Senti muita urticária ao ler este post. O AAA e a Carmex já meteram o dedo na ferida do respeito e da elevação, mas gostava de ir ao fundo daquela que me parece a questão mais arrepiante.
Julgo que o que me fez toda esta comichão foi sentir que fomos bombardeados diariamente, e durante todo este tempo, por uma propaganda de esquerda sobre o presidente RE-ELEITO dos EUA, em que qualquer relógio de pulso é razão de gozo e maledicência sobre o personagem ao qual os argumentos da democracia aparentemente não trazem legitimidade. Arrisco-me a imaginar o que seria a blogosfera se o Rei de Espanha mandasse calar o Sr. Bush e aquilo que me espanta é a leveza com que agora todos os perjúrios contra este esbarram nas virtudes do Sr. Hugo, o ELEITO! Até os tiques o Alberto João lá esbarram também!
Mas aquilo que mais me incomoda não é que se defenda desta forma um tipo como o Chávez apenas porque foi democraticamente eleito. Não me incomoda que gostem ou não do sujeito e que concordem mais ou menos com as suas ideologias e conduta do que a de outros . Na verdade, nem me incomoda o sujeito.
O que me faz coçar, na verdade, não é a esquerda nem a direita, não é o Bush – que não merece a minha defesa – nem o Chávez, mas aquilo que faz a política perder-se nestas trocas de inconsistência e incoerência. Aquilo que me aflige é que não se ponha o tempo e o intelecto naquilo para que a política é necessária.
PS- Já depois de escrever isto, voltei ao Arrastão e encontrei lá mais isto e isto. Apenas acrescenta razão ao que escrevi. A ideologiazinha bacoca como arma de arremesso, não se sabe bem do quê:
“Eles têm o seu pateta perigoso. Chama-se George Bush. E o jeito que nos tem dado que a direita o defenda com tanto empenho. Não façamos a mesma figura.”