Posted in Vacinas on Fevereiro 19, 2011 |
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A linguagem do poder tem as suas próprias artimanhas, mas é possível desmontá-la com um simples teste: a negociação. Este simples teste é suficiente para demonstrar a sua incrível rigidez e vulnerabilidade filosófica e psicológica. Querem ver?
Quem só entende a linguagem do poder não consegue negociar. Simplesmente não consegue. Na sua estrutura linguística só existe o ganhar ou perder. Ceder um milímetro ao adversário (e a linguagem do poder encara todos os oponentes como adversários), seria abdicar do poder, o que na sua lógica é igual a perder. Mesmo que ceda aparentemente (isto é, verbalmente), não irá respeitar o compromisso assumido. Porquê? Porque não respeita o adversário como seu igual. Na sua lógica, não há cá igualdades: há os vencedores (de que fazem parte) e os vencidos ou falhados.
Se analisarmos este fenómeno de forma mais profunda, a ausência de respeito pelo seu semelhante (se é que se colocam nesta posição de ter semelhantes), significa ausência de respeito por si próprios. Porque quem se respeita a si próprio implicitamente respeita o seu semelhante. Mas isso não adianta muito ao caso. Porquê? Porque quem só conhece a linguagem do poder, e nela se estruturou, projecta para fora todas as suas fracturas e vulnerabilidades, aceitá-las seria demasiado insuportável.
A única forma de lidar com quem só conhece a linguagem do poder é a indiferença, não há outra forma: não lhes atribuir a importância e o papel que querem assumir nas nossas vidas. Simplesmente, não lhes reconhecer qualquer poder. No caso da política nacional, é simplesmente não votar em falsos deuses (termo de Arno Gruen).
Sugiro-vos a leitura de Arno Gruen: A Loucura da Normalidade e A Traição do Eu (Assírio e Alvim) e Falsos Deuses (Paz Editora).
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