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Arquivo de Julho, 2010

Os comunistas do Porto queriam uma rua na cidade com o nome de José Saramago e a maioria de centro-direita na autarquia não aceitou a proposta. Até aqui nada de surpreendente na notícia do Público. Sucede que o jornalista (certamente mui isento) escreve o seguinte sobre a argumentação de Rui Rio (bolds meu):

«”A razão porque [sic] o executivo entendeu não acolher a proposta do PCP, de atribuir o nome de uma rua do Porto a José Saramago, é pois esta, ou seja, a inexistência de uma relação directa com o Porto”, lê-se na carta enviada por Rui Rio ao PEN Clube. O autarca acrescenta ainda que, mesmo que esta razão não existisse, a sua “consciência teria muita dificuldade em votar favoravelmente” o nome de Saramago, recordando os “saneamentos políticos de jornalistas que o ilustre escritor promoveu no “Verão Quente de 75″ enquanto director adjunto do DN”.

“Para quem dá grande valor aos princípios democráticos, é muito difícil ultrapassar atropelos tão graves à democracia, mesmo em nome de um elevadíssimo mérito específico como é o caso do nosso Prémio Nobel da Literatura”, escreveu ainda Rui Rio (o autarca, recorde-se, chegou a expulsar jornalistas de conferências de imprensa e a condicionar a atribuição de subsídios municipais à assinatura de um documento que limitava a liberdade de expressão dos responsáveis pelas instituições a apoiar).»

E eu questiono-me: será que, para este jornalista, sanear uma pessoa por motivos ideológicos – i.e., despedir, sem qualquer indemnização, alguém por motivos ideológicos, fazendo perder a quem é despedido o seu ganha-pão, para mais numa circunstância muito específica em que quem era saneado tinha inúmeras dificuldades em encontrar emprego noutro local e, em consequência, vivia períodos de maior constrangimento económico – se equipara a escolher os jornalistas das conferências de imprensa ou a condicionar a atribuição de subsídios camarários (dinheiro que é propriedade dos contribuintes e não das clientelas subsidiodependentes, ainda que estas suponham ter um direito inalienável ao dinheiro alheio) à aceitação pelas entidades a subsidiar das condições impostas pela CMP?

Enfim, é o jornalismo que temos.

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Dia 27 passaram 40 anos sobre a sua morte. Faz parte da História do país. Mas a personagem não me inspirou a um texto sequer. Não sou historiadora nem tenho essa capacidade de isenção. Posso até aceitar que a personagem foi importante, que desempenhou um papel fundamental. Mas daí a sentir que me marcou de alguma forma, só se for para melhor detectar a linguagem do poder.

Tivesse eu vivido no tempo da 1ª República e acredito que teria valorizado a entrada em cena da personagem. Ou tivesse eu vivido o receio de um envolvimento na 2ª Guerra Mundial, e talvez sentisse uma certa simpatia pela personagem. Mas eu surgi no final da década de 50, e vi na televisão um ou dois discursos da personagem, num tom insuportavelmente paternalista, até para uma criança… Sim, aprendi desde cedo a detectar a linguagem do poder e a evitar a todo o custo submeter-me à sua influência.

Quando a personagem saiu de cena e entrou Marcello Caetano, que lufada de ar fresco! Mesmo com o seu ar professoral, gostava das suas Conversas em Família. A sério! Já teria os meus 11, 12 anos, e ouvia-o muito atenta. A única coisa que me custava a aceitar era a Guerra Colonial, os soldados a desejar um Feliz Natal à família… quantos voltariam? Isso para uma pré-adolescente era difícil de entender. Mas de resto o clima geral já era o de uma certa abertura e esperança, mesmo que digam o contrário.

A meu ver, o Estado Novo, propriamente dito, desapareceu com a personagem principal. E a primavera marcelista iniciou uma época de transição cultural. Para o bem e para o mal. Mas claro, esta é a minha perspectiva pessoal, condicionada irremediavelmente pela minha circunstância histórica.

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TAP

Quando o Gen. Humberto Delgado jogava pelo clube da casa, e na sua qualidade de director do Secretariado da Aviação Civil, decidiu num dia solarengo (estas coisas não acontecem em dias de chuva ou tempo encoberto, quebra logo o espírito da coisa) criar os Transportes Aéreos Portugueses. Reza a história que o tal dia de sol foi o 14 de Março de 1945 (no resto da Europa e no Pacífico estava uma neblina persistente).

Nasceu torta. Foi preciso mais de um ano para operar a primeira linha comercial, Lisboa-Madrid, em 19 de Setembro de 1946, e como tudo o que nasce torto, diz o povo, jamais se endireita, no caso da TAP a coisa ainda pareceu que se reabilitaria. Afinal tornou-se mais que uma empresa ou corporação, foi uma bandeira, que nos idos representava o esplendor (perdido) da nação. O paradigma eram as hospedeiras: eram todas novinhas e bonitas (e eventualmente prendadas e coquetes). Hoje são todas apenas bonitas (todas as mulheres são bonitas).

Mas teria inevitavelmente a TAP de cair, porque nasceu torta, e agora vem o Governo admitir que “a TAP não resistirá a uma nova crise“. Desdenhando o fatalismo, mais um sinal inequívoco que perdemos definitivamente a inocência. Em tão pouco tempo, afinal. Ontem era uma bandeira; hoje é uma relíquia.

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Ela e Eu

A minha vida, pelo menos até hoje, o amanhã a Deus pertence, não teve nada de especial, foi normalíssima e igual a muitas outras (isto, claro está, exceptuando os três filhos que são toda a minha vida, e que são diferentes e únicos, e  os mais bonitos do mundo porque são os meus, e que me tornam exclusivo). Cresci, eduquei-me, casei-me, criei e separei-me. Alguns destes continuam activos, a criação nunca pára, sejam os filhos ou a empresa, e a educação, essa, é para a vida, mas outros são memórias.  E amei e odiei, lutei e resignei, tomei e larguei. Tal como eu, quase todos, exceptuando aqueles que são abençoados ou desgraçados, dependendo do que é e de quem é, do que se trata e da perspectiva que se tem.

Depois temos as constantes, aquelas que sempre nos lembramos de existirem e que continuam sempre ligadas umbilicalmente à nossa existência. Uma dessas minhas constantes é a certeza do Amor de Deus pelos Homens, partilhada por muitos; a Fé, a Esperança e a Caridade que algumas vezes intensamente, outras vezes de forma mais recôndita, me guiam e onde eu me quero deixar levar.  Mas não é dessa constante que venho agora conversar, mas tinha de ser dita por ser a primeiríssima.

A outra é uma mulher que conheci em 79, por intermédio de um primo que cursou em Lisboa e foi tratado como um filho na nossa casa, e era um irmão mais velho que fazendo jus à sua condição me abriu muitos horizontes, mas que ao contrário do mais novo da parábola nunca mais foi encontrado. Feito o aparte, essa mulher que me foi dada a conhecer por esse irmão mais velho – continuando o aparte por mais uma linha, o que mais custa é que hoje, tantos anos passados de afastamento, é que ele é sempre recordado por mim não como primo mas como irmão mais velho, e dói – mas como estava a dizer, essa mulher nunca mais saiu do meu pensamento, e tem sido objecto da minha devoção com uma constância inexcedível. Nunca me desiludiu, me enganou, me entristeceu, me acorrentou ou me perdeu. Fui e sou livre com ela, fui e sou feliz com ela, e nunca estive fisicamente perto dela, nunca pude olhá-la sem um ecrâ entre nós,  nunca a pude ouvir a poucos metros de mim, até anteontem, em Cascais. Foi o dia em que estivemos frente a frente, resguardados no meu anonimato e na sua grandeza, afinal é todo um mundo que nos separa, e é toda uma vida que nos une.

Conheci-a com Mel, com esta música que agora deixo e que jamais saiu de dentro de mim, nem  tão pouco todas as músicas que se seguiram, porque ela é eterna e incomensurável, Maria Bethânia Viana Telles Velloso de seu nome completo, Maria Bethânia da minha vida.

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… e não estou apenas a referir-me aos políticos caseiros, também aos internacionais…

Nas suas composições novelísticas, há heróis (eles) e vilões (os outros), e nesta divisão territorial a preto e branco apenas se consideram os argumentos fabricados. Os acontecimentos mais diversos são sempre lidos nesta grelha: há os aliados e há os inimigos. Não é assim nas telenovelas? E se não fosse assim, haveria público para a informação oficial?

Nas telenovelas dos políticos, as suas iniciativas são sempre exemplares e pelo interesse do seu país e do seu povo (?), é essa a sua motivação vital (??). Este é um princípio básico e só lhes faltam as asinhas para completar o seu ar angelical quando debitam o seu auto-elogio. É claro que qualquer crítica será vista como um ataque pessoal, de um inimigo empedernido, estão a ver? Também é assim nas telenovelas.

Uma vez comentei casualmente que, se fosse a guionista das telenovelas, alteraria a mensagem, a estrutura, as personagens, os diálogos. Torná-las-ia verosímeis, bem, talvez caricaturasse um pouco para tornar mais evidentes os tiques miméticos sociais (não resistiria), ou as dependências várias (também não resistiria), mas ainda assim procuraria ser verosímil. Claro que me responderam de imediato: não terias público… (snif)

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Tendo a concordar com o João Luís Pinto sobre as alterações constitucionais propostas pelo PSD que têm sido ventiladas pela comunicação social.

Quanto ao fim do SNS e do ensino público tendencialmente gratuitos, olho estas propostas com verdadeiro alarme. A mudança que me parece urgente - dar oportunidade aos cidadãos de escolherem o prestador de cuidados de saúde e a instituição de ensino, sendo que o Estado ou fornece o serviço directamente (no SNS e na escola pública) ou paga aos prestadores privados até ao valor que despenderia se fornecesse o serviço directamente (admitindo aqui diferenciação nesta comparticipação estatal dos serviços privados segundo os rendimentos do agregado familiar) – não é incompatível com o articulado actual da Constituição. Pelo que estas propostas para a saúde e educação só poderão ter um objectivo: fazer pagar o SNS e a escola pública segundo o uso que cada um lhes dá, através de taxas, permanecendo os contribuintes pagando estes serviços através dos impostos. É um estratagema semelhante ao utilizado ao das portagens nas SCUTs; os utilizadores começaram a pagar, mas os restantes continuaram a pagar o mesmo. Como eu, dado o curriculum do PSD de Passos Coelho, não vejo grande ânsia em baixar impostos (no caso, que compensem o pagamento das taxas para saúde e educação), só posso concluir que as propostas constitucionais para a saúde e ensino se destinam àquilo que no vernáculo se chama aumentar impostos.

Quanto aos anos de mandato deste e daquele, pozinho a mais ou pozinho a menos nos poderes presidenciais, ninguém seriamente pensa que são estes os constrangimentos que estrangulam o país. E confesso que levam a discussão política para o surrealismo. Manuela Ferreira Leite errou (na mesma medida que o PP acertou) nas últimas eleições em concentrar os seus argumentos na ‘asfixia democrática’ – crítica válida mas que não comove ninguém em ano de crise económica e incerteza sobre o futuro. Que Pedro Passos Coelho venha agora centrar a sua oposição em assuntos que o eleitorado couldn´t care less, é-me incompreensível. (E não vale a pena apontar com as sondagens. Toda a gente previa que chegaria um momento em que os portugueses simplesmente não tolerariam ver José Sócrates nem mais um momento e que seria o PSD, nem que tivesse Castanheira Barros vencido o partido, a colher os lucros. Até porque o PSD não se tem propriamente oposto ao PS.)

Ou se altera a Constituição no que vale a pena ou deixem lá – PSD e os tais ‘donos do regime’ – o folclore de lado. Por mim, a única alteração constitucional que valeria a pena, dado o despesismo endémico do estado português e a forma como os impostos excessivos estrangulam as famílias e as empresas, é a imposição de um limite constitucional à despesa pública de 40% do PIB. Para o peditório de mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma – ou pior – não dou.

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O Amor

El cariño que te tengo

No te lo puedo negar

Se me sale la babita

Yo no lo puedo evitar


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Não é que a Marg ou a Kathryn não sejam sérias, desde já fica feito o reparo, mas no entretanto tenho acompanhado com algum interessa a discussão que envolve o projecto de revisão constitucional do PSD. Sem querer emitir opinião sobre os méritos e desvantagens da proposta, até porque de jurista não tenho pitada e de constitucionalista ainda menos, embora de génio e de louco todos tenhamos um pouco, apraz-me registar o quadrante político onde se situam pelo menos dois dos três constitucionalistas ouvidos pelo Público na notícia linkada. Diz tudo sobre o jornalismo que se faz em Portugal.

Quanto ao assunto dos dois posts anteriores, vamos dar agora espaço a uma não-loura, não se vá dar o caso de alguém pensar que sou algum ariano mal amanhado. Senhoras e senhores, Michaela Conlin, a Angela Montenegro no Bones:

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É pá, já estava a desconsiderar a Kathryn Morris no Cold Case, e isso não pode ser… É melhor parar, se não ainda pensam que este blogue não usa baton (private joke).

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Melhor que o Tim Roth no Lie to Me só a Marg Helgenberger no CSI! E rima assim mais ou menos!

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Certamente induzido pelo excelente texto da Ana ontem à noite (ou madrugada? Ou alvorada?) surgiu, no zapping habitual e cada vez mais mecânico, obra da malfadada filha da mãe da insónia, o Lie to Me. Aí uns três episódios de rajada.

Nem me dei ao afã de tentar encontrar ou perceber os tais sinais e características que a linguagem não verbal revela quando estamos a falar verdade ou mentira. O que vi, registei e me agradou sobremaneira foi aparecer-me no lead role o Tim Roth. O Tim Roth? Exacto, para aqueles que ainda não viram um episódio, é mesmo o Tim Roth. E isso não é alucinação das noites mal dormidas? Não, confirmei agorinha mesmo no IMDB.

Continuando, sempre pensei eu que a probabilidade de ver o Tim Roth a fazer papel de bom numa série da Fox seria a mesma de estar agora a Soraia Chaves aqui agachada a massajar-me os pés (pensavam que estava aqui a moça agachada a fazer o quê, seus depravados?), porque quando penso no Tim Roth só me vem vinha ao pensamento o Oliver Cromwell, Guildenstern e sobretudo o Mr. Orange, no Reservoir Dogs do maluco do Tarantino. Mas depois do que vi, o Tim (gosto sempre de tratar estas celebridades por tu) será o Dr. Cal Lightman, que é como quem diz o homem-luz. Porque está simplesmente fenomenal.

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Baseando-me na série Lie to me, que passa às 4ªas feiras na Fox a partir das 22:00, irei propor um breve exercício de treino da visão da realidade. Esta série incide sobre o estudo da linguagem não verbal, sobretudo das expressões faciais e das micro-expressões (como não são detectadas à vista desarmada, pois trata-se de uma fracção de segundo, os cientistas da série passam muito tempo a observar os registos em vídeo).

O que nos interessa aqui é apenas verificar a importância da linguagem não verbal, as expressões faciais, os gestos. Talvez consigamos mesmo aprender a identificar algumas expressões mais óbvias e alguns gestos mais comuns. E também interessa saber que estas expressões e gestos são universais, comuns a todas as culturas, pertencem pois ao nosso património biológico digamos assim. São involuntárias, não dependem do nosso controle.

Ora bem, baseando-nos então nos conhecimentos básicos que vamos adquirindo na série Lie to me, vamos então ao TPC:

- quando estiver confortavelmente sentado(a) no sofá, em frente da televisão e de comando na mão, e passar por lá uma personagem que queira observar e estudar, isto é, verificar a fiabilidade da sua mensagem, experimente desligar o som e observar apenas as expressões faciais e os gestos. Vai ficar surpreendido(a). Volte a ligar o som: a mensagem verbal condiz com a linguagem não verbal? Pois é, a linguagem não verbal dar-lhe-á informação mais fidedigna do que a mensagem verbal. Volte a ligar o som, ouça um pouco, volte a desligar, observe. Interessante, não é? Em breve conseguirá distinguir os dois planos, verbal e não verbal, e até conseguirá detectar em que parte da mensagem a personagem se desvia claramente da veracidade ou da convicção.

- este exercicio também pode ser utilizado com pessoas com que interage no dia-a-dia. Desde que a sua vítima não se aperceba da sua observação indelicada, de que está a avaliar a fiabilidade da sua mensagem. Sem ser muito indelicado(a), experimente fixar a atenção nas expressões faciais e nos gestos, além da mensagem verbal. A primeira constatação será: o que se diz nem sempre está de acordo com o que se quer dizer (glup!) e que o que se diz pode mesmo contradizer o que se pensa (glup, glup!) Atenuante para estas contradições: a verdade nem sempre é suportável nos relacionamentos mais próximos, a mentira pode ser mesmo uma almofada emocional e mesmo afectiva (snif). Já no plano profissional e de responsabilidade colectiva, a verdade é fundamental. A base de uma vida colectiva saudável. Daí a importância do exercício de treino da visão da realidade.

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Bom fim de semana!

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Hoje no estado da nação (minúsculas, que isto é um pardieiro) Paulo Portas agarrou na caneta Bic (só as Bic é que servem o propósito; as Molin não têm o mesmo alcance), tirou-lhe o tubo e  disparou uma bola de papel, mascada com cuspo.

Serviu a dita para o nosso primeiro (minúsculas, que isto é um atoleiro) no fim da sessão e nos passos perdidos (minúsculas, que isto é um lodaçal) fazer a fita de sempre: depois das perguntas dos jornalistas de serviço sobre a bola de papel, o nosso primeiro dedicou-se a discorrer longos minutos sobre o que lhe apeteceu dizer, não interessando claro está o sentido da pergunta nem tão pouco, claro está mais uma vez, a resposta exigível e no fim do número ala e uma boa tarde.

Ora, o que me faz espécie é o papel a que se prestam estes jornalistas. O nosso primeiro goza com eles desde que ascendeu ao cargo, sendo sempre sobranceiro e mal-educado, respondendo apenas ao que lhe interessa e aproveitando sempre o ensejo para «fazer o seu “número” habitual do ungido e de penhor da credibilidade do país» e até hoje nunca, mas mesmo nunca, uma daquelas alminhas foi capaz de lhe cortar a prelecção e fazer aquilo que é obviamente sua obrigação, depois das continuadas tergiversões patológicas do nosso primeiro:

- O Sr. Primeiro Ministro vai responder à pergunta? Não? Então deixe estar, que nós vamos procurar a resposta noutro lado.

Com jornalistas alinhados é o que dá. São gozados e deixam-se estar, impávidos e serenos, a fazerem papel de parvos. E é claro que quem perde, com estas atitudes alinhadas, é a democracia. Mas poucos querem ver lá na classe deles; são eles os piores cegos.

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Porque é que sempre que ouço um político ultimamente, me dá esta sensação de estar a ouvir um adolescente? Parece que nos saiu na rifa uma geração de adolescentes tardios, incapazes de se envolver num projecto e responder pelos resultados. É que não basta o fato e gravata para se ser adulto. É necessária a postura e a convicção.

Outra sensação que me dá é que estou a ouvir uma imitação e não o original. Um plágio constante, uma colagem de frases feitas, um “cliché” em sequência. Treinarão eles ao espelho? Nunca precisámos tanto de políticos sensatos e responsáveis e nunca estivemos tão mal servidos.

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Estados de espírito

Podemos dizer que a culpa é do trabalho, da rotina do dia-a-dia, da família, da execrabilidade em que muitas vezes se transforma a vida humana. Mas hoje, agora, e por nenhum dos pretextos anteriores, sinto-me cansado, tão somente cansado. Um cansaço vazio e vão, que suga. Há dias assim.

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Este exercício é muito simples: consiste em mantermos uma saudável distância de tudo o que se refere a notícias sobre política nacional, debates de políticos, entrevistas a políticos, opiniões de políticos… e depois dessa distância saudável ligar a televisão e ouvir um qualquer político.

Constatação imediata: os piores discursos vêm do PS e do PSD, o chamado bloco central. Algumas frases são verdadeiros “clichés” repetidos até à exaustão. O PS quer manter o poder e assegurar os lugares para os seus protegidos e o PSD está à espera que o poder lhe venha parar às mãos sem qualquer esforço ou mérito, assim como os respectivos lugares. Este é o nível da política caseira actual.

Constatação derivada: as respostas para a nossa situação actual não estão na partidocracia e na sua lógica, terão de vir da chamada sociedade civil.

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A ‘nossa’ (sim, que entrando-se para o lobby das farmácias, tal como na Máfia e na CIA, não se sai) Ana Silva Fernandes escreve agora n’ O Valor das Ideias.

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“Um país que votou duas vezes em Angela Merkel merece muito mais ganhar do que um país que votou duas vezes em Zapatero”, a Carmex já aqui no post abaixo, com as suas expeciativas para o jogo da meia-final de ontem. Lamentavelmente a furia española conseguiu derrotar as linhas alemãs, o que me deixou também a mim um pouco desconsolado. E depois o CR lá alugou uma barriga nos States

O futebol é um poço.

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Não interessa nada a qualidade do futebol, a equipa, os valores individuais, o jogo bonito e tretas semelhantes. Hoje torço (enfim, q.b., já que não pretendo ver o jogo) pela Alemanha. Um país que votou duas vezes em Angela Merkel merece muito mais ganhar do que um país que votou duas vezes em Zapatero (produto progressistoooó-despesista só menos mau do que Sócrates). E nem os argumentos do dearest husband em favor da Espanha - a trisavó espanhola dos meus filhos acidentalmente nascida em Liverpool, o tetravô proveniente de Soria e o apelido espanhol que usam, ou mesmo o olhar marital acusador de traição ao clã – me demovem. Quando votarem em Rajoy ou, melhor ainda, em Esperanza Aguirre, repensamos os nossos apoios.

(Numa final Alemanha-Holanda, torceria novamente pela Alemanha; um país cobardolas que não descansou enquanto não exilou a Ayaan Hirsi Ali merece uma humilhação bem aplicada).

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é irremediavelmente uma anedota. Daquelas brejeiras de muito mau gosto.

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Criança de 11 anos era escrava doméstica, DN.

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… por nos manteres a todos na expectativa de vitórias por mais alguns anos.

Apesar do meu colega blogger Ventilan ter ficado todo contente com a saida do João Moutinho (JM) para o fêcêpê, confesso que não consigo deixar de sentir o sabor amargo na boca por uma transferência que tem tanto de ruinoso quanto de mal explicado.

Em primeiro lugar, JM não tem que sentir o minimo constrangimento em alinhar pelo FCP. Sabendo nós que é um jogador profissional, que queria sair e agora que o Sporting também não o queria lá, então o FCP é uma entidade empregadora tão válida como outra qualquer para tomar JM como assalariado. Posto isto, a revolta dos doentinhos de Alvalade com o seu capitão por causa da sua saida não me parece ter grande sentido (já a tristeza partilho com todos).

Depois, se formos fieis à nossa memória, o Sporting é um Clube com a capacidade imensa de em poucos anos ter atingido a expulsão (literalmente) do seu 3º capitão de equipa (para os esquecidos, os outros foram o Beto e o Custódio). É obra…

Posto isto, não só é estranho o ambiente de crispação com que mais um capitão de equipa abandona o Clube, como também o são as palavras com que o Presidente José Eduardo Bettencourt (JEB) aparece hoje a criticar a atitude do jogador em conferência de imprensa. É também a esta sumidade que se devem as não só as grandes contratações dos últimos tempos, como o Director Desportivo, o treinador com palmarés ganhador saido directo do grande Clube V. Guimarães ou jogadores jovens e em grande forma como o Maniche, mas também a limpeza do balneário que se está a ver pelos melhores métodos que se podem imaginar (fazer um bom negócio e ceder o jogador ao Everton? Não! Vamos é vendê-lo ao desbarato 2 anos depois ao nosso rival no campeonato, isso sim é boa gestão).

Não fosse isto já mau o suficiente, tenhamos em conta que:
1. JM vai “comer a relva” quando for jogar a Alvalade
2. JM será provavelmente campeão nacional em 2012 ou 2013 (dependerá da performance do Benfica)
3. esta atitude do Sporting vai certamente ter impactos na motivação de outros jogadores com ideias de sair (a.k.a. Miguel Veloso)

Posto isto, o meu obrigado a JEB por ser a prova viva que, em Portugal, ainda convém que um gestor profissional de um clube de futebol perceba minimamente de bola….

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‘Mãe, porque é que a fada madrinha mudou o vestido da Cinderela para sempre [quando ela calçou o sapatinho] e quando a Cinderela foi ao baile só mudou o vestido até à meia-noite?’

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Uma história demasiado má para ser verdade mas que, vem nos jornais, é. A Europa dita civilizada deu oportunidade a um terrorista e a um governo que apoiou terroristas de escarnecerem das vítimas e familiares do seu terrorismo, o que já revolve as entranhas de qualquer pessoa decente. A desculpa esfarrapada mal cozinhada (presume-se que com energia proveniente daquelas bandas) foi a compaixão por um moribundo, como se os moribundos impenitentes merecessem outra compaixão que não a divina. Sendo o moribundo culpado da morte de centenas e do sofrimento de milhares, certamente que na civilizada Europa, por respeito com as vítimas, a veracidade do veredicto de morte iminente foi comprovada por especialistas contratados pelo governo escocês, não? Não. Simplesmente acreditaram na palavra de um médico a soldo do governo líbio, que vem agora reconhecer que o moribundo pode viver por mais dez anos.

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Eventualmente terão sido estas as palavras sopradas por Jorge Nuno Pinto da Costa a alguém ao seu lado nas primeiras vezes que viu o João Moutinho a jogar. Também nessa mesma altura deverá ter-se decidido a trazê-lo para o FC Porto. A confirmar-se, poderá ser a grande contratação desta segunda década do terceiro milénio do meu clube de afeição. Sim, não espero menos que isso!

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Esta ideia já me acompanha há umas semanas: a blogosfera e o Facebook completam-se de forma muito interessante. A comunicação de ideias e a acção consequente.  Há ideias a que precisamos dar forma, concretizar. E aí surge o Facebook, grupos de pessoas que se formam à volta delas e que procuram dar-lhes vida e continuidade.

Na blogosfera dá-se um fenómeno muito curioso: nunca sabemos muito bem quem passou pelo blogue, o que viu, como viu. E mesmo quando alguém deixa um comentário, as dúvidas permanecem. Poderemos falar de verdadeira comunicação? Também as motivações são as mais diversas, desde as filosóficas, científicas, práticas, políticas, entretenimento.

Também no Facebook se encontram as motivações mais diversas: desde a Farmville e outros territórios até aos Grupos, às Causas. É essa arrumação  de objectivos comuns a sua grande vantagem. Enquanto na blogosfera é tudo mais disperso, no Facebook tudo se arruma naturalmente, como qualquer rede social. É certo que, como tudo o que tem potencialidades, tem as suas desvantagens: pode ser utilizado para controlar as vidinhas uns dos outros e parece que nos States já é uma arma para advogados (mas tudo nos States já é mediado por advogados). De qualquer modo, já há formas de maximizar as vantagens e minimizar as desvantagens. Aqui o que me interessa é a sua utilidade e oportunidade. Porque pressinto que os próximos tempos vão apelar à nossa intervenção colectiva, refiro-me à do cidadão comum, à chamada sociedade civil.

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La nuit

Muitas vezes fico a pensar com os meus botões, nas longas noites de insónia, se não valia mais atirar o computador à parede e sucatá-lo de vez.

Mais um Aznavour, se faz favor.

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… mas esta música fenomenal não me sai do âmago.

Boa noite e bons sonhos.

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A utilização da golden share no “caso” PT-Telefonica, como bem disse aqui já em baixo o Imodium, foi uma parvoíce (a palavra é minha, que ele utiliza as palavras mais soft estúpido e irresponsável), mas  não pelas razões que ele disseca, permita-me assim o meu colega farmacêutico discordar.

A questão para mim fundamental é que toda a gente que participou na  Assembleia-Geral fez figura de boneco, mesmo aqueles que eram contra a venda da participação na Vivo. Estiveram ali a utilizar o seu tempo para depois um qualquer acordar para o lado errado e decidir vetar o negócio, que os accionistas na sua maioria queriam ver concretizado. A malta que lá tem o dinheiro. O guito. O papel. A massa.

(E digo figura de  boneco para não os chamar a todos palhaços, porque esteve lá gente muito boa e recomendável.)

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O ataque da Telefónica à PT pela sua posição na Vivo é a prova que em mercados livres cash is king. Quando o preço de uma participada representa 90% do valor de mercado da participante, fica automaticamente demonstrado o seu valor estratégico enquanto centro gerador de oportunidades de crescimento.

Contudo, mesmo estando todos de acordo que a grande fatia do preço de uma empresa está no valor actual das suas oportunidades de crescimento, e mesmo passando ao lado das manhosices socráticas e do tradicional virar-o-bico-ao-prego e dizer que todos sabiam que se ia usar a Golden Share quando dois dias antes se dizia indeciso, algo que infelizmente já não espanta ninguém, usar a Golden Share do Estado neste negócio foi simplesmente estúpido e irresponsável.

Se o Estado queria dar a sua opinião no negócio devia ter ido a jogo enquanto accionista, fosse sozinho ou através da constituição de uma força de bloqueio, nomeadamente através da posição que detém na CGD, influenciando o seu voto e, indirectamente, o de outros accionistas. Carregar no botão de pânico e lançar esta arma de destruição maciça é que nos pode acabar por sair a todos bastante caro, por algumas razões muito simples.

Em primeiro lugar, como alguém disse sabiamente, tudo tem um preço e este é um bom preço. Por outras palavras, a PT sem a Vivo vale mais do que o correspondente 10% da sua capitalização bolsista, mesmo descontando o valor actual das oportunidades geradas por outras participações estratégicas fora de Portugal. Se é verdade que a Vivo é um pulmão importante para a capacidade de crescimento da PT, o facto desta desaparecer não a mata forçosamente por asfixia.

Em segundo lugar, porque a resposta à questão perceber quem afinal deve mandar numa empresa inserida numa economia de mercado é só uma: a vontade dos accionistas. Nestas coisas, se queremos que o mercado funcione, deve mandar quem pagou por isso em vez da cabeça pensante e iluminada de uma alminha com os dias (tudo leva a crer) contados.

Em terceiro lugar, porque se a imagem externa do Estado Português já estava má, a julgar pela fama de mau pagador que os spreads da dívida soberana não deixam esconder, agora ficou pior. Graças a Sócrates, os nossos investidores internacionais já não têm só de se preocupar com o risco de crédito do Estado mas também que ele decida imitar o “amigo” Hugo Chavez numa qualquer golpada latino-americana digna de telenovela com a mesma origem. Não fosse isto mau o suficiente, soma-se-lhe o momento é inadequado para estar a entrar em rota de colisão com Bruxelas, a quem certamente não vamos parar de pedir apoios para enfrentar uma crise cujo fim ainda não se vislumbra.

Por último, as oportunidades de crescimento não devem ser vistas como direitos adquiridos mas exactamente como isso mesmo: “oportunidades”. Algo que se pode concretizar ou não, mas cujo sucesso depende sobretudo de circunstâncias. Neste caso, por muito importante que possa ser hoje a posição na Vivo, nada implica que amanhã um outro qualquer interesse da PT dentro ou fora de Portugal não seja capaz de substituir a posição de destaque que hoje aquela representa. Esse é o “dom” do bom gestor: ter a capacidade de visão estratégica e detecção de oportunidades que levam a empresa ao sucesso. Mostra-se que, quando o Estado entra, isto deixa de ser necessário.

Ainda sobre este caso, dois protagonistas da nossa cena política assumiram recentemente os adjectivos descritos no segundo parágrafo. Francisco Louçã, pela competência que lhe reconheço (independentemente de não partilhar as suas ideias), foi irresponsável. Irresponsável porque não só sabe melhor que a maioria de nós o quanto esta manobra do Governo vai prejudicar o país, mas sobretudo porque como não espera vir a formar Governo tão cedo julga-se legitimado para debitar todas as barbáries com que a sua visão radical de esquerda lhe afoga o cérebro. Para Manuel Alegre, pelas patetices que ainda não se cansou de repetir sob a forma de pseudo-comentários às várias atitudes do Presidente desde que anunciou que era candidato, cujo absurdo do conteúdo tornam qualquer comentário um mero desperdício de esforço, pelo comentário que fez a esta situação concreta e pela ausência de qualquer feito de destaque nos últimos 30 anos que não tenha sido dizer mal sem propor coluções e viver à sombra da política, deixo o adjectivo que sobra. Estúpidos seremos também todos nós se o deixarmos entrar no Palácio de Belém sem que seja por convite para uma permanência inferior a algumas horas. Depois de dois Governos PS, é razão para puxar ao popularucho e dizer: “à primeira caem todos, à segunda só cai quem quer, mas à terceira só cai quem é estúpido”.

PS:
Uma última nota para o PSD e para o seu líder, Pedro Passos Coelho, cuja ânsia de mediatismo fez com que perdesse uma excelente oportunidade de estar calado. Talvez aprenda a lição e da próxima vez faça a tempo a escolha entre estar caladinho ou, caso decida opinar, não se deixe entrar em contradição com a posição do seu partido, transmitida pelo seu secretário-geral.

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