Uma história americana

Nos anos trinta o Sr. Alfred Woelbing, um habilidoso que perdera o emprego nuns armazéns do Winscosin durante a Grande Depressão (e, isto não sei mas presumo, tinha mulher e filhos para alimentar, bem como uma pontinha de ambição e é sabido por todos os que viram os filmes do Frank Capra como era difícil encontrar um emprego naqueles tempos), dedicou-se a criar fórmulas de batons para tratar os lábios secos para ganhar dinheiro. E ganhou 2500 dólares quando vendeu uma primeira fórmula pouco tempo depois de a ter inventado e foi ganhando ao longo da sua vida dinheiro com a sua segunda fórmula de baton para o cieiro a que deu o nome de Carmex Lip Balm. O importante era mesmo o produto, que foi ganhando popularidade sem necessidade de publicidade, fabricado de forma semi-artesanal durante quase toda a vida (do Carmex e do seu criador) e vendido pela família quer a retalhistas quer aos consumidores finais. Desde 1937 que o Carmex  é vendido nos boiões de ¼ de onça (segundo a minha agenda, cerca de 7 gramas), e é ainda hoje esta a embalagem preferida pelos utilizadores de Carmex. Só nas últimas duas décadas se criaram uns tubos com Carmex em gel e um baton em stick – este último não conheço, mas o tubo é muito recomendável e o meu preferido para quando estou fora de casa. Uma curiosidade: o primeiro computador foi instalado no Carma Labs. em 1995. Os pharmacists americanos consideram o Carmex o melhor baton para o cieiro sucessivamente nos últimos anos. 

Encontrei-me com o Carmex numa daquelas viagens de longo curso da British Airways. Deram-me uma bolsinha com a venda para os olhos, os tampões para os ouvidos, umas meias peludas e, lá pelo meio das restantes ofertas, um baton para o cieiro desconhecido. Informo que sempre fui fã dos batons para o cieiro que as companhias aéreas costumam oferecer. Dada a tendência para secarem os lábios numa viagem de avião (e os olhos, e as mãos, e a pele do corpo em geral) os batons para hidratar os lábios oferecidos nestas ocasiões costumam ser muito melhores do que qualquer baton bem intencionado de qualquer marca de farmácia. Os oferecidos pela Cathay Pacific – para os amigos, só Cathay – eram especialmente apreciados por mim, e costumava vir carregada dessas viagens com os batons que me ofereciam e com os dos meus companheiros de viagem ainda não iniciados nestes segredos de hidratação labial. As expectativas ao experimentar o Carmex eram, portanto, grandes, e não fiquei desiludida. A primeira impressão do Carmex nos lábios é de conforto e frescura (será do mentol?) e a hidratação é excelente e perdura (será da lanolina?), ao contrário da maioria dos batons para o cieiro que ao fim de quinze minutos já nos fizeram esquecer que colocámos alguma coisa nos lábios. Como última virtude, fica muito bem debaixo de um baton colorido, dando-lhe o aspecto glossy agora tão desejado. Dessa viagem trouxe o meu boião e o do meu marido das viagens de ida e de volta; pouco depois voltei a viajar na BA e arrecadei mais uns Carmex. Preparava-me para investigar quem dos meus conhecidos ia aos Estados Unidos para encomendar uma remessa de Carmex quando os descobri à venda numa farmácia na Av. de Roma e comprei quase todo o stock existente. Desde aí a venda de Carmex generalizou-se em Lisboa, para minha grande felicidade e lábios sedosos. A minha mãe já aderiu e o meu marido também – e o meu filho também, apesar de no caso dele ser mais um gosto por assustar os pais ao fingir que engole as tampas do Carmex em gel. Eu, pelo minha parte, tenho um Carmex na mesa de cabeceira, outro na carteira, outro na secretária, outro na pasta, outro no carro e uns de reserva para quando o meu filho esconde algum pela casa ou o meu marido mos surripia. 

(Se tiverem sorte, nos próximos dias escrevo sobre o melhor creme do mundo para as mãos).

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2 respostas a Uma história americana

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