menos dos próprios que pegaram em armas e decidiram emular o farwest oitocentista. É que os mauzões da câmara e da polícia, com as suas acções, foi mesmo como se tivessem colocado as espingardas nas relutantes mãozinhas das etnias em confronto.
Também teria sido divertidas – se as imagens não colocassem muito agri-doce na diversão – as ausências de referência às raças/etnias em confronto por parte dos jornalistas da SIC, como se nada tivesse a ver para o caso.
Já sem piada nenhuma é a incapacidade (culpa da polícia, certamente) das empresas cobrarem os consumos aos habitantes da Quinta da Fonte. Se calhar são estas dívidas que a EDP quer que eu pague.


O conceito de segurança evoluiu. Sábios modernos conseguiram mostrar que o verdadeiro problema relativo à segurança não era a criminalidade comum, assaltos, vandalismo, homicídio, nem sequer a corrupção. Não, já Marx tinha percebido que não havia nada pior que a exploração do homem pelo homem e os sábios modernos levaram isso ao requinte de afirmar que era necessário o homem deixar de se explorar a si mesmo. Portanto, hoje em dia a segurança é tudo o que tem a ver com a prevenção do mal que podemos fazer a nós mesmos. Combater o crime é desnecessário, a sociedade só será justa quando o homem estiver em harmonia consigo mesmo.
Necessitamos de uma ASAE que entre pelas portas de casa e que assegure que comemos pelo menos sopa uma vez por dia, que não abusamos dos fritos, que dormimos entre 6 a 8 horas, que esfregamos bem os dentes, que tomamos banho rotineiramente e lavamos aquele sítio atrás das orelhas, e que temos hábitos mentais salutares, que critiquemos os fumadores, que andemos angustiados por causa do aquecimento global, que sejamos ateístas mesmo que católicos praticantes, que achemos que as prioridades para o país são tornar o aborto livre e satisfazer todas as pretensões de homossexuais e outras categorias humanas ilusórias, que somos a favor da paz no mundo e contra a guerra feita pelos ocidentais, ao mesmo tempo que temos de respeitar as atitudes bélicas, xenófobas e imperialistas de outras culturas para não incorrermos em xenofobia, belicismo e imperialismo.
Só depois disto e muito mais realizado é que episódios como o da Quinta da Fonte irão desaparecer espontaneamente.
Muito bom comentário, Mário. Vou postá-lo, que merece!