Juan carlos, parte vigésima nona (aqui no Farmácia)

Rui, também já tinha pensado iniciar uma corrente. Era o que faltava, só porque somos recentes e pequenos, que as correntes blogosféricas nos excluam. Não interessa nada a liberdade dos outros bloggers nos ignorarem, isso é ideia de capitalistas-neocons-judaízantes-etc.. Todos os blogues são iguais! Não podemos ser excluídos das correntes blogosféricas! Vou propor ao Governo que crie uma entidade reguladora dos blogues, com poderes mais alargados que a ASAE, para corrigir estas inaceitáveis distorções.

Então vejamos porque tem o Juan Carlos legitimidade democrática para mandar calar o proto-ditador eleito Chavez.

Em primeiro lugar: Juan Carlos foi o sucessor escolhido por Franco, destinado por este a ser um monarca absoluto e iluminado. Franco morreu e Juan Carlos, sucedendo-lhe, informou os Espanhois que pretendia ser um monarca constitucional de uma democracia e não um soberano-ditador. O Rei (que poderia ter tido a tentação de governar) foi o primeiro a pedir a democratização de Espanha. Ele foi o garante da transição pacífica e serena para uma democracia moderna; não só determinou o fim da ditadura como controlou excessos da extrema-esquerda e da extrema-direita.

(Nós tivemos o PREC, os Espanhois tiveram Juan Carlos; vejam-se as diferenças.)

Em segundo e último lugar: durante o golpe de 23 de Fevereiro de 1981, que tentava instaurar um governo militar em Espanha na linha de Franco, Juan Carlos corajosamente colocou-se ao lado dos democratas e não conferiu qualquer legitimidade aos golpistas. (Os ataques da extrema-direita que se têm verificado à monarquia espanhola são filhotes destas acções do Rei.)

(Deixem-me partilhar algumas recordações familiares, porque me recordo vagamente desse dia dos meus seis anos. No dia do golpe de estado, o meu Pai estava a regressar de carro de uma viagem de trabalho a Valência e supostamente ia dormir a Madrid. No entanto, a minha irmã fazia dezanove anos nesse dia e o meu Pai decidiu fazer toda a viagem até Lisboa no mesmo dia. Guiou o dia inteiro, não tinha rádio e não se apercebeu de qualquer agitação em Espanha. Passou a fronteira pouco tempo antes de estas serem fechadas e chegou a Lisboa intacto, para grande alívio da minha Mãe que, com a sua propensão para antecipar catástrofes, imaginava que Tejero de Molina havia ordenado que perseguissem por toda a Espanha os estrangeiros e os executassem sumariamente.)

Resumindo: Juan Carlos é um Rei que não apenas apoia a democracia espanhola como foi um dos criadores dessa mesma democracia. Para legitimidade democrática parece-me que é muitíssimo mais que suficiente.

Vou passar a corrente ao Panaxginseng (os nossos colegas de blogue ficam de castigo pelas ausências injustificadas; depois admirem-se de nós os três, bloggers esforçados, vos convidarmos para uma assembleia do Farmácia e depois pormo-nos aos tiros com uma pressão de ar, admirem-se…), ao Mário e aO Lidador – porque nos visitam e porque já são meus velhos conhecidos de outros caminhos blogosféricos.

Esta entrada foi publicada em Anabólicos. ligação permanente.

3 respostas a Juan carlos, parte vigésima nona (aqui no Farmácia)

  1. AAC diz:

    Sem esquecer que foi o Rei Juan Carlos que nomeou Adolfo Suárez para presidente do Governo Espanhol, depois da tentativa de governo de linha dura de Arias Navarro. Foi Adolfo Suárez o executante desta notável – comparada com a nossa – transição.

  2. Carmex diz:

    AAC, em primeiro lugar bem-vindo aqui aos comentários do Farmácia.

    Tem toda a razão, foi Juan Carlos que escolheu um presidente do governo de direita e democrático para desmontar o regime franquista em vez de apostar em nomes mais sonantes mas ainda mais conotados com o franquismo.

  3. Mário diz:

    Tenho andado um pouco ausente destas lides, por isso as minhas desculpas pelo atraso.

    Sobre o incidente com Chávez nem sequer há assunto a debater. O homem é um grunho que falou quando não era a sua vez. Até o pessoal que faz as limpezas da sala tinha legitimidade para o mandar calar.

    Sobre a questão mais genérica da legitimidade democrática do Rei, é uma falsa questão. Porque parte do princípio que a democracia é um princío absoluto que serve de bitola para tudo o resto. Pelo contrário, é a democracia que precisa desesperadamente de se legitimar. Quando a responsabilidade é de todos acaba por não ser de ninguém. Nenhuma democracia resistiria dois dias se não tivesse o apoio, explícito ou não, de outras instituições muito mais antigas e sólidas. Por isso são instituições como a monarquia e a Igreja que legitimam a democracia e não o inverso. As democracias actuais querem retirar “da coisa pública” tudo o que não seja o construtivismo delineado após a construção do Estado moderno, dando óbvia preferência ao já realizado por via democrática. Ao mesmo tempo, as pessoas dão sinais de odiarem (acho que é a palavra certa) cada vez mais a democracia. Não é por acaso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s