Para os entusiastas do Eneagrama

Estou convencida – and I´ve been so for some time now – que o meu amigo Winston Spencer Churchill tinha o tipo de personalidade 4 do Eneagrama. Claramente, apesar de ter sido o líder providencial da Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial, não tinha o tipo de personalidade 8 no Eneagrama, a dos líderes naturais: não apreciava os confrontos de poder e de força, não procurava subjugar os que se lhe poderiam opor, era considerado instável e demasiado arrebatado (muito unsuitable para chefiar o país, era a opinião da maioria das pessoas). A liderança de Churchill não foi a de uma pessoa responsável e ponderada (que teria pedido um armistício a Hitler depois da desgraça da Europa continental na Primavera de 1940) mas de um aventureiro romântico que persegue o ideal de democracia e liberdade a todo o custo.

Parece-me evidente que a característica fundamental de Churchill era a sua afectividade (duas ressalvas aqui: a primeira para pedir perdão àqueles que perdem noites de sono por alguém ousar falar de Churchill para além da sua brilhante prestação como PM britânico nos anos de guerra; a segunda para esclarecer que a afectividade de um quatro não é a dos que gostam de toda a gente, havendo sempre uma carregada afectividade negativa por bastantes pessoas, no caso de Churchill, por exemplo, por Stanley Baldwin). Ora vejamos: os discursos de Churchill durante a IIGM são tiradas épicas (de qualidade literária excelente e dos quais sobrevivem inúmeras expressões) que comovem e fortalecem os ouvistes, mais do que os informam, criando com eles um elo afectivo muito resistente; o político Churchill, mais do que admirado, era amado – os britânicos continuaram a amar o seu bulldog em 1945 quando votaram nos trabalhistas e tornaram Clement Atlee no sucessor de Churchill; dependia afectivamente imenso das pessoas de quem gostava e sofria verdadeiramente com as disputas com essas pessoas; era frequente ver Churchill a chorar quando visitava áreas residenciais bombardeadas e contactava com os recentes desalojados.

Outras peculiaridades de Churchill facilmente são atribuídas a uma personalidade de tipo 4. Por exemplo as suas épocas depressivas (o black dog) quando a vida política não lhe corria bem, o que sucedeu desde meados da I Guerra Mundial até Maio de 1940, tendo andado às avessas com o establishment conservador devido à abdicação de 1936 e à política de appeasement. Por exemplo o excesso de álcool e de charutos. Por exemplo o mau feitio. Por exemplo o seu disgosto pelo cumprimento de horários e as suas horas tardias (deitava-se tarde e, de manhã, trabalhava na cama que colocou no seu escritório). Por exemplo o seu grande talento para a pintura e a sua necessidade de pintar (para sobreviver são, diria eu). Por exemplo o sentimento de rejeição que sempre sentiu por parte dos pais, duas criaturas sociais que viviam para a vida social e que o filho entregue à nanny sempre idolatrou. Por exemplo a sua dificuldade em viver dentro do seu orçamento de aristocrata filho de um segundo filho (que praticamente não herdou do seu pai). Por exemplo a estravagância dos planos de Gallipoli (que precipitou a sua queda política); ou o facto de, mal os britânicos terem sido expulsos de Dunquerque, Churchill ter dado ordens aos militares para prepararem um plano para uma invasão anfíbia das costas nortenhas francesas; ou de ter sugerido vezes sem conta aos militares planos pouco realizáveis mas que demonstram uma imaginação de produção constante.

A prova de que Churchill tinha uma personalidade de tipo 4 chegou-me com o Five Days in London, já aqui referido. A páginas tantas (155, para satisfazer os picuinhas), a nota 14 dá-nos conta das opiniões que Lord Halifax confiou ao seu diário, a 27 de Maio de 1940. Nesse dia, divergências de fundo haviam sido reveladas entre Churchill e Halifax e este último ameaçou demitir-se do governo britânico (o que poria Churchill em areias movediças, uma vez que os conservadores gostavam de Halifax e, sobretudo, o Rei também). Depois de uma reunião do War Cabinet, Churchill e Halifax deram um passeio no jardim (do nº 10 de Downing St?) para conversarem sobre a situação e Churchill convenceu o seu opositor a permanecer como Foreign Secretary. Não sabemos o teor da caminhada, mas Halifax registou o seguinte no seu diário “I dispair when Churchill works himself up to a passion of emotion when he ought to make his brain think and reason.” Para além da sugestão de que Churchill tomava decisões a partir dos seus instintos e intuições, Halifax revela ter sofrido de uma das mais eficazes armas dos tipo 4: um outburst de emoção que, sendo sentido e percebido como verdadeiro, deixa a contra-parte sem saber como reagir e, depois, apta a ceder ao que os tipo 4 querem.

Pelos vistos a IIGM foi ganha com uma estratégia tipo 4.

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