“Que paralelo pode existir entre os horrores do gulag estalinista e as nossas portarias regulamentares? Não há nenhuma semelhança possível! Mas os que o dizem não notam que foi precisamente essa complacência que conduziu ao gulag. Naquele tempo também todos se julgavam seguros. Depois da revolução já não havia czares nem reis, portanto, a liberdade não corria perigos. Hoje não se vislumbram campos de concentração ou partidos soviéticos; podemos aceitar todas as restrições e limitações bem-intencionadas. O inimigo, que nunca ataca pelo mesmo lado, agora entra por aí.Temos conforto e queremos mais conforto, e estamos dispostos a sacrificar a liberdade para o obter. Hoje Portugal sente-se em crise, não porque tenha sofrido uma derrota, mas porque as vitórias não acontecem com a rapidez exigida. Só perante um desastre veremos o real valor da liberdade. Porque só no sofrimento se aprende esta verdade simples.”

