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Arquivo de Janeiro, 2010

Deixei passar a espuma dos dias para poder analisar tanto a proposta do governo como também as diversas opiniões que vão sendo publicadas.

Este Orçamento do Estado não é uma oportunidade perdida, porque só podemos perder aquilo que temos. E a verdade é que nunca tivemos um OE que fosse minimamente decente, legível e compreensível, com políticas (porque um OE é um exercício político) que procurasse atacar de frente os problemas estruturais deste pedaço de terra à beira-mar plantado. Houve alguns menos mal amanhados, e nada mais.

Disto isto, das poucas coisas dignas de registo por estes tempos foi o ataque virulento de Teixeira dos Santos (e alguns sequazes) às agências de rating. Faz lembrar a antiguidade, quando os reis de então mandavam matar os mensageiros que lhes traziam notícias menos agradáveis. Mas as reacções deixo para outros.

De somenos importância para quem nos governa é vivermos num país de dez milhões em que cada um deve ficar a dever no final do ano 14.300,00 € ao exterior (cfr. aqui) (implicando que aqui o agregado familiar de cinco fica devedor da módica quantia de 71.500,00 €, o que não deixa de ser um sonoro ”porreiro pá!” para os filhos que vão sofrer na pele ainda mais que os seus pais este desvario) e onde em cada hora que passa sairão 628.000,00 € para pagar juros dessa mesma dívida (cfr. aqui).

Se não houvesse senhoras a escrever neste blogue, mandava-os levar numa parte. Havendo, fico-me por aqui, desejando muitas felicidades aos socialistas portugueses.

 

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Saúda-se o novo blogue do Tiago Moreira Ramalho, o Plomb du Cantal.

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As Euribor a 3 e 6 meses continuam hoje a cair. O ‘fixing’ diário da Federação Europeia de Bancos apontam para uma quebra de 0,001 pontos, fixando-se a euribor a três meses (aquela que é mais usada nos contratos de crédito à habitação) nos 0,669 por cento e a Euribor a seis meses nos 0,965 por cento.

Tudo está bem quando acaba bem: o orçamento vai ser aprovado com os votos favoráveis do PS e as abstenções do PSD e do CDS. A assombração da crise política iminente, alimentada pelo governo praticamente desde as eleições, acabou – pelo menos por agora. O acordo tripartido salva o orçamento do Estado e corresponde aos apelos generalizados, a começar pelo Presidente da República.

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O que se passa na justiça desportiva e envolventes deste país é deplorável.

Quem devia pugnar pelo respeito das leis deste país é o primeiro que tem pessoal ao seu serviço que, de maneira cobarde e impune, coloca na internet escutas que, por lei, são sempre – e é mesmo sempre, mesmo quando processos já não estão em segredo de justiça (que alás vale o que vale) – de domínio restrito. Sempre.

A comissão disciplinar da Liga, por sua vez, continua sem mandar fumo branco no processo que envolve Hulk e Sapunaru. Um mês já de suspensão preventiva, e nada. Isto admite-se? Isto é justiça? Eu se fosse ao FC Porto passava a factura dos ordenados destes dois jogadores ao Dr. Ricardo Costa. Podia ser que desse corda aos sapatos.

Lady Astor terá dito a  Churchill, «If you were my husband, I’d poison your tea» e ele terá respondido «Madam, if you were my wife, I’d drink it». Ora, exactamente.

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O Era uma vez na América, devidamente destacado pela Carmex aqui em baixo, já está listado nas Farmácias de Serviço, ali do lado direito.

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Continuando na temática dos States, Era uma Vez na América é o nome do novo blogue do Nuno Gouveia e do José Gomes André. De visita diária obrigatória.

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Vou agora para a quarta temporada do West Wing (série que a população adulta lá de casa simplesmente venera). Vi hoje aquele momento ímpar em que o Toby e o Josh, depois de perderem a motorcade presidencial no meio do Indiana, percebem que não vão conseguir apanhar o avião presidencial porque um distrito não muda a hora no Verão (com o meu filho a olhar para mim, espantado, pela intensidade do meu riso). Não sei se irei ver a sétima temporada (a pior, que acompanha um candidato democrata hispânico, inspirado em Obama, num raro caso de realidade a imitar a ficção). E já sei que a partir da quinta temporada, com a saída do criador da série e argumentista das quatro primeiras, Aaron Sorkin, o tédio começa a instalar-se. Mas as primeiras quatro temporadas são televisão vintage. Os argumentistas ainda percebem que estão a fazer televisão e não (tentando a) política; e o argumento, a par da intriga política, de meia dúzia de histórias sobre a vida pessoal dos protagonistas, de atentados e ameaças ao presidente, de traições várias, de histórias (na maioria) bem contadas, ainda nos oferece momentos hilariantes em que uma ou duas sonoras gargalhadas se impõem. Até se perdoa a propaganda esquerdista de que a série não se separa. A partir da quinta temporada a luz é mais escura, os argumentistas levam-se mais a sério, as lamechices acentuam-se, o humor vai-se perdendo.

Mais West Wing: … se ao menos o Obama tivesse o humor de Bartlet!!; Super-Sócrates.

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Está iniciada a saga das presidenciais. Mais do que discorrer sobre candidatos, sobre o tema só se me oferece constatar que a relação entre a Presidência da República e o Governo é por hábito, neste país, acrimoniosa.

Ramalho Eanes tenta afrouxar o establishment de então, protagonizado por Mário Soares, com a fundação do PRD; por sua vez, Mário Soares era “a” força de bloqueio de Cavaco Silva (deixem-me trabalhar, deixem-me trabalhar); Santana Lopes é arredado por uma intuição de Jorge Sampaio; e last but not least cai como um castelo de cartas a cooperação estratégica entre os actuais detentores dos cargos.

José Sócrates passeia uma arrogância incomodativa, e Cavaco Silva não tem apetência para se pôr ao jeito de Américo Tomás – não se lhe conhece inclinação para caçar sentado, nem para plantar a primeira relva num estádio de futebol.

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«If you think women still reap more economic benefit than men do from marriage, you may be living in the past.

Today, men are better off economically because their wives are, too, suggests a new study on the economics of marriage by the Pew Research Center.»

USA Today

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A verdade é que a República, laica, e às vezes socialista, continua a distribuir Ordens de Cristo em barda sem que o Patriarcado receba um tostão em licensing.

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Com o árbitro, ao que parece, no onze inicial:

Não ouvi o que disse o Olberdam na expulsão, mas ouvi o que se passou na expulsão do Robson. O árbitro não sabia quem colocou a mão na bola, ou se tinha havido mão, mas o Cardozo foi ao ouvido dele dizer que o Robson tinha dado mão.

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Sócrates anda a brincar?

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Requerimento blogosférico

Pegando no post já aqui em baixo do Imodium, onde é referido como um dos males de que padece o país o (des)ordenamento do território – uma das causas das cheias e inundações a que temos assistido nestas últimas semanas, e assumindo que o dinheiro dos nossos impostos terá também de servir para resolver estes problemas, peço encarecidamente à Câmara Municipal de Cascais que arranje uma verba para encanar definitivamente o ribeiro que atravessa a primeira rotunda da Abóboda, freguesia de São Domingos de Rana. Vem chuva mais forte e lá engrossa e transborda, provocando constantes cortes da E.N. 249-4 no sentido Norte-Sul, o que não é nada agradável.

(Há que publicitar as causas que não se julgam perdidas. Outra situação que precisa de toda a nossa ajuda: Haiti.)

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A culpa é sua?

O Banco de Portugal publicou recentemente o seu boletim de inverno, que mais uma vez mereceu todo o tipo de análises menos aquela que interessa. Da esquerda à direita, as preocupações variaram da estagnação das importações ao aumento do desemprego, passando pela discussão filosófica se 0,7% de crescimento é bom por ser mais do que zero ou se é mau porque gostávamos que fosse mais.

Independentemente de se ter a visão meio cheia ou meio vazia do copo, surpreende-me que ninguém tenha a coragem de resumir o problema a quem não é economista ou político. E se tivéssemos que resumir o problema numa expressão, ela seria “estamos falidos!”.

Estamos falidos porquê? Porque a receita para crescer não pode ser posta em prática. Trocando isto por miúdos, o que nos dizem é basicamente que estamos a vender cada menos ao exterior em comparação com o que compramos, que cada vez nos endividamos mais, que cada vez este endividamento nos vai custar mais porque vai ser mais caro, e que no próximo ano menos pessoas (em proporção) vão estar a trabalhar. Logo, não só vão ser pagos menos impostos como vamos gastar mais em prestações sociais para que essas pessoas mantenham a dignidade que merecem. Por outro lado, dizem-nos também que se quisermos tornar o país mais rico temos que comprar mais, uma vez que o crescimento será conseguido essencialmente à custa do consumo e, logo, comprando mais. Com menos dinheiro que vamos ter, vamos ter que comprar mais carros, casas, televisões e telemóveis, que serão mais caros porque a inflação vai subir e os juros também. Como, se já temos a corda na garganta por causa do crédito excessivo que contraímos quando nos enganámos e pensámos que não íamos ter que pagar a factura? Ninguém sabe bem, mas isso agora também não interessa nada, como diria uma apresentadora de concursos pirosos.

O problema é que interessa, e muito! O país tem problemas estruturais gravíssimos, que vão desde a economia à política, passando pela educação, pela subsidio-dependência dos nossos empresários, pela nossa noção generalizada que pagar impostos é só para os totós ou para aqueles que não consigam enganar o fisco, para a justiça ou a ordenação do território (basta ver as causas de algumas cheias). Contudo, tal como o doente que não aceita a doença que tem, prefere aquele médico que lhe diz que está tudo bem enquanto o vai enchendo de medicamentos àquele que lhe diz frontalmente quais os sacrifícios que tem que fazer para se curar. Tal como o fumador, que por mais que saiba que o tabaco o vai acabar por matar, não consegue parar de fumar ao mesmo tempo que mantém a esperança de morrer só depois dos 90, enquanto escolhe ir fazer exames àquele médico amigo que compreende a dificuldade que sente e que portanto trata o assunto com subtileza.

Mas a culpa é nossa, de todos nós que não sabemos separar o trigo do joio e que deixamos que o objectivo da política seja apenas o voto, levando a que as estratégias do país continuem a ser desenhadas com horizontes temporais de 4 anos, menos de um quinto do plano de negócios de um simples aeroporto.

E se pensarmos bem custa pouco. Algumas horas a cada 4 anos são suficientes para que cerca de um terço de nós, principalmente os que têm alguma coisa a ganhar do meio desta desgraça toda, decidam a vida de todos os outros.

Se não está disposto a fazer este esforço, depois não chore sobre o leite derramado. Afinal, a culpa é sua!

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Credibilidade

José Medeiros Ferreira respiga, no seu novel canto, uma ideia adiantada no Prós e Contras de ontem:

(…) propor que se aproveitasse o centenário da República para lançar um empréstimo interno, possívelmente sob a forma de Obrigações do Tesouro, para fazer face aos problemas financeiros do Estado.

A ideia terá os seus méritos, mas os contínuos anos de governação deste PS deixaram a credibilidade da República de rastos, impedindo qualquer cidadão consciente de emprestar dinheiro (o pouco que lhe resta, depois do aumento da carga tributária que impende sobre ele) para projectos que só significam desbaratar. De onde viria o cash-flow para garantir o retorno do capital, acrescido de juros, a que teria direito o incauto?

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… mas falar de aquecimento global parece-me manifestamente exagerado.

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Nada surpreendente

«Correr de ténis é pior que andar de saltos altos», no i. (E não estão contabilizados os benefícios que a vaidade traz à auto-estima feminina.)

Ainda que eu duvide, ao contrário do que conta a notícia, que correr faça bem à saúde. Eu, que sempre fui mais dada a desportos radicais como virar as folhas de um livro enquanto confortavelmente recostada num sofá, tenho muito más memórias dos meus dias de corridas nas aulas de educação física; geralmente punham-nos a correr à volta do recreio todo durante x voltas e eu e mais umas meninas ajuízadas ficávamos durante metade das voltas sentada no extremo oposto do recreio ao donde nos esperava o professor conversando sobre coisas interessantes para adolescentes, e sempre que fora da vista do professor andávamos em vez de corrermos - e estas vigarices sempre me pareceram madidas do mais elementar bom senso. Por outro lado, tenho caso cá em casa o exemplo do dearest husband, que nos últimos anos nas escassas vezes que vai jogar futebol com os amigos consegue sempre lesionar-se de forma a ser necessário, para o endireitar, meses de fisioterapia ou mesmo uma – e estamos por agora a ver de disponibilidade para a segunda – operação.

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Prioridades

Enquanto há tempo para a Assembleia da República se dedicar ao casamento gay, o Mário Nogueira conseguir fazer valer a sua inacreditável chantagem de há uma semana e até o CD da Liga de Clubes se dignar finalmente a ouvir Hulk e Sapunaru, continuamos nas trevas no que concerne ao OE de 2010, que definirá a política económica e financeira do país.

Enfim, prioridades.

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Leitura recomendada

“Take another plane”, Miguel Botelho Moniz n’O Insurgente

“As coisas são como são”, João Távora no Corta-fitas

“Ora, o casamento gay”, Maria João Marques n’O Cachimbo de Magritte 

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Será?

Claro que é de desconfiar tudo o que sai para os jornais sobre a CIA, mas a ser esta história do agente triplo que matou os operacionais da CIA no Afeganistão vagamente coincidente com o que apareceu nos jornais, que grande (e custosa) incompetência. Ter esperanças em agentes duplos que dão em nada é o pão nosso de cada dia no negócio da espionagem (pelo menos dizem os livros, de ficção ou não); no entanto até eu, que sou distraída, me lembraria de revistar um agente da al-Qaeda que se quer reformar.

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As vacinas

Num tempo em que se discute a bondade e a necessidade da vacina da gripe A, aqui vai uma discussão made in USA sobre vacinas.

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A participação da tenista israelita Shahar Peer no Torneio de Auckland voltou a ficar marcada por protestos. Desta vez, o local teve de ser evacuado devido a uma ameaça de bomba.

Peer já tinha enfrentado situação idêntica na prova neo-zelandesa no ano passado, por parte de activistas que contestam a actuação de Israel na Palestina.

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As legislativas tiveram lugar em 27 de Setembro do ano passado. Hoje é dia 4 (e portanto decorreram 99 dias) e o país ainda não vê sombra do Orçamento do Estado para 2010. Noventa e nove dias e nada. Népias. Nicles. Zero.

De muitos zeros, agora à direita, consta este artigo, onde se lê que «Tribunal de Contas acusa Estado de camuflar despesa de 214,4 milhões de euros». Para memória futura.

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Nestas coisas não somos sectários nem preconceituosos, e portanto damos as felicitações ao José Medeiros Ferreira e à Joana Amaral Dias pelo seu novo espaço, Córtex Frontal. Estreou a 1 de Janeiro, foi ao que parece o primeiro “blogbé de 2010″.

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Coisas de ano novo

Vão ao Google (em inglês) e cliquem no botão I’m Feeling Lucky com a search box em branco. Não sei quanto tempo durará.

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