O destino do meu dinheiro

Eu sei que isto são peanuts e que o Estado deve manter alguma dignidade na sua apresentação, mas são inadmissíveis estas compras sumptuárias pelo Ministério da Justiça. E tanto em tempo de vacas gordas como de vacas anorécticas e bulímicas. Trocar carros de 2003?! E quando não há autorização para adquirir “bens mais básicos” (que não diz o jornal o que sejam, mas têm ar de ser mais necessários ao bom funcionamento do MJ do que os carros que os respectivos dirigentes compram com o objectivo de impressionar família, amigos e conhecidos invejosos) por questões de falta de dinheiro?!

Há um ano e uns meses atrás contactei empresas que fornecem mobiliário de escritório para comprar as secretárias, cadeiras, etc. do novo escritório da empresa. Estávamos quase no fim do ano e várias empresas me recomendaram uma decisão ou um bocado antes do fim do ano ou no Fevereiro seguinte; é que, além de algumas fábricas fecharem na segunda quinzena de Dezembro (juro!, e não eram portuguesas), costumavam ter sempre encomendas no fim do ano de organismos públicos de mobiliário de escritório. Diziam estes organismos que era uma forma de esgotarem o seu orçamento.

É por estas e por outras parecidas que a fuga aos impostos é tão bem vista em Portugal.

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4 respostas a O destino do meu dinheiro

  1. Mário diz:

    Por uma questão de princípio, cada euro mal gasto é sempre muito mau sinal. Especialmente para dentro das instituições. Os quadros intermédios acham que isto são excelentes desculpas para o laxismo. Por incrível que pareça, isto parece-me ser também o resultado de não querer pagar bem os funcionários de topo. Encontram-se então estas compensações, todo o tipo de regalias e ajudas para o que der e vier, além de promessas de outros tachos e lugares dourados em empresas públicas ou privadas onde o Estado tenha poder de influência.

  2. Pingback: 140 cavalos « Farmácia Central

  3. Carmex diz:

    Penso que o problema é anterior ao mau pagamento dos funcionários de topo (veja-se o caso do Paulo Macedo, que foi recambiado por ganhar demais, apesar de ser reconhecidamente eficiente e eficaz): é que nem todos os funcionários de topo são competentíssimos quadros superiores; muitos são pessoal do partigo que governar na altura e vivem destes tachos que lhes arranjam; no sector privado seriam quadros médios com remunerações de acordo com o verdadeiro mérito.

  4. panaxginseng diz:

    a propoosito, acabei de ver as declaracoes do Vitalino Canas a propoosito de poliitica orcamental, e pergunto-me se nao haveraa uma relacao com esta troca que a Carmex iniciou:

    [«Na pequena abertura que o Orçamento para 2008 está a dar, indica já o que poderão ser os futuros orçamentos de um Governo do PS», acrescentou Vitalino Canas, no final de uma reunião da Comissão Política Nacional do partido.

    Sobre a primeira metade da presente legislatura, o porta-voz socialista explicou que «já há resultados muito positivos para apresentar» e que já se começa a falar dos «resultados das reformas feitas pelo Governo».

    «Vamos chegar ao final do ano a cumprir a exigência de três por cento de défice – e sem que o país esteja em recessão. Isto seria inimaginável por muitos anos ainda há uns anos atrás», lembrou.

    Face à alta das previsões do INE, Vitalino Canas recordou ainda a «possibilidade de Portugal crescer em 2007 acima das previsões do Governo», algo que acontece graças a «reformas importantes na segurança social, na educação e na administração pública».]

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