Em ocasiões destas chego à conclusão que Portugal está perdido de vez e só me resta emigrar

Hoje de manhã fui avisada que uma caixa de fusíveis no prédio ao lado do meu (que tem o meu pai como propietário) estava “a arder”. Fui verificar e, sendo exagerada a descrição, a caixa de fusíveis produzia umas faíscas convincentes e constantes. De imediato voltei para casa e liguei-me à internet para procurar o número dos pedidos de assistência da EDP. A página da EDP entende não disponibilizar esse número. Tentei as Páginas Amarelas e liguei para o número que lá aparecia; não era o número das avarias, deram-me outro número e finalmente liguei para o número certo.

 Aqui interrompo-me para explicar que vivo na fronteira entre Graça e Mouraria, numa zona de prédios pombalinos e pré-pombalinos e que a caixa de fusíveis (umas boas décadas mais velha que eu) que se lembrou hoje de emular o Etna se situa num corredor exterior, fechado por um portão e com número de porta, que dá acesso ao referido prédio do meu pai e também a outras casas recuadas da rua.

A senhora da EDP que me atendeu começou por me perguntar alguns dados até chegarmos ao número do contador que, segundo ela, era essencial; eu expliquei-lhe o perigo de ter um fusível a avisar que queria fazer das suas numa zona de prédios com estruturas de madeira, mas como eu não sabia e não conseguia ver o número do contador que estava dentro do prédio não me queria aceitar o pedido de assistência. Calmamente expliquei que era perigoso um fusível a produzir faíscas num prédio antigo, mas a senhora dizia-me que precisava do número do contador. Já irritada disse-lhe que estava a fazer a participação de uma situação perigosa e, não querendo a senhora fazer o pedido de assistência, ficavam responsáveis por qualquer incêndio que ocorresse naquela zona devido à caixa de fusíveis do prédio do lado. Pediu-me o nome e o contacto, dizendo que ia fazer o pedido de assistência.

Mais de duas horas depois a EDP não tinha aparecido e liguei de novo para o número de avarias da EDP para perguntar se demorariam. Atendeu-me um senhor de voz irritada (a culpada de ele trabalhar num call-center sou, obviamente, eu) a quem expliquei o que se tinha passado a custo (era interrompida constantemente), mas que não me soube, nem quis, informar se o piquete estava pedido ou não; precisava também do número do contador (que eu continuava a não ter) e, não o sabendo, não podia a EDP fazer nada; expliquei novamente a gravidade da situação – porque o senhor parecia pensar que estava simplesmente sem luz – mas de nada adiantou; fez um tremendo frete para procurar conseguir indentificar o contador através da morada (relembro, é um prédio antigo, com várias portas e cada porta com o seu número diferente), mas na morada que eu indicava o cliente era outro; ainda tentei explicar que se tratava de um portão com acesso a várias casas, incluindo o prédio do meu pai; o senhor tinha mais que fazer e desligou-me o telefone não me deixando terminar de elucidá-lo.

Pela terceira vez liguei para o número das avarias da EDP e por sorte fui atendida pela Senhora D. Ana Sousa, talvez a única pessoa naquele call-center que não é idiota. Expliquei a situação (bastante irritada depois de ficar a falar sozinha), ela informou-me que não era nada preciso o número de contador, era apenas uma informação que facilitava, procurou pela morada se havia algum pedido de assistência feito – não havia! – e fez ela própria o primeiro pedido de assistência, assinalando urgência, quase três horas depois de eu reportar uma situação perigosa que só a EDP podia resolver.

Já sabem: para a EDP é indiferente que um fusível dentro de uma caixa que tem inscrito “EDP Inviolável” expluda e provoque um incêndio numa zona de Lisboa de prédios antigos, potencialmente catastrófico; o que é inaceitável é fazer um pedido de assistência sem dizer o número do contador (que afinal se revelou desnecessário). A burocracia está à frente da segurança das pessoas.

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10 respostas a Em ocasiões destas chego à conclusão que Portugal está perdido de vez e só me resta emigrar

  1. hirudoid diz:

    Ih! Ih! Ih!

    É caso para dizer que tiveste sorte logo à terceira.

    Se calhar os bombeiros eram mais eficientes e até faziam o jeitinho de lhes dar cabo do contador…

  2. panaxginseng diz:

    entao e chamar o 115? ou a boofia? nao resolvia a coisa em 5 minutos?

  3. Carmex diz:

    Também pensei nos bombeiros, é verdade. Mas, muito parva, acreditei que a primeira aventesma tinha pedido a assistência. E o terceiro telefonema foi logo a seguir ao segundo, para dar uma descasca a alguém da EDP. Só que tive mesmo sorte e encontrei alguém competente. Já está resolvido, mas ainda vou perder um tempinho a queixar-me ao regulador, ao Ministério da Economia e a quem mais me lembrar.

  4. Carmex diz:

    Ah, e os bombeiros eliminavam o perigo mas punham o prédio sem luz. Eu teria sempre que aturar a EDP.

  5. Carmex diz:

    A bófia?! Quando os meus vizinho de cima se lembrar que é dia de festa e fazem barulho pela noite fora e eu chamo a polícia, achas que demora 5 minutos? Às vezes nem aparecem. (Também já aperceram e multaram os barulhentos, é verdade). Achas que se deslocariam para domesticar uma caixa de fusíveis em ebulição? Apareciam 4 horas depois.

  6. Carmex diz:

    Estás fora há muito tempo, João!

  7. Carmex diz:

    Nós somos o país dos Vitalinos Canas e das Marias João Rodriques e da red tape e da promoção da incompetência e de demorar horas a fazer o que demora minutos e anos o que demora dias!!

  8. panaxginseng diz:

    mas dizias ao 115 que aquela cena estava a deitar faiisca e fumo e que ia deitar fogo “aa serra toda”, a ver se os gajos nao apareciam logo…

  9. hirudoid diz:

    Hum! Duvido.
    Mais depressa chegavam os bombeiros de Terras do Bouro.

  10. ze_manel diz:

    Por acaso até trabalho no atendimento da edp, se te fosse eu a atender certamente te diria, olhe ligue também para os bombeiros, pelo sim pelo não…e os bombeiros entram sempre em contacto com a edp de uma forma muito mais directa.

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