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[1608 - 1697]
«Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo»
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Cronologia
1608 Nasce em Lisboa, na freguesia da Sé, a 6 de Fevereiro.
1614 Com seis anos desembarca com a família em Salvador da Bahia – Brasil.
1634 É ordenado sacerdote Jesuíta, adquirindo fama de notável pregador com os seus sermões e torna-se defensor dos índios.
1641-1652 Após a restauração da independência nacional, regressa à Metrópole para dar a notícia da adesão do Brasil ao rei D. João IV, de quem fica amigo e conselheiro, e é nomeado pregador da capela real.
Torna-se figura de alcance nacional, nomeadamente na diplomacia e política portuguesas.
1652-1661 Regressa ao Brasil (Maranhão); torna-se missionário, acabando por ser perseguido e expulso pelos colonos, em resultado do seu combate corajoso à escravidão dos índios nas plantações da cana do açúcar.
1669 Após ter sido preso, acusado de heresia e impedido de falar pelo Santo Ofício, é libertado e parte para Roma em busca da revisão da sua sentença, onde permanece durante seis anos, pregando à Corte Pontifícia e à exilada Rainha Cristina da Suécia.
1669 Regressa a Lisboa munido de uma Breve Papal que o isenta por toda a sua vida da jurisdição, poder e autoridade da Inquisição.
1681 Com 73 anos de idade, regressa ao Brasil, fazendo a sua 7ª viagem transatlântica.
1697 Morre a 18 de Julho de 1697, com 89 anos.
“Avant la lettre”
Homem de fé “Nenhuma cousa quero senão acertar com a vontade de Deus, pelos meios que ele deixou neste mundo para a conhecermos”, Carta ao P. André Fernandes, 1654, Maranhão.
Obra literária Vasta e variada: 200 sermões, 700 cartas, tratados proféticos, dezenas de escritos filosóficos, teológicos, espirituais, políticos e sociais – “Imperador da língua portuguesa” (Fernando Pessoa).
Diplomata Nas suas missões pela Europa fora negociou a compra de Pernambuco aos Holandeses, angariou financiamentos para a guerra contra Castela e para as Companhias Comerciais do Ocidente e do Oriente, comprou munições e recrutou mercenários.
Economista Perante a extrema debilidade das economia e finanças nacionais, defendeu acerrimamente o mercantilismo como forma de manutenção da independência nacional; propôs o pagamento de impostos por todas as classes (clero, nobreza e povo) e a isenção dos mesmos para todos os que investissem nas Companhias Comerciais.
Há 350 anos atravessou 7 vezes o Atlântico, percorreu milhares de quilómetros no Brasil, incluindo na Amazónia, tendo os indígenas, cujas línguas aprendeu, apelidando-o de “Paiaçu” (Pai grande).
Aprendeu com o inimigo: “Os Holandeses têm a sua indústria, o seu cuidado, a sua cobiça, o seu amor entre si e ao bem comum; nós temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.”, “O Papel Forte”, 1648.
Apesar de enormes oposições e fracassos nunca desistiu; foi sempre enérgico, empenhado, inventivo, combativo, polémico e brilhante. Persistente até ao fim.
Actualidade
POLIFACETADO: O P. António Vieira é uma referência da humanidade. Foi missionário, político, diplomata, pedagogo, orador e intelectual, num século conturbado e inquietante.
PRECURSOR DO DIÁLOGO INTER-CULTURAL E INTER-RELIGIOSO: Foi exemplar na dedicação aos índios do Brasil (quando eram poucos os que os viam como seres humanos) e defensor dos Judeus e do Cristãos-novos.
PATRIOTA: Intensamente empenhado no destino de Portugal (para a qual sonhou a utopia do Quinto Império), foi pragmático na política e controverso na diplomacia, mas acabou sempre à margem do politicamente correcto.
UM DOS MAIORES EXPOENTES DA CULTURA PORTUGUESA: Exímio arquitecto das palavras e dos conceitos, Vieira deixou-nos um espólio impressionante.
PROFUNDAMENTE HUMANO: Não ficou como uma lenda, nem sequer como um santo. Mas nunca teve medo, nem se ficou no conforto dos moles. Foi ousado, corajoso e fiel à sua consciência, por mais que isso implicasse ir contra o Mundo.
É UMA HERANÇA PRECIOSA PARA O TERCEIRO MILÉNIO: Como no seu tempo, Portugal precisa de se ultrapassar e reencontrar o seu caminho e destino no mundo. Como na sua época, o desafio do multiculturalismo, da defesa da diversidade, do diálogo entre crentes e não crentes, bem como a promoção da dignidade humana são desafios em agenda.
Comemorações
ÂMBITO: Em 2008, várias instituições levarão a cabo diversas iniciativas para comemorar os 400 anos do nascimento do P. António Vieira; umas de cariz mais académico, outras de âmbito mais abrangente e popular.
OBJECTIVO: O CUPAV (Centro Universitário P. António Vieira) e o IPAV (Instituto P. António Vieira), em conjunto, definiram como seu objectivo, no referido âmbito, divulgar e dar a conhecer ao maior número de pessoas a vida e obra deste Português fascinante, transpondo os seus ensinamentos e exemplo para a actualidade, através de iniciativas de carácter cultural, popular, religioso e diplomático
INICIATIVAS:
- Publicação de um Livro de Sermões em conjunto com um jornal diário nacional
- Sessão pública de homenagem ao P. António Vieira
- Inauguração da estátua do P. António Vieira, em Lisboa
- “Eléctrico Vieira”, em conjunto com a Carris
- Sessão na Sinagoga de Lisboa
- Recepção na Embaixada do Brasil
- Instituição do Prémio Vieira
- Proclamação do Sermão de “Sto. António aos Peixes”, na Igreja de S. Roque em Lisboa
- Concerto de encerramento no Teatro Nacional S. Luís
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3 Comentários »
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[...] P. António Vieira – 400 Anos [...]
Boa tarde
Muito bonito ter aqui Padre António Vieira!
Cumprimentos
Viv. Pode por favor enviar-me os contactos do IPAV e / ou do CUPAV?
Obrigado. O mail é: Lserpa@gmail.com.