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Arquivo de Fevereiro, 2011

Maravilhosa

Quando queremos envolver-nos na parcela mais escura de nós próprios, só há um sítio para ir: Black Swan. Estaria assim registada a minha sensibilidade sobre o filme.

Mans não chega, outra nota preciso de aqui deixar. Não sei se amanhã a Natalie Portman leva a estatueta dourada; muito sinceramente, é talvez o menos importante de tudo. Porque Natalie Portman entrou no Olimpo do cinema, e tudo o que servir para reconhecer a maravilhosa interpretação da actriz nunca será suficiente. Ontem na sala encontrei a minha nova inspiração, porque muitas vezes na vida vivemos Odette, outras tantas vezes Odile. E Natalie Portman é isso tudo, tanto no enredo como na sua interpretação, mas muito, muito poucos mesmo conseguem transmitir essa realidade. Ela conseguiu-o magistralmente.

Uma palavra também para o realizador Darren Aronofsky e para Vincent Cassel: soberbos.

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E o Público também já reparou na Amy Chua, colocando a matiz na rivalidade civilizacional entre as duas actuais superpotências: Estados Unidos e China. Rivalidade um tudo-nada exagerada, afinal falamos de estilos de maternidade e as chinesas (da China ou dos EUA) já se distanciaram com veemência dos métodos arcaicos de Amy Chua. Talvez nas provínias de Xi’an, lá para o interior da China, as tiger mothers continuem em maioria.

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Sérgio Sousa Pinto. Se não existisse, tinha de ser inventado, que é como quem diz se SSP é um deputado da nação mais vale acabar de vez com a democracia representativa. O exercício de ouvir  tal iluminado levou a que passados 2 minutos de o escutar andei afanosamente no Facebook à procura da página da Ana Drago (ah! a Ana Drago…) e do rapaz do PCP (esqueci-me do nome, mas ontem lembrava-me…)  para tornar-me fã.

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Leio tantas certezas sobre as revoluções nos países muçulmanos – são pró-democracia, são pró-fundamentalistas, são laicas, não são laicas, vão singrar, não têm possibilidade de trazer melhores regimes do que os moribundos, … – que fico perplexa. Como não simpatizo com nenhum dos regimes contestados pela populaça, não me afligem as revoltas populares. Não faço palpites sobre futuras governações dos países em ebulição, mas uma certeza tenho: se as principais vítimas das limitações de direitos humanos nestes países não estiverem implicadas na sua contestação e na sua mudança – e refiro-me, obviamente, às mulheres, seres especialmente diminuídos nos seus direitos humanos em todos os países onde o Islão domina – o que aí virá não será melhor do que temos (têm) tido.
Como a evidência acima constatada parece só interessar ao sexo feminino – não esqueçamos que a defesa dos direitos humanos só costuma preocupar dirigentes mundiais quando há direitos humanos de homens envolvidos e que, no caso do mundo islâmico, todo o ocidente se sentia confortável em fazer vista grossa aos atentados aos direitos humanos das mulheres destes países se isso convencesse, por exemplo, o Irão a desnuclearizar-se (esta moeda de troca foi mesmo implicitamente sugerida por Obama naquele seu infame discurso de apaziguamento no Cairo há tão poucos aninhos) – leia-se também a Inês Serra Lopes e a Joana Carvalho Dias.

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A questão mais importante não é ter passado à frente dos outros utentes e ter tratado a médica de família como a mulher a dias lá de (sua) casa; o importante é o atestado. Atestado para quê? Porque estava doente? Precisava do atestado para justificar alguma falta, por exemplo ao tribunal, por ter um avião para apanhar, que deve ser uma doença que se apanha a comer uns robalinhos? Mas isto sou eu aqui a divagar, com a mania da  teoria da conspiração.

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A linguagem do poder tem as suas próprias artimanhas, mas é possível desmontá-la com um simples teste: a negociação. Este simples teste é suficiente para demonstrar a sua incrível rigidez e vulnerabilidade filosófica e psicológica. Querem ver?

Quem só entende a linguagem do poder não consegue negociar. Simplesmente não consegue. Na sua estrutura linguística só existe o ganhar ou perder. Ceder um milímetro ao adversário (e a linguagem do poder encara todos os oponentes como adversários), seria abdicar do poder, o que na sua lógica é igual a perder. Mesmo que ceda aparentemente (isto é, verbalmente), não irá respeitar o compromisso assumido. Porquê? Porque não respeita o adversário como seu igual. Na sua lógica, não há cá igualdades: há os vencedores (de que fazem parte) e os vencidos ou falhados.

Se analisarmos este fenómeno de forma mais profunda, a ausência de respeito pelo seu semelhante (se é que se colocam nesta posição de ter semelhantes), significa ausência de respeito por si próprios. Porque quem se respeita a si próprio implicitamente respeita o seu semelhante. Mas isso não adianta muito ao caso. Porquê? Porque quem só conhece a linguagem do poder, e nela se estruturou, projecta para fora todas as suas fracturas e vulnerabilidades, aceitá-las seria demasiado insuportável.

A única forma de lidar com quem só conhece a linguagem do poder é a indiferença, não há outra forma: não lhes atribuir a importância e o papel que querem assumir nas nossas vidas. Simplesmente, não lhes reconhecer qualquer poder. No caso da política nacional, é simplesmente não votar em falsos deuses (termo de Arno Gruen).

Sugiro-vos a leitura de Arno Gruen: A Loucura da Normalidade e A Traição do Eu (Assírio e Alvim) e Falsos Deuses (Paz Editora).

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Henrique Neto

Lamento profundamente que o debate interno no nosso partido se limite às “missas” previamente organizadas, cujo resultado final só pode ser a decadência e a irrelevância. É isso que procuro contrariar e se o Presidente do PS não gosta, paciência.

O resto, aqui. É livre como (muitos) outros não são.

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Estamos rodeados de filosofias, políticas, propostas publicitárias, que se baseiam na “defesa de” e no “contra isto e aquilo”. Não funciona. “Em defesa das árvores” ou “contra a sinistralidade rodoviária”. Nem com crachás, slogans, petições. Simplesmente não funciona.

A atitude consequente é interior. Baseia-se sempre num movimento “a favor de”. A favor da vida, por exemplo. A favor do respeito mútuo. A favor da saúde. A favor das árvores.

A atitude consequente tem de partir de cada um e estar em sintonia com a sua vida diária. No seu mundo mais próximo, a família, os amigos, a comunidade.

Se cada um se respeitar a si próprio, digamos ao ponto de conseguir um verdadeiro compromisso consigo próprio (e os compromissos são sempre e essencialmente pessoais), sim, ao ponto de assumir uma atitude consequente, a começar por si próprio, por cuidar de si, da sua saúde, da sua tranquilidade, da sua paz, dos seus valores essenciais, isso abrirá o caminho natural para o respeito pelos que o rodeiam. Está tudo interligado, “a favor de”. Não há pontos de resistência “em defesa de” ou “contra isto ou aquilo”.

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O que é essencial e o que é acessório? O que nos estrutura e o que nos afasta de nós?

Exercício para este domingo: vá passear com as crianças num jardim, esteja particularmente atento aos sons que o rodeiam, aos cheiros primaveris, ao calor do sol quando rompe as nuvens ou ao frio do vento no rosto. Esteja presente, simplesmente.

Sabíamos isto tudo quando éramos crianças. Entretanto esquecemos tudo. É tempo de lembrar tudo isto de novo.

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Reality

Não consigo ver como será possível tanto o PSD como o CDS votarem a favor da moção de censura anunciada pelo BE, por mais ponderosas e abrangentes que possam ser as razões apresentadas por Louçã, Pureza e companhia. Seria um aborto e um anátema; dar a mão a qualquer iniciativa daquela gente é completamente impossível (acho eu).

E portanto José Sócrates vai-se manter no lugar. Infelizmente.

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Neste tempo de crise, de choro e ranger de dentes para tanta gente, vale a pena visitar a obra social monumental que é, e tem sido desde a sua inauguração pelo P. José Manuel Rocha e Melo há uns bons quarenta anos e com o empenho do P. Afonso Herédia, o Centro Social da Musgueira.

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… ou o discurso de abertura de José Sócrates no propalado Congresso das Exportações, hoje, em Santa Maria da Feira, parecia uma intervenção num qualquer comício do PS? Mas afinal a que título José Sócrates se dirigiu aos presentes, como primeiro-ministro ou secretário-geral do partido? E mais, nenhuma daquelas almas se apercebeu do frete que fez ao governo? A chavização de Portugal já não é um temor, mas a realidade que temos. Até as confederações patronais e banqueiros lhe beijam a mão.  

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Bons ofícios

Graças aos bons ofícios do Nuno Gouveia chegei aqui ao The Ronald Reagan Centennial Celebration. Paragem obrigatória.

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Despedidas

Prepara-se a despedida de Mubarak mas houve outro que já se foi: o Egipto. Pois é, ontem no Telejornal acordei para a nova realidade, onde estava o Egipto, agora está o Egito. O Egito. Até o corrector automático do WordPress dá erro… o Egito… Moisés, hebreu, foi um príncipe do Egito, não do Egipto, quando o grande Ramsés era o faraó não do Egipto, mas do Egito. Cairo era a capital do Egipto? Era, mas já não é; agora é a capital do Egito, e as pirâmides onde se escondia o Chappa’ai do Stargate também eram símbolos da antiga grandiosidade do Egipto, perdão, do Egito. Porque o Egipto morreu. Longa vida para o Egito.

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