Ter-se-a´ assustado com o fantasma da Mrs. Pankhurst?

Primeiro foi o Pedro Arroja a perorar na blogosfera liberal sobre a necessidade do retorno ao lar das mulherzinhas, nao para conforto masculino mas sim porque era assim que as mulheres eram felizes e agora vivem na angustia e na solidao. Claro que essa argumentacao nada tem a ver com o facto de alguns homens lidarem mal com a perda da “chefia” da familia, da ultima palavra sobre todas as situacoes familiares, das decisoes unilaterais sobre os filhos, da dependencia finaceira das mulheres que lhes permitia constrangir a vida das suas mulheres como o entendessem ou considerarem-se no direito de manterem as ligacoes extra-conjugais que quisessem e de dar um sopapozinho ou outro quando a esposa mostrasse alguma impertinencia ou descontentamento, de terem ganho a concorrencia feminina nos empregos, e um largo etc. (Ou, no caso do PA, parece-me que a vontade de provocar.)

 Nao, esta preocupacao tem apenas como objectivo o bem feminino (um homem e sempre um ser desprovido de egoismo, claro que sim), e e conveniente os homens comecarem a mostrar as mulheres como sao verdadeiramente felizes porque ja se sabe que as cabecinhas femininas nunca foram muito racionais e quando nao ha um homem para lhes dizer o que fazer, o desastre e inevitavel, neste caso nao so para as mulheres mas para a sociedade em geral, que tambem se sabe que as mulheres apesar de, coitaditas, nao pensarem muito nem terem capacidades para fazer nada de construtivo fora de casa conseguem sempre ser as culpadas de todas as degradacoes de valores nas sociedades. Os homens, que tao bons sao a produzir e a quem se deve todo e qualquer desenvolimento intelectual e economico e cientifico e…, va-se la saber porque sao perfeitamente incapazes de controlar os estragos que as suas mulherzinhas de intelecto duvidoso introduzem. Em todo o caso, sao absolutamente inocentes na crise das instituicoes tradicionais. A culpa e inteiramente das mulheres modernas.

 Agora foi o LR a retomar esta cruzada pela felicidade das mulheres, transcrevendo um e-mail de uma amiga.

 Ora se e verdade que nao entendo muitas das opcoes de muitas mulheres e de em Portugal qualquer feminista que se preze parece ter que mostrar um profundo desdem pela instituicao familiar e nunca se submeter ao jugo da maternidade (mesmo quando tem filhos) – e nao entendo como em Portugal tanta energia se gastou a lutar pelo direito ao aborto livre como se fosse o Shangri-La do universo feminino, quando se deveria lutar por licencas de maternidade alargadas e com cobertura de 100% do ordenado, maiores beneficios fiscais as familias com filhos, mais prestacoes a quem tem filhos, beneficios fiscais as empresas que tem mulheres a trabalhar em part-time durante a infancia dos filhos e por ai adiante. Contudo este repudio pela familia ja esta ultrapassado em paises que nos costumamos copiar com uns anos de atraso, pelo que ca chegara a moda da familia.

 Penso que e totalmente legitimo que uma mulher escolha nao trabalhar e ser “apenas” dona de casa e mae. O que nao e legitimo e que nao possa escolher entre ficar em casa ou trabalhar fora de casa.

O que me leva de novo ao e-mail transcrito pelo LR. Se a senhora que o escreveu esta tao cansada da sua vida moderna, porque nao deixa de trabalhar, se muda de volta para casa dos pais e se dedica a procurar marido? Ou, o que teria sido ainda melhor, porque nao tirou um curso tipo historia da arte (em vez de ter tirado um curso que a levou a uma profissao com horarios exigentes) e se dedicou desde nova a procurar marido? Pela amostra da blogosfera ainda ha muita procura de esposas que nao queiram trabalhar (ja de esposas desleixadas e rechonchudas e peludas, duvido muito).

E que o facto de outras mulheres exigirem para si o direito de terem as mesmas oportunidades que os homens nao obriga nenhuma menina mais tradicional a seguir o mesmo caminho. Todos nos fazemos escolhas; se nao fazemos as escolhas que nos tornam mais felizes, a culpa e nossa e nao das outras mulheres.

Porque nao foi ainda para casa a amiga do LR? Ter-lhe-a aparecido o fantasma da Mrs. Pankhurs prometendo-lhe a assombracao eterna se nao se portasse como uma digna sucessora das sufragettes?

(continuo sem acentos e cedilhas, como se nota)

Esta entrada foi publicada em Anestésicos. ligação permanente.

7 respostas a Ter-se-a´ assustado com o fantasma da Mrs. Pankhurst?

  1. Mário diz:

    Oh Maria!

    (Com um post destes só me apetece começar assim.)

    Mas isto é post que se apresente? Isto é uma colecção de lugares comuns sem qualquer nexo. Os homens, malvados, querem é voltar a rebaixar-nos, a ter amantes, a dar-nos uns sopapos. Pois, eles não dizem isso directamente, até figem estar a proteger-nos mas eu já lhes topei os planos. A continuar assim ainda vai achar que a Oprah é a maior filósofa do século XXI.

    Desculpe lá mas este post só dá para brincar. Não tem qualquer ponta para lhe pegar.

  2. Carmex diz:

    Mário, muito bem vindo aqui ao farmácia.

    Mas… diz-me que a Oprah não é a maior filósofa do sec. XXI?! Poderá pelo menos ter sido no sec. XX?! Não?! Meu Deus, acaba de destruir a minha moldura intelectual…

  3. Mário diz:

    Bom encaixe. Nesse ainda não lhe aconselho as alegrias do tanque e do fogão.

  4. Carmex diz:

    Eh, eh, Mário. De facto aconselhar-me o tanque seria muito cruel, com o que os detergentes secam as mãos e com as máquinas fantásticas que por aí há. Já o fogão, não tenho problemas de lhe dizer que alimento a minha família convenientemente.

  5. Mário diz:

    Muito bem, ainda vamos acabar por trocar receitas e segredos de culinária.

  6. Carmex diz:

    Sim, mas pouco calóricas, por favor.

  7. panaxginseng diz:

    Isto ee como o meu avo jaa dizia: “as mulheres sao o diabo!!”

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