Ole, ole, ole, somos españoles

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Numa das minhas idas a Marrocos, a fazer tempo para apanhar o Ferry para Tânger, aproveitei para visitar Gibraltar. As expectativas eram francamente baixas e a visita meramente circunstancial.

Passadas as formalidades na alfândega entrei numa grande avenida onde circulavam autocarros de dois andares e táxis de volante à direita. Após algumas negociações arabescas com o motorista de um dos táxis, lá embarcámos para uma visita guiada ao Rochedo. A viagem foi logo interrompida nos primeiros cem metros para dar prioridade a um… avião da British Airways que acabava de aterrar. Erguida de novo a cancela, lá atravessámos a pitoresca pista do aeroporto e verdadeira fronteira de Gibraltar.

A visita não se revelou particularmente interessante do ponto de vista turístico indo por isso ao encontro das minhas expectativas. Gibraltar não é mais do que um calhau erguido sobre o estreito com o mesmo nome e que por isso ganha a importância estratégica devida à porta marítima da Europa. Mas descobri que a verdadeira pérola deste bizarro lugar, está nos seus habitantes, 80% dos quais atravessam diariamente a fronteira para ir trabalhar vivendo uma estranha dupla identidade anglo-espanhola. Estes britânicos de tez andaluza não querem nem por um segundo ouvir falar da nacionalidade espanhola – 99% rejeitaram a mudança de soberania em 2002 – embora a sua vida seja inteiramente feita naquele país. Uns privilegiados oportunistas que são espanhóis quando precisam de emprego e britânicos quando vão ao médico ou no final do dia quando vão buscar os filhos aos Colégios e voltam para as suas casas. No que deles depender – e é bastante – nunca o Reino Unido levará a cabo a sua vontade de entregar o território a Espanha.

Lembrei-me deste episódio ao ver esta fotografia que o Luciano Amaral colocou no seu blogue a propósito da primeira visita visita do Rei Juan Carlos a Ceuta e Melilla. Aqui o problema é bem mais gravoso e trágico. A avalanche de imigrantes que morreram a tentar entrar nests enclaves levou à instalação das famosas redes de 6 metros de altura em seu redor, em 2006. Aquelas cidades representam para os marroquinos, mas também para muito outros imigrantes da África sub-Sahariana, uma porta de esperança e uma fuga ao destino. Daí que se compreenda muito bem esta fotografia e a recepção a Juan Carlos assim como haviam feito a Zapatero no ano passado. Ao contrário dos gibraltinos, em Ceuta e Melilla segura-se com unhas e dentes o melhor de apenas um dos estados…

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