Quando um sistema de gestão política e económica se revela incapaz de perceber a realidade, o grande plano, como poderá algum dia acertar nas respostas aos desafios actuais? Estão a ver em que situação crítica e delicada estamos metidos?
E depois não é só essa incapacidade de perceber a complexidade do mundo globalizado em que vivem, é a interferência de agendas paralelas, de lógicas desactualizadas, de interesses obsoletos, de iniciativas suicidárias.
A somar a esta desgraça, a incapacidade de mobilizar os cidadãos-eleitores-contribuintes. Precisamente pela ausência de confiança que neles despertaram, ao fazer tudo ao contrário das expectativas criadas e ao não saberem perceber e interpretar a complexidade da sociedade actual.
Estas são as falhas do sistema: partem de premissas erradas, tentam manter uma organização ineficaz e uma agenda paralela, e perderam a capacidade de liderança das massas.
E as massas estão desligadas da realidade e da vida prática porque não têm acesso à informação de qualidade, porque não adquiriram a preparação para filtrar a realidade que lhes é apresentada nos jornais e televisões, porque a educação os formatou para a aprovação social e para o conformismo em vez da autonomia e responsabilidade, porque sociedades conformistas são mais fáceis de gerir, uma vez que a ideia de riqueza interiorizada pela cultura corporativa é a de escassez e há que proteger as aquisições e posições dos grupo de influência. Uf!
Já sei, já sei, vão dizer que me estou a tornar repetitiva. Mas tal não se deverá precisamente à ausência de qualquer sinal de mudança cultural?
Está tudo na mesma. Bem, estar na mesma implica estar pior, porque agora é que não nos podemos dar mesmo ao luxo de estagnar.
Onde estão as inteligências, a lufada de ar fresco, a capacidade de mobilizar os cidadãos?
Deus nos valha, então era mesmo tudo ficção?
É que sem lideranças, como conseguir percorrer este caminho? Sem lideranças com o mapa e o guião, vamo-nos perder certamente. Sem lideranças com as prioridades e as estratégias bem alinhadas, vamos andar em círculos sem qualquer orientação.
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