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Arquivo de Outubro, 2011

Dan Brown revisited

Ó meu caro Prof. Dr. José Rodrigues dos Santos, Nossa Senhora podia não ser virgem?  Poder, podia. Mas não era a mesma coisa. Isto claro para quem tem fé. Quem não tem, não tem. E para quem tem é coisa que de certeza não o preocupa se o Prof. Dr. acha que talvez não fosse.  E isto de copiar o maná dos outros já enjoa. Então Jesus Cristo não era cristão? Afinal era judeu? Olha a bomba atómica… Qualquer criança da catequese podia explicar-lhe que Jesus sempre foi judeu (“Eu vim para que se cumpra a lei…”) e que o cristianismo começou com o Pentecostes (uma ajudinha, após a ressureição de Jesus). Escusava de ir roubar a ideia ao douto Bart D. Ehrman.

A Gradiva está cada vez pior.

(Adenda 18:20 lolol)

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Portugal vai ter nos próximos quatro anos a segunda mais baixa taxa de fecundidade do Mundo, com apenas 1,3 filhos por mulher, apenas ultrapassado pela Bósnia-Herzegovina (1,1), de acordo com um relatório hoje divulgado pelas Nações Unidas.

Este é para mim um dos maiores dramas que nos esperam. Antigamente eram os filhos que tomavam contas dos pais na sua velhice. Hoje, graças talvez a um estado demasiado generoso, são os pais reformados que ajudam os filhos e netos, o que vai acabar por imperativo do ajustamento a que todos estamos sujeitos. Num futuro relativamente próximo não há gente nova no sistema para garantir um mínimo de estado social – quem paga as pensões são os trabalhadores que estão no ativo – nem os rendimentos disponíveis permitirão sustentar dignamente a família nuclear, quanto mais a terceira idade. Se esta tendência não se inverter é o fim de jogo. O Sahara chegará ao sul da Europa mais rápido do que se esperava.

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Accionista passivo?

Começo por dizer que sou contra a intervenção directa do Estado na economia, através da manipulação do mercado por empresas controladas pelo próprio Estado. Assumo ainda preferir um modelo em que o mercado está entregue à iniciativa privada e o Estado intervém meramente como regulador, através de mecanismos eficazes que garantam que os direitos e deveres das partes (prestadores e cliente) são escrupulosamente respeitados e os ilícitos devidamente sancionados.
Defendo esta posição baseado no argumentos que o Estado tem à sua disposição mecanismos que lhe permitem exercer tal distorção sobre o mercado, que na prática conduzem apenas à ineficiência do sistema alimentando empresas pouco eficientes que pertencem ao próprio Estado ou que à volta dele gravitam pelos mais diversos interesses. E antes que me venham falar em “monopólios naturais” que devem ser nacionalizados por definição, contraponho apenas que os Estados que perderam o domínio sobre os seus recursos deveram-no mais à ganância pessoal de alguns políticos do que às vicissitudes do sistema.
Pode ser uma postura discutível, e podemos discuti-la, mas neste momento é a minha (estando aberta a alterações se melhores argumentos aparecerem).
Posto isto, é altura de me manifestar frontalmente contra a noção de “accionista passivo” que o nosso Primeiro Ministro (PM) anda a defender. Percebo que seja o argumento para tentar convencer os banqueiros, mas ele é em si mesmo uma aberração. Porquê? Por uma razão muito simples: se a regra é a do mercado, goste-se ou não, então o Estado é um accionista como os outros e por isso deve ter exactamente os mesmo direitos na defesa dos seus interesses (que em teoria são os de todos nós). Assumo que este ponto de vista só é válido se a adesão ao fundo de recapitalização for voluntária pela banca, mas não me passa pela cabeça que os nossos empresários do sector prefiram ver as suas empresas abrir falência.
Os bancos portugueses já sabem que têm rácios de capital para cumprir. Pode ser discutível se deverão ter ou não regras diferentes dos seus congéneres europeus, mas essa é uma discussão irrelevante neste momento. Se os conseguirem atingir sem com isso terem que convidar o Estado para accionista, então “amigos como antes”. Caso contrário, significa que os seus accionistas em primeira linha e o mercado como um todo não lhes reconheceram valor para acompanharem quaisquer aumentos de capital e só nesse caso será necessário accionar o fundo de recapitalização. A acontecer, não percebo porque motivo se entende que deve haver perante o Estado qualquer discriminação negativa, mas confesso que gostava que me explicassem.

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Quem algum dia estudou gestão ou economia, seja por percurso académico ou mera curiosidade intelectual, cruzou-se com uma sigla chamada “CAPM”.

Para quem ainda não teve a felicidade de o fazer, e nos dias que correm a ignorância sobre economia ou gestão já começa a poder considerar-se uma benção, aqui vai uma curta explicação: a sigla significa “Capital Asset Pricing Model” e não é mais que um modelo que a partir de uma equação de regressão linear simples (y = a + b * x) estima o equilíbrio de mercado em termos de retorno de activos face ao seu risco. O raciocínio é muito simples: um qualquer activo tem que pagar um retorno (y) que seja no mínimo igual à taxa de retorno sem risco (a), somada ao prémio de risco que o mercado paga hoje face à taxa de retorno sem risco (b * x). Esta última parcela encerra duas componentes: o prémio que o mercado paga a mais face à taxa de retorno sem risco (x), multiplicada pela relação entre os movimentos do activo e os movimentos do mercado (b).

Este modelo muito simples (e parte das críticas que sofre deve-se efectivamente à sua simplicidade, considerada excessiva) está para quem algum dia tenha a mais pequena intenção de analisar mercados como as 4 operações algébricas básicas ou o conhecimento do alfabeto para qualquer comum mortal que queira tentar viver em sociedade.

O que é que Merkel e Sarkozy têm a ver com isto? Supostamente nada. Na prática… tudo e mais alguma coisa!

A razão é simples e prende-se apenas com uma das variáveis da equação: a taxa de juro sem risco.

É que até hoje (em bom rigor até final da semana em que estamos), a taxa de juro sem risco (à falta de melhor opção) era genericamente vista como o retorno que o estado pagava pela divida soberana do país. Porquê? Por uma razão muito simples: é que o Estado, como tem uma impressora rotativa fantástica que pode imprimir notas, nunca jamais (Jamé, como diriam outros) em tempo algum deixará de honrar os seus compromissos com a dívida que emitiu. Assim, o Estado pode ser visto como o devedor mais honrado e consequentemente com menos risco que pode existir.

Certo? Errado, como este casalinho simpático se prepara para demonstrar.

Só espero estar profundamente enganado, pois caso contrário vai-me custar bastante ter que deitar fora a imensidão de livros sobre este assunto e que nos últimos anos têm vivido alegremente nas estantes lá de casa.

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O caso Macedo

Miguel Macedo podia estar a ser subsidiado legalmente, mas ao mesmo tempo vivia mergulhado na mais completa iniquidade. Ele não teve nenhum gesto altruísta; teve foi vergonha na cara. E altruísmo não é o mesmo que vergonha na cara.

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Caros clientes da Farmácia: como já me falta alguma criatividade na forma de analisar o que se passa neste nosso mundo ocidental, vou recorrer aos blogues da vizinhança.

Começo pel’ O Insurgente e este post de Ricardo Campelo de Magalhães: Capitalismo, Corporativismo e “Capitalistas” – O exemplo Goldman Sachs.

Reparem bem na distinção entre capitalismo e corporativismo, o grande equívoco, entre muitos outros grandes equívocos actuais. A informação que é disponibilizada actualmente é propositadamente confusa e a conta-gotas, quando o que os cidadãos têm o direito de saber é simples e de fácil apreensão: quem está a ganhar com a “crise” (palavra-chave mal escolhida para “resultado previsto da cultura corporativa” e os seus excessos, abusos, insanidade, fraudes em grande escala, que resultam na escravização do próximo) e quem está a perder e vai sofrer (a classe média e os mais vulneráveis).

Não resisto a uma breve reflexão: o exemplo dos EUA aplica-se igualmente à UE e, por arrastamento, aos países – onde nos incluímos-,  que venderam a sua autonomia relativa, a sua margem de manobra. A cultura corporativa está na génese desta chamada “união europeia” e, por esse facto, na origem do seu insucesso.

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Soube hoje, pela voz do Ricardo Araújo Pereira no Governo Sombra da TSF, que num qualquer programa de informação televisiva Carlos Carvalhas terá informado que o domícilio fiscal das 20 empresas do PSI-20 se situa na Holanda – e parto do pressuposto que terá introduzido isso como se de um pecado capital se tratasse. Não duvido. Se elas lá estão fiscalmente domiciliadas é porque de certeza que pagam MUITO MENOS impostos do que cá – aliás em Portugal não se paga impostos, é-se esbulhado. Como não consta que nos Países Baixos se viva uma situação comparável com este retangular jardim à beira mar plantado, se prescindem de rapinar os lucros destas (e de outras) empresas e têm o seu défice e dívida soberanas controlados, assume-se (assumo) que percebem melhor da poda do que de nós, que administram o que é de todos de uma maneira muito mais eficaz. Este exemplo deveria ser objeto de estudo aprofundado para conseguirmos mimetizar os sucessos dos outros. Infelizmente, só conseguimos olhar com olhos verdes de inveja.

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Tolanizar

Sobre alguns dos comentários aqui colocados é importante referir, e como bem diz a Maria João, que a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações não são recetoras/gestoras de um fundo de capitalização. Talvez devessem ser, mas não são. E se o fossem não pagavam o que pagam. A SS e a CGA são um esquema de pirâmide à escala nacional. A continuar as coisas como elas são, isto é reformas por inteiro aos 55 anos ou algo parecido, e tantas outras coisas mais, o que estamos a fazer é a tolanizar (de Tolan, ainda não estou maluco) a SS e a CGA: mais uns tempos e não passarão de carcaças à vista da cidade banhada pelo Tejo.

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O meu Pai, senhor de oitenta e um anos, ouve com alguma frequência os programas de opinião abertos aos telespectadores das estações de notícias por cabo. Também me conta que estão cheios de gente com cinquenta e poucos anos que se apresenta como reformada.

Isto a propósito de uma senhora que saqueia sem pudor as gerações mais novas (onde me incluo) e ainda pretende dar lições de moral.

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Quando um sistema de gestão política e económica se revela incapaz de perceber a realidade, o grande plano, como poderá algum dia acertar nas respostas aos desafios actuais? Estão a ver em que situação crítica e delicada estamos metidos?

E depois não é só essa incapacidade de perceber a complexidade do mundo globalizado em que vivem, é a interferência de agendas paralelas, de lógicas desactualizadas, de interesses obsoletos, de iniciativas suicidárias.

A somar a esta desgraça, a incapacidade de mobilizar os cidadãos-eleitores-contribuintes. Precisamente pela ausência de confiança que neles despertaram, ao fazer tudo ao contrário das expectativas criadas e ao não saberem perceber e interpretar a complexidade da sociedade actual.

Estas são as falhas do sistema: partem de premissas erradas, tentam manter uma organização ineficaz e uma agenda paralela, e perderam a capacidade de liderança das massas.

E as massas estão desligadas da realidade e da vida prática porque não têm acesso à informação de qualidade, porque não adquiriram a preparação para filtrar a realidade que lhes é apresentada nos jornais e televisões, porque a educação os formatou para a aprovação social e para o conformismo em vez da autonomia e responsabilidade, porque sociedades conformistas são mais fáceis de gerir, uma vez que a ideia de riqueza interiorizada pela cultura corporativa é a de escassez e há que proteger as aquisições e posições dos grupo de influência. Uf!

Já sei, já sei, vão dizer que me estou a tornar repetitiva. Mas tal não se deverá precisamente à ausência de qualquer sinal de mudança cultural?

Está tudo na mesma. Bem, estar na mesma implica estar pior, porque agora é que não nos podemos dar mesmo ao luxo de estagnar.

Onde estão as inteligências, a lufada de ar fresco, a capacidade de mobilizar os cidadãos?

Deus nos valha, então era mesmo tudo ficção?

É que sem lideranças, como conseguir percorrer este caminho? Sem lideranças com o mapa e o guião, vamo-nos perder certamente. Sem lideranças com as prioridades e as estratégias bem alinhadas, vamos andar em círculos sem qualquer orientação.

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UGT e CGTP admitem greve geral

O que vale é que este fim de semana há bola. Ainda há bilhetes em Pêro Pinheiro?

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No anúncio televisivo de hoje o Primeiro Ministro corta na despesa. Corta a sério. Sério mesmo. Ainda não ouvi nada sobre o nem mais um cêntimo para os consultores e assessores, mas cortou nos rendimentos dos funcionários públicos e pensionistas. Prepara-se também um corte grosso na Saúde e na Educação mas nada ouvi sobre a diminuição drástica de freguesias (com números, metas, objetivos please) e quantos municípios serão obrigados a fundirem-se.

Quando simplificávamos frações nas aulas de Matemática e começávamos a cortar nos numeradores e denominadores o professor da altura, ao assistir a um mais afoito que a páginas tantas ficou praticamente sem membros, disse-lhe “ó pá, vê lá se não cortas nada que te faça falta”. É isto que desejo ao Primeiro Ministro: que não corte nada que lhe faça falta.

Não quero contudo ser injusto, e já agora socorro-me do que escreveu aqui a nossa Carmex. Mesmo que acabe por cortar algo que lhe faça falta, também acredito sinceramente que o Primeiro Ministro a tal foi obrigado.

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5ª feira

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Para aqueles que, como eu, só com esquema:

Imagem à frente de um espelho.

Fonte.

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NUNCA DESISTAS

Quando a vida vai mal, como acontece às vezes,
Quando a estrada que trilhas tem mágoas e revezes,
Quando o dinheiro é pouco e as dívidas são altas,
Quando tu queres sorrir e em dor te sobressaltas,
Quando o medo te oprime e a esperança mal avistas,
Então descansa um pouco, sim, mas não desistas.

Que o sucesso ou fracasso não te iludam jamais!
Quando em vez de te abrir te fechas ainda mais,
E o cinzento doentio das nuvens te amargura,
Se nos olhos não vez amor nem ternura,
E tudo o que tens perto te parece afastado,
Então, enfrenta a luta, mesmo triste e magoado,
E se alguém te disser com pena: “Não resistas”
Outra voz gritará, mais forte: “Não desistas”

Roberto Durão

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