Atrasado e com as mais humildes desculpas aos clientes aqui da casa por não ter publicado ontem a bula que me cabia, o BB 2012 para a Figura Nacional do Ano foi atribuído a duas figuras que são todo um monumento: Vítor Gaspar (que em muitos lares nacionais provocou o desfazer da tríade de reis magos nos presépios) e Artur Baptista da Silva.
Pedro Passos Coelho afirmou há uns dias que Vítor Gaspar era o número dois do governo e Paulo Portas o terceiro, redundando que era ele Pedro Passos Coelho quem tinha a última palavra sobre todos os assuntos. Errado. Desde a tomada de posse do atual elenco se percebeu que o homem de força que tudo decide e manobra, por incumbência dos nossos credores, é Vítor Gaspar, educado nas mais altas instâncias internacionais financeiras. Sobre ele se depositaram as mais fortes esperanças de muitos – eu incluído – de que era desta. Era desta que Portugal mudava de rumo, reformando o Estado sugador de riqueza e aprendendo a viver com o que tem. Era desta que a parasitagem dos so called liberais cujos egos e empresas só sabem viver na sombra do Estado munificiente se arredavam – ou melhor, eram arredados – em prol de um sistema realmente distributivo. Enfim, depois do bater no fundo com a culminação de José Sócrates, melhores dias viriam, mesmo assumindo e aceitando que todos ficaríamos mais pobres.
O ano que finda, de tudo o que se esperava, deu-nos apenas as nove últimas palavras da última linha do parágrafo anterior. Tudo o resto, até agora (ainda retenho uma réstia de esperança que um momento de inflexão se avizinhe), falhou clamorosamente. Nem sequer a mensagem passou. E este falhanço tem uma cara, um rosto. É de todos nós enquanto portugueses, mas é especialmente do homem do leme que, ao contrário daquele que fazia a vontade de El-Rei D. João Segundo, ninguém já consegue perceber por quem nem por onde vai.
O segundo nomeado do ano, Artur Baptista da Silva, é também um rosto de uma realidade: o jornalismo nacional é uma anedota. Basta ler isto. Está lá tudo, mesmo que nos comovamos com falhanços profissionais inadmissíveis ao fim de 32 anos de jornalismo.



































Não quero saber se foi a Al-Qaeda ou uma triste sucedânea a responsável pela morte de Benazir Bhutto. Também me é indiferente nesta altura se a senhora, enquanto primeira-ministra do Paquistão, proporcionou às contas bancárias do marido um crescimento sustentado. Interessa-me o facto de Benazir Bhutto pretender dotar o Paquistão de uma democracia que, pelo menos, fizesse recordar as democracias ocidentais, de ter como objectivo eliminar os jihadistas do Paquistão e de tirar partes do país ao controle dos radicais islâmicos – e estes desígnios foram os que lhe custaram a vida.




