Nós também gostamos do assunto “fazer bebés”

Muito se tem escrito na blogosfera sobre as causas da decisão de não ter filhos, como aqui, aqui, aqui, aqui e também aqui no Farmácia.

Parece-me evidente que ter filhos ou não – e, a ter, o número da prole – é uma escolha individual (ou de casal, preferencialmente) e que qualquer indivíduo (ou casal) deve poder ter essa escolha. Para a sociedade, a conversa é outra. Uma sociedade precisa de novas gerações para continuar viva; uma sociedade em regressão demográfica é uma sociedade condenada à extinção e, mesmo que a extinção se processe em registo luxuoso, é sempre triste e amarga. Em termos económicos é vital a renovação geracional: uma economia precisa constantemente de Mão-de-Obra, que ainda não foram inventados os robots multifacetados que substituam inteiramente os humanos. Por isso, a sociedade deve promover a natalidade para aumentar a sua população ou, no mínimo, mantê-la. Causa-me alguma estranheza que comentadores dos post indicados considerem que o estado não tem por obrigação incentivar a natalidade; ou é uma questão de ignorância ou são misóginos.

Também é certo que muitos casais optam por não ter filhos – ou pretendem tê-los depois de terem muitas outras coisas e quando tentam fazer bebés a idade já anda a fazer das suas à fecundidade – porque têm outras prioridades: querem ter férias paradisíacas todos os anos, as noites mal dormidas e as fraldas sujas são repugnantes, o dinheiro deve ser gasto em carros e roupas melhores, a carreira é absorvente e não há tempo disponível para dar a atenção devida a crianças, uma gravidez arruina a forma física, o casal dá-se tão bem sem filhos, e um extenso etc. Milhares de razões existem para um casal decidir não ter filhos.

Não tendo eu qualquer evidência estatística, não penso que a maioria dos casais sem filhos não tenha filhos porque não os quer. Conheço apenas um casal que não teve filhos por opção. No entanto, conheço vários (na realidade, conheço várias metades desses casais) que não têm ainda filhos por questões de orçamento familiar insuficiente; ou que têm apenas um filho por não terem dinheiro para pagar roupa e alimentação ao segundo. Assim, para fomentar a natalidade, o Estado deve dar benesses financeiras aos casais que tenham filhos. Sim, idealmente isso seria feito através de uma redução de impostos (geral, de forma a aumentar o rendimento disponível das famílias e a produção de riqueza ou, pelo menos, dando generosas bonificações fiscais a quem tiver filhos e consoante o número de filhos). Como em Portugal é anátema a baixa de impostos e os problemas “resolvem-se” deitando-lhes dinheiro para cima (o conhecido “método Guterres”), se não se baixam impostos pelo menos gaste-se parte do dinheiro já cobrado em subsídios à natalidade. É uma política melhor do que muitas outras.

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