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Arquivo de Junho, 2010

Se observarmos o Mundial como leigos no assunto (o meu caso) conseguimos perceber melhor as diferenças nas reacções dos diversos países (do cidadão comum às elites políticas).

Assim, a diferença mais nítida talvez tenha sido entre a fleuma inglesa e a guilhotina francesa. Apesar da decepção, os ingleses encaixaram de forma desportiva a eliminação. Já os franceses valorizaram a desorientação da equipa, a rebeldia da equipa em relação ao treinador, e sobretudo porquê? Por causa da imagem. Ainda os jogadores estavam em campo, e já a ministra não sei de quê e o próprio Sarkosy lançavam nas televisões frases assassinas. E isto não se ficou por aqui. Parece que agora é a caça às bruxas e a guilhotina. A Revolução Francesa ainda mantém o seu espírito vivo. Ups!

No nosso caso, houve uma projecção na Selecção, e este fenómeno repete-se invariavelmente da mesma forma: da euforia à tristeza vai apenas um segundo. Uf! É um desgaste de energias. A Selecção tinha de pedalar por todos nós. Ora, isto não funciona assim. Verdade seja dita, deu para ver um magnífico guarda-redes. Incrível mesmo. Se não fosse o rapaz tínhamos vindo com uns 3 – 0 ou pior!

Mas vamos tentar encontrar uma solução para este círculo vicioso desgastante. E já não me refiro aqui apenas ao futebol, foi também assim nos últimos Jogos Olímpicos. Se não fosse um triplo salto e uma corrida, era uma choradeira. Reparem no seguinte: o nosso país não investe em desporto, e aqui investir não se traduz apenas em dinheiro, há muitas formas de investir. A Educação, por exemplo, desvaloriza o desporto (assim como a música, outra área fundamental). O próprio Carlos Lopes, o nosso maratonista, viu terminado pelos socialistas um modesto subsídio que lhe permitia deslocar-se às escolas por esse país fora. E Carlos Lopes é um modelo de desportista exemplar, que se saiba não se lhe conhecem fretes publicitários ao governo. Este é um país que não acarinha nem valoriza o trabalho dos seus desportistas mas depois, na hora da verdade, projecta-se nos seus resultados. Estão a ver o paradoxo? E se os cidadãos começassem a defender o desporto nas escolas (e a música, já agora), que são muito mais úteis e formativos do que a Educação Sexual obrigatória, por exemplo?

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… nos possamos concentrar no desvario que se aproxima. Digo eu, pessimista empedernido.

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Période Creuse

Afinal as SCUTs são mais um mês à borla. Para quem dizia que o dia 1 de Julho era mesmo a valer, isto tudo é um monumento, um hino à mais plena incompetência e trafulhice.

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Ora aqui está um tema difícil de abordar. Por duas razões: uma, porque define o nível do absurdo a que chegámos como país; outra, porque exige uma abordagem séria e sistemática da Educação, da Escola pública e do papel dos pais e do Estado.

Hoje inicio o tema com os links que segui e que me deixaram verdadeiramente aterrada. É que vislumbrei, talvez pela primeira vez, o que ocupa aquelas cabeças socialistas, uma verdadeira obsessão sexual. Para estas cabeças a sexualidade é vivida de forma mecânica, quase por impulso, desligada de outras aprendizagens comportamentais.

Uma educação abrangente ajuda a criança a lidar com o mundo que a rodeia, com os outros, os seus pares e os adultos. Responde à sua curiosidade em relação ao mundo e aos outros, sem impor uma visão mecanicista e artificial de uma de várias dimensões da sua vida.  Mas aqui o sexo é sobrevalorizado e colocado no centro das relações humanas. Em vez de adultos responsáveis e autónomos, capazes de tomar as melhores decisões para a sua vida, promovem-se sex addicted, na melhor das hipóteses, ou dependentes do prazer imediato em que os outros são vistos como objecto do desejo, ou de eternos sedutores e manipuladores nas relações interpessoais.

Acham que estou a exagerar? Provavelmente leram ensaios ou artigos de psicólogos e sociólogos modernaços, rendidos à importação acrítica de modelos educacionais em pacote (agora usam-se muito “pacotes” disto e daquilo), e talvez mesmo os kits tenham sido importados ou adaptados de um qualquer “pacote”. Não se fiem nestes estudos empacotados, importados ou encomendados. Nem todos os psicólogos e sociólogos seguem as agendinhas modernaças do momento.

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Eu gosto muito dos grafismos da Fifa. Comovem-me.

Em vez do brinde saiu-nos a fava.

(Também me comovo com os livros do Erich Maria Remarque, mas isso agora não vem ao caso.)

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“Os homens enfrentam as mesmas dificuldades que as mulheres tinham nos anos 70: como ser um bom pai e um bom profissional?”

(Uma nota ao lado do ponto do post: ainda bem que as dificuldades das mulheres com a conciliação de trabalho e criançada são águas passadas, coisas datadas da década de 70; ainda bem que agora é tudo muito fácil, começando pelo tempo inesgotável de que dispomos para dedicarmos à carreira, aos filhos, ao casamento e, last but not the least, a nós próprias; só é pena que as minha amigas e eu, em decidido estilo retro, continuemos decididas a viver estas dificuldades de yummy mummies).

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Ainda alguém, um dia, terá de me explicar muito bem explicadinho porque razão são (quase) sempre as famílias (mais) numerosas que levam com a pancada maior, quando chega a altura de distribuir o mal pelas aldeias. Dessas famílias depende não só a sobrevivência do estado social como também a existência de Portugal como país. Mas os obtusos não percebem isso. E a culpa não é deles. São obtusos, coitadinhos.

Pobres de espírito.

Paz às suas alminhas.

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Enquanto o país se reanima com o Mundial, projectando-se na Selecção, o sistema mantém-se a funcionar e deve estar aí a preparar mais algumas surpresas. Não esquecer que foi durante a visita do Papa a Portugal que o país foi surpreendido pelas tais medidas de salvação nacional do “bloco central”.

Um país assim sufocado e condicionado por impostos visíveis e invisíveis, assumidos e camuflados, e até duplicados e triplicados, absolutamente sem critério mas apenas na lógica da voracidade fiscal de um estado socialista, é um país sem futuro. Por isso gostei tanto deste post do Dias com Árvores, e deste texto de Eça, o Perspicaz, a revelar-nos que a história se repete tristemente. Reparem bem na descrição de Eça, do povo a ser surpreendido pelos colectores de impostos disto e daquilo, sem perceber o que lhe está a acontecer.

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Parece que hoje na África do Sul houve jogo de hóquei.

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José Saramago

1922-2010

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A comissão parlamentar amaralesca vai aprovar um relatório. O mais relevante dele, porém, não é não ter ficado provado que alguém mentiu. É não ter ficado provado que alguém não mentiu. Porque aparentemente é essa, sob a forma de dúvida, a única conclusão que fica. Inconclusiva, portanto.

João Gonçalves

Neste país já ninguém sabe se morre da doença ou da cura.

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Sugestão

Pelo que se lê e ouve o chamado processo de Bolonha está a dar fortes dores de cabeça à Ordem dos Advogados. 90% de chumbos no exame de acesso à Ordem fez estalar vernizes já de si muito pouco consistentes.

Sugiro que para a próxima façam perguntas mais acessíveis, assim do tipo quais as zonas mais erógenas do corpo humano. A resposta é fácil. Parece que agora tudo tem de ser fácil.

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Ui! O país não está a gostar mesmo nada de se ver ao espelho. Querem ver?

Esta é uma análise certeira, irónica e abrangente do Mundial, da Selecção, do Treinador, do jogo em campo e do país: Queiroz e os outros (nós). O termo “fidedignidade” está muito bem apanhado: fidedigno, igualzinho, sem tirar nem pôr.

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Much Ado About Nothing

Um país suspenso nas pernas de 11 jogadores e no zoar da vuvuzela. E eu gosto de futebol, diga-se.

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Reparei que o Portugal dos Pequeninos lembra o nascimento de Pessoa. E reparei no excerto escolhido pelo autor do blogue, escolha nada inocente. A voz de Pessoa também é implacável, como é a lucidez já depois do ponto crítico de todos os equívocos. De Pessoa ainda tanto por descobrir… é incrível como tinha uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa, o seu tempo, os seus contemporâneos, os filósofos, a economia, a política. Hoje, escolho este texto d’ O Livro do Desassossego, porque desassossegados são os nossos tempos actuais:

Quando nasceu a geração a que pertenço encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro, e ao mesmo tempo coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo, para o qual nascemos, não tivesse segurança que nos dar na ordem religiosa, esteio que nos dar na ordem moral, tranquilidade que nos dar na ordem política. Nascemos já em plena angústia metafísica, em plena angústia moral, em pleno desassossego político. Ébrias das fórmulas externas, dos meros processos da razão e da ciência, as gerações, que nos precederam, aluíram todos os fundamentos da fé cristã, porque a sua crítica bíblica, subindo de crítica dos textos a crítica mitológica, reduziu os evangelhos e a anterior hierografia dos judeus a um amontoado incerto de mitos, de legendas e de mera literatura; e a sua crítica científica gradualmente apontou os erros, as ingenuidades selvagens da ‘ciência’ primitiva dos evangelhos; ao mesmo tempo, a liberdade de discussão, que pôs em praça todos os problemas metafísicos, arrastou com eles os problemas religiosos onde fossem da metafísica. Ébrias de uma coisa incerta, a que chamaram ‘positividade’, essas gerações criticaram toda a moral, esquadrinharam todas as regras de viver, e, de tal choque de doutrinas, só ficou a certeza de nenhuma, e a dor de não haver essa certeza. Uma sociedade assim indisciplinada nos seus fundamentos culturais não podia, evidentemente, ser senão vítima, na política, dessa indisciplina; e assim foi que acordámos para um mundo ávido de novidades sociais, e com alegria ia à conquista de uma liberdade que não sabia o que era, de um progresso que nunca definira.

Mas o criticismo frustre dos nossos pais, se nos legou a impossibilidade de ser cristão, não nos legou o contentamento com que a tivéssemos; se nos legou a descrença nas fórmulas morais estabelecidas, não nos legou a indiferença à moral e às regras de viver humanamente; se deixou incerto o problema político, não deixou indiferente o nosso espírito a como esse problema se resolvesse. Nossos pais destruíram contentemente, porque viviam numa época que tinha ainda reflexos da solidez do passado. Era aquilo mesmo que eles destruíam que dava força à sociedade para que pudessem destruir sem sentir o edifício rachar-se. Nós herdámos a destruição e os seus resultados.

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiper-excitação.

A lucidez de Pessoa até arrepia, não acham?

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Medições

O leitor fará o favor de olhar para esta imagem:

Se o leitor for optimista, parece-lhe que a altura “b” é um infinitésimo maior que “a”. O copo está meio cheio.

Se por ventura for um pessimista, parece-lhe que “a” é um infinitésimo maior que “b”. Dirá então que o copo está meio vazio.

Para o efeito não interessa que “a” é rigorosamente igual a “b”. É uma questão de feeling.

Agora afirmar que o copo está cheio ou vazio não é super-optimismo nem super-pessimismo, nem tão pouco uma questão de feeling. É uma mentira.

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Este (mais que merecido) prémio para Amin Maalouf, em conjugação astral com as recentes abordagens israelitas a navios cheios de ‘pacifistas’ e subsequente produção de disparates dos lados do costume sobre a legitimidade israelita de se defender e de prevenir ataques aos seus e ao seu solo e, sobretudo, da legitimidade de Israel existir numa terra que, dizem, sempre – se for necessário até se socorrem de relatos bíblicos, essa coisa malfazeja que noutras situações só corrompe as mentes puras) foi dos muçulmanos (com uma incorrecçãozita histórica ou outra, for the sake of the argument, mas who cares?), convoca o Origens, de Amin Maalouf. Assim num ápice, Origens conta a história dô avô Maalouf de Amin, nascido no que é agora o Líbano, seguido da procura de primos Maaloufs em Cuba. Ora, muito curiosamente, e devendo iluminar este direito inalienável dos palestinianos à terra onde se situa Israel, o avô Maalouf tanto se designava como turco otomano, como sírio, como libanês (se residisse um poucochinho mais abaixo, talvez se tivesse também identificado como britânico). Mais: segundo Amin Maalouf, a pátria, para aquelas bandas, não se identificava com o local de nascimento, nem com a religião; não, a pátria identificava-se com o nome de família, com o clã, e extravasava as barreiras de fronteiras, línguas ou religião.

Algum leitor pouco endoutrinado pela esquerda europeia e por anti-semitas do mundo todo até formaria uma opinião herética, lendo Origens: a de que, no Médio Oriente, os contornos territoriais, e os sentimentos de nacionalidade, e as lealdades patrióticas são difusas, pela própria geometria variável dos países; enfim, que a Palestina, tal como os seus vizinhos, nunca foi um estado-nação (agora ‘ocupado’).

O melhor é ler jornais, que contam (e ocultam) aquilo que é bom para nós e para andarmos devidamente uniformizados, e não ler livros, para não nos atrevermos a pensar sobre a realidade, e formar opiniões próprias (perigo!, perigo!) mais fundamentadas.

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Prémio Príncipe das Astúrias de Letras 2010 para um dos meus escritores favoritos: Amin Maalouf.

(Agora – meaning, quando tiver um tempinho mais livre – vou procurar uma recensão que fiz há vários computadores e ainda mais anos atrás para o Notícias do CUPAV do meu livro preferido de Amin Maalouf: Escalas do Levante; se encontrar apesar da improbabilidade e, passados estes anos, não me embaraçar, coloco-a aqui).

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Já temos o Dracula e o Homem Invisível, só nos faltava mesmo um Dorian Gray.

Só um país que perdeu a noção das suas origens, da sua caminhada, da sua verdadeira natureza, aceita e alimenta estas “novas elites” políticas. Só um país que perdeu a noção da realidade, do essencial, do que realmente importa, aceita o mal menor de várias alternativas. Só um país que perdeu a sua orientação, a sua bússula, o seu norte, sul, este e oeste, aceita este paternalismo medíocre das inevitabilidades de patriotismo plastificado em direcção à sua morte lenta.

O que é mesmo que se festeja hoje?

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Em Janeiro vimo-la em palco a beijar a Meryl Streep. Agora é Scarlett Johansson. Eu só consegui ver Brejnev a beijar Honecke. Toda a cena me pareceu previamente encenada: o ar rendido e expectante de Scarlett Johansson, o ataque de urso das estepes de Sandra Bullock. Tudo pelas audiências.

Podemos também ver o poder afrodisíaco dos prémios na cultura plastificada das audiências? Yes, we can. Podemos também ver um ritual da relação de poder próprio de uma sociedade decadente? Yes, we can.

Mas é esta decadência de circo que alguns conterrâneos nossos querem imitar. E com bastante sucesso, diga-se de passagem.

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De Jimmy Choo.

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«Acreditam ser mais inteligentes, mais cultos e mais “abertos” do que os outros, e por isso devedores de apreço e consideração. Se não praticam a probidade, bem pelo contrário, acham que o seu “desinteresse” de princípio os autoriza a reivindicarem regalias extra. E se lhes sai, por engano, uma Carolina Patrocínio a quem as empregadas tiram os caroços às cerejas, assobiam para o lado: afinal, ela é “de esquerda”, e aos “de esquerda” perdoa-se tudo.
Não surpreende por isso que, nos gabinetes ministeriais, sobrem os meios e se multipliquem os lugares. Não surpreende que, em ano de crise, esses gabinetes consumam mais dinheiro e que o maior aumento percentual nos seus gastos tenha sido nas rubricas de suplementos e prémios e nas despesas de representação. Como da mesma forma não surpreende que José Sócrates tenha embaraçado a nossa representação no Rio de Janeiro ao preferir ir jantar a um restaurante italiano da moda, deixando de fora dezenas de convidados da área da cultura (para “cultura” bastou-lhe a visita a Chico Buarque, mais uma vez pretextos para mentiras desavergonhadas). Como não surpreende que tenha ao serviço do seu gabinete nada menos de 12 motoristas…». JMF.

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Uf!, até que enfim o ténis inteligente regressou aos torneios femininos! Sorry rapazes que twitaram para os comentadores do Eurosport durante esta final Francesca Schiavone – Samantha Stosur, no Roland Garros. O ténis feminino não é uma passagem de modelos com beldades a criar suspenses irritantes entre cada serviço e com gritinhos a toda a hora, no way! O ténis é um jogo que se quer inteligente, com antecipação, com ritmo, com movimento, com idas à rede, com piruetas, com corridas, com espectáculo. Foi isso, aliás, que eu vi na final do US Open Federer – Murray no ano passado.  E foi isso que eu voltei a ver hoje no Eurosport. Não é porque o ténis feminino se esteja a tornar masculino, não. É porque voltou a ser inteligente.

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Nostalgia

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«Mas a crítica ao Presidente, além de injusta e pueril, é também nociva. Andamos a correr muito depressa para o abismo, e Cavaco, apesar dos seus limitados poderes, é uma das poucas vozes com autoridade que se sabem fazer ouvir no meio da barafunda em que vivemos, uma voz que é muito precisa. Arranjar uma querela que o prejudique é pura e simplesmente suicida. Ou seria, se chegasse a ter consequências. Não vai ter, é claro.»

Paulo Tunhas, no i.

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Não vejo outra razão para tanta causa excêntrica e tanta militância pueril. Além de espatifar com as regras tradicionais de uma sociedade já de si a deslaçar-se (magnífica definição de Pacheco Pereira).

Estas causas soam a importação dos States: uma sociedade totalmente regulada por leis e mediada por advogados. Surgem, assim, como uma necessidade ou desejo oculto (quem sabe até dos próprios) de ver as suas opções de vida justificadas socialmente. Parecem-me ainda revelar a necessidade de ver a sua vida e a forma de a organizar contemplada numa qualquer lei, regulada por essa lei. No fundo, parece revelar uma necessidade ou desejo oculto (talvez até dos próprios) de se ser classificado, regulado, controlado. No fundo no fundo, o medo de ser livre.

Mas há também aqui um desejo de exposição social como se um cidadão comum se perdesse na multidão, sem identidade nem direito à existência. Como se a visibilidade lhes confirmasse a sua existência. Sou visto, sou ouvido, logo existo. Tudo também parece indicar uma confusão entre o público, do domínio do social, grupal, comum, e o privado, individual, da sua inteira responsabilidade, um consigo próprio.

Já todos percebemos que se se tratasse de ver contemplados direitos equivalentes, não teria surgido a exigência de fazer equivaler a sua união a um casamento. Agora, the sky is the limit… Só que o céu aqui são as exigências de uma cultura pueril que não é realmente para levar a sério. Adultos responsáveis não se colocam em primeiro lugar em tudo: quero uma família igual à da mamã e do papá, com filhos iguais a mim e aos manos, e tudo igual, igualzinho. Quero escolher a minha identidade de género, A, B, C, ou ainda os géneros que se vierem a descobrir… Quero essa identidade esparramada numa lei, um menu de identidades e de possibilidades familiares e afins. Quero que todos saibam, todos, que temos os mesmos direitos, somos todos iguais, mas nós estamos, claro, em primeiro lugar, somos mesmo in, somos o futuro, somos muito à frente…

Nunca uma sociedade foi tão carente de adultos responsáveis e com bom senso, sem necessidade de protagonismo ou de visibilidade. A quem é que esta geração está realmente a entregar as crianças? À Educação da formatação para a mediocridade, à televisão da vulgaridade e da superficialidade, à falta de tempo e de atenção dos pais, uns absorvidos por trabalho, outros sem a noção das exigências do papel de mãe e pai, e agora ainda às futuras causas da excentricidade pueril. Um futuro risonho nos aguarda…

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Em Março deste ano, a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa concluiu que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população.

Em finais de Maio, a OCDE reviu em alta o crescimento económico de Portugal e eis que surge Valter Lemos, uma sumidade naquela miséria a que chamamos Governo, a rapidamente afirmar que “o crescimento do desemprego desapareceu“. O que é que estas duas constatações têm que ver uma com a outra?

Vejamos:

Ontém, o Eurostat chegou à conclusão que o desemprego não só se agravou para 10,8%, como foi aquele que mais aumentou na zona euro. Ora bastou isso para que os nossos governantes perdessem óptimas oportunidades para estarem calados. Valter Lemos disse que o número era “inadequado” e que será apenas uma questão de tempo até que o número seja revisto em baixa, uma vez que os dados de que o Governo dispõe indicam o contrário. José Sócrates, na sua melhor técnica de gestão por wishful thinking, quer que o número baixe no verão, insistindo que a tendência que o crescimento do desemprego “abrandou é já clara”, pelo que tem “muita esperança que, no desemprego registado, Portugal comece agora a observar uma descida”.

Será que os dados que o Governo tem foram calculados da mesma maneira que os valores do défice? Ou terão sido os mesmos que levaram Teixeira dos Santos e Vitor Constâncio à televisão, no início da crise, a mentir a toda a gente dizendo que não havia bancos em risco de falir?

Seria interessante que a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa aprofundasse o estudo e tentasse verificar onde é que os doentes mentais afinal estão. Provavelmente também ficaria surpreendida com a densidade deles alí para os lados do Largo do Rato.

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Amigos eclesiásticos, depois disto, disto, disto e quando já se poderia pensar que o mal já estava todo feito, disto, agora mais isto?

Tomem lá juiizinho está bem? Começa a ser difícil defender-vos

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