Serviços Mínimos

Ora bem, por sugestão/ameaça/coacção/violação-inaceitável-dos-meus-direitos-de-liberdade-de expressão (sou uma coitadinha, vítima do sistema, dos meus colegas de blogue, de toda a gente e de tudo menos das minhas próprias escolhas – a lengalenga do costume) do Hirudoid venho aqui pronunciar-me sobre a problemática da existência do salário mínimo. Que não é “problemática” nenhuma: nunca vai deixar de existir salário mínimo em Portugal, logo mais vale dedicar-me à leitura da Vogue americana de Dezembro (que já recebi, eh, eh) e não perder muito tempo com esta falsa questão. Além disso, das múltiplas distorções existentes no mercado de trabalho português, parece-me que esta é das mais inofensivas. A protecção da incompetência vigente preocupa-me so much more.

Desta “problemática” digo o seguinte: concordo com o João Miranda e o jcd. O ordenado mínimo é pouco dinheiro? É, sim senhora. Mas infelizmente há quem não tenha qualificações para produzir o suficiente para ganhar esses quatrocentos e qualquer coisa de euros. Essas pessoas acabam sempre no desemprego – ou por fim de contractos a prazo ou por processo disciplinar ou por falência da sua empresa. E a função das empresas é ganhar dinheiro, não fazer caridade social. Isso fica para os empresários nas horas vagas.

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14 respostas a Serviços Mínimos

  1. panaxginseng diz:

    mmm…

    Oh Carmex… fiquei perplexo com algumas frases no teu uultimo paraagrafo: “…Mas infelizmente há quem não tenha qualificações para produzir o suficiente para ganhar esses quatrocentos e qualquer coisa de euros…” “…E a função das empresas é ganhar dinheiro, não fazer caridade social. Isso fica para os empresários nas horas vagas…”

    O que quer isto dizer?!?!?

  2. hirudoid diz:

    A Carmex anda definitivamente alterada. São as enchentes nas suas lojas pela época natalícia, é a popularidade bloga e é a vogue americana. Vai daí, que diz assim umas coisas pouco católicas e mais próprias para a boca de um construtor civil. Mas nós peroamos. Nós perdoamos sempre. Porque sabemos que ela não é sempre assim!

  3. panaxginseng diz:

    Nao me digas, que a Carmex, desde que se mudou, reserva para o nosso espaco a parte menos atenta da sua visao criitica das coisas, e saiem-lhe estas ideias telegraaficas!!!

    Fixo-me numa das frases: “…Mas infelizmente há quem não tenha qualificações para produzir o suficiente para ganhar esses quatrocentos e qualquer coisa de euros…”

    Ora deixa caa ver, como ee que se sabe se alguma pessoa produz o suficiente para merecer quatrocentos e qualquer coisa de euros? como ee que se calcula o que uma pessoa produz, marginalmente? mmm… a uunica forma seria de alguma forma, imaginar o que ee o produto marginal da pessoa que se estaa a considerar, e depois comparar com o salaario pedido… mas alguma empresa faz isto? Mais, porque iria uma empresa, no mundo real, fazer isto? Ah, ee verdade, a histooria da carochinha neoclaassica diz que as empresas maximizam o lucro num programa de optimizacao que toma tudo o resto como dado… mmm… as empresas sao wage-price takers… mmm… como ee que isto se pode ver ao niivel macroeconoomico, ah pois, com uma funcao de producao agregada (cobb-douglas, para simplificar), que uma vez manipulada algebraiacamente se pode transformar numa funcao de procura agregada de trabalho… pumba… ai temos, ladies and gents, o graafico dos “manuais” que mostra o efeito do salaario miinimo no mercado de trabalho total… assim mesmo, como se fosse o mercado das laranjas e nao um mercado de factores… como ee que isso ee possiivel? faacil, a tal funcao producao agregada cobb-douglas que era soo para simplificar atee, vejam bem, tens umas propriedades bestiais que possibilitam as empresas, fazerem estes caalculos de maximizacao do lucro tomando a taxa de substituicao teecnica entre capital e trabalho como… dada… ou seja, as empresas da histooria da caronhinha neoclaassica teem uma vida muito facilitada… muito diferente das empresas do mundo real… oh Carmex, tu na tua empresa, o que ee que tu maximizas? o lucro? ou as vendas de forma condicionada? e quando vais empregar uma pessoa adicional, fazes o caalculo da produtividade marginal dessa pessoa?

    Vamos laa a aplicar o nosso espiirito criitico a estas histoorias da carochinha tambeem!!!!!

    QUEREMOS UM POST MAIOR DA CARMEX!! QUEREMOS UM POST MAIOR DA CARMEX!! QUEREMOS UM POST MAIOR DA CARMEX!! QUEREMOS UM POST MAIOR DA CARMEX!! QUEREMOS UM POST MAIOR DA CARMEX!! FORA O ATLANTICO!!! FORA O ATLANTICO!!! FORA O ATLANTICO!!! FORA O ATLANTICO!!!

  4. farmaciacentral diz:

    QUEREMOS UM POST DO PANAXGINSENG SOBRE O SM!! QUEREMOS UM POST DO PANAXGINSENG SOBRE O SM!! QUEREMOS UM POST DO PANAXGINSENG SOBRE O SM!! QUEREMOS UM POST DO PANAXGINSENG SOBRE O SM!! QUEREMOS UM POST DO PANAXGINSENG SOBRE O SM!!

  5. farmaciacentral diz:

    É verdade!
    Estás metido em sarilhos ali nos comentários ao post de cima…

  6. Carmex diz:

    Queridos, eu ando algo atarefada, é verdade, mas João Pedro, João Pedro, pára de me difamares. Se reparares eu ainda só escrevi um post no Atlântico e se reparares já escrevi não sei quantos aqui. Por isso por favor pára com essas bocas.

    Quanto ao SM, desculpem lá, mas a única que está acostumada a pagar salários ed uma catrefada de gente ao fim do mês sou eu. E, de facto, não me ponho a medir a produtividade marginal de cada trabalhador, nem sequer me dei ao trabalho de construir uma função de produção para a minha empresa. Mas sei fazer contas de exploração, calcular break-evens e, sobretudo, percebo como os custos com pessoal (incluindo as contribuições para a segurança social) pesam nas pme´s. E também tenho experiência de pessoas absolutamente improdutivas, a todos os níveis da empresa (e algumas com salários muitíssimo superiores ao salário mínimo).

    Quanto ao dinheiro que as empresas devem ganhar, qual é o escândalo? É com o dinheiro que as empresas ganham que se pagam ordenados, impostos, a remuneração do capital (o lucro) e, se ganharem suficiente dinheiro até podem dedicar-se a mecenato social ou cultural. As empresas não servem para sustentar pessoas improdutivas, com risco de falirem e deixarem de sustentar até as pessoas produtivas.

    Termino referindo que há países bem mais ricos que Portugal que não têm salário mínimo. Pelos vistos não é preciso salário mínimo para as pessoas ganharem dinheiro.

    Desculpem lá, mas não aceito as vossas lições de moral.

  7. Carmex diz:

    Ah, e só mais uma coisa: não me vão começar com lamechices católicas sobre economia, pois não? É que para haver redistribuição social é preciso haver criação de riqueza, e as lamechices católicas costumam gostar de sistemas rígidos que só servem para empobrecer as populações. É por isso que eu não deixo de considerar que um estado liberal deve ter sistemas de protecção social.

  8. panaxginseng diz:

    Comecei a ler os posts que por aqui e por outros blogues se teem feito sobre isto, e reparo: (i) numa data de “cheerleaders” que chamam esquerdistas ignorantes a todos aqueles que “nao reparam no oobvio graafico que aparece em todos os manuais baasicos de economia e que ee suposto ser um ponto de consenso da profissao”; (ii) nos posts do Joao Rodrigues que alerta para o facto de que a histooria nao ee bem assim, e que os mercados de factores sao muito mais complexos que os mercados do produto, e que se duuvidas ouvesse desta falta de consenso, aqui vao 5 “nobel”; (iii) nos posts do Daniel Oliveira, que nao sendo economista, faz muito bem em desconfiar de profissionais que nao apresentam uma histooria de trade-offs, mas antes se comportam como uma horda de “cheerleaders” de uma visao fundamentalmente limitada pelo facto de que, na escola, muitos outros “cheerleaders” se esqueceram de lhes dizer que a histooria da carochinha neoclaassica ee um convite para continuar a aprender… (iv) reparo na quantidade daqueles que se apressaram a perguntar quem afinal, nestas trocas de comentaarios e posts, ee economista!!

    Meti-me eu entao a fazer comentaarios, mas falhei miseravelmente e fiquei tao irritado que nao repeti os textos… o sacana do meu vizinho, poe-se a mandar e-mails, e corta-me aqui o acesso ao wireless dele…

    Temo que o problema ee mais fundamental do que simplesmente os SM…

  9. panaxginseng diz:

    Comecei a ler os posts que por aqui e por outros blogues se teem feito sobre isto, e reparo: (i) numa data de “cheerleaders” que chamam esquerdistas ignorantes a todos aqueles que “nao reparam no oobvio graafico que aparece em todos os manuais baasicos de economia e que ee suposto ser um ponto de consenso da profissao”; (ii) nos posts do Joao Rodrigues que alerta para o facto de que a histooria nao ee bem assim, e que os mercados de factores sao muito mais complexos que os mercados do produto, e que se duuvidas ouvesse desta falta de consenso, aqui vao 5 “nobel”; (iii) nos posts do Daniel Oliveira, que nao sendo economista, faz muito bem em desconfiar de profissionais que nao apresentam uma histooria de trade-offs, mas antes se comportam como uma horda de “cheerleaders” de uma visao fundamentalmente limitada pelo facto de que, na escola, muitos outros “cheerleaders” se esqueceram de lhes dizer que a histooria da carochinha neoclaassica ee um convite para continuar a aprender… (iv) reparo na quantidade daqueles que se apressaram a perguntar quem afinal, nestas trocas de comentaarios e posts, ee economista!!

    Meti-me eu entao a fazer comentaarios, mas falhei miseravelmente e fiquei tao irritado que nao repeti os textos… o sacana do meu vizinho, poe-se a mandar e-mails, e corta-me aqui o acesso ao wireless dele…

    Temo que o problema ee mais fundamental do que simplesmente os SM…

  10. panaxginseng diz:

    Nao Maria… nao tem que ver com licoes de moral… mas do problema fundamental de olhar para como os mercados de factores (trabalho e capital) funcionam… e reparar, que a histooria passa a ser um pouco diferente…

    Como sao fixados os salaarios no mundo real?

    Repara como a tua frase acima implicava um histooria diferente, as empresas sao wage-price takers e empregam atee que a produtividade marginal do trabalho do profissional A seja igual ao salaario pedido pelo mesmo… daqui, se tira a conclusao, que para todas as funcoes cuja produtividade marginal estaa jaa pertinho do salaario miinimo, uma subida do mesmo vai resultar em desemprego… esta ee a histooria dos manuais, que nunca questionamos atee sermos obrigados… quando questionamos, ee uma vertigem de coisas que mandamos para o lixo a seguir…

  11. panaxginseng diz:

    Querida Carmex, eu soo queria provocar-te a fazeres um post mais longo… tens de perdoar, isto ee tudo medo do futuro desta nossa farmaacia sem a exclusividade da nossa ponta de lanca…

    Aqui vai entao um pedido de desculpas do teu Panxginseng!!!

    Voltamos ao assunto… nao Maria… nao tem que ver com licoes de moral… mas do problema fundamental de olhar para como os mercados de factores (trabalho e capital) funcionam… e reparar, que a histooria ee mesmo um pouco diferente…

    Como sao fixados os salaarios no mundo real?

    Repara como a tua frase implicava um histooria diferente, as empresas sao wage-price takers e empregam atee que a produtividade marginal do trabalho do profissional A seja igual ao salaario pedido pelo mesmo… daqui, se tira a conclusao, que para todas as funcoes cuja produtividade marginal estaa jaa pertinho do salaario miinimo, uma subida do mesmo vai resultar em desemprego… esta ee a histooria dos manuais, que nunca questionamos atee sermos obrigados… quando questionamos, ee uma vertigem de coisas que mandamos para o lixo a seguir… e uma deliicia a re-construir o que se pode, de facto, dizer sobre estas coisas…

  12. panaxginseng diz:

    Reparam agora como ee difiicil fazer posts com o meu vizinho a usar indiscriminadamente a internet que ele paga e que eu uso aa borla?!?!?

    Em consequencia das interrupcoes de sinal, laa estao em cima comentaarios repetidos…

  13. panaxginseng diz:

    Hehe… lamechices catoolicas sobre a economia?!?!? nao nao… nada disso… mas enternurece-me pensar que por momentos te tivesse passado pela cabeca que eu era capaz disso… talvez depois de fumar umas “plantas baris”…

  14. Pingback: Não sou economista « Farmácia Central

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