Cenário de recessão nos EUA mais provável com os bancos centrais de mãos atadas

  03.01.2008
Passaram apenas dois dias em 2008 e as expectativas para a economia mundial já se tornaram mais negras do que eram no final de 2007. Por um lado, a quebra mais forte do que o esperado nos indicadores de actividade na indústria norte-americana tornou uma recessão nos Estados Unidos (EUA) mais provável, por outro, a subida dos preços das matérias-primas, incluindo o petróleo, retirou ainda mais espaço de manobra aos bancos centrais para aplicarem as necessárias medidas expansionistas.


Ontem, ficou a saber-se que o índice ISM para a indústria dos EUA caiu pela primeira vez em quase um ano para um valor inferior a 50 pontos. Ficar abaixo desta barreira significa uma contracção da actividade. As con-dições mais difíceis de recurso ao crédito e a perspectiva de um abrandamento do consumo são as explicações dadas para este resultado. É por isso normal que vários analistas, citados pelas agências de notícias internacionais, tenham ontem reconhecido que um cenário de recessão na maior economia do planeta é agora mais provável.
Na Europa, a situação também não é fácil. O índice industrial calculado pelo Royal Bank of Scotland caiu na zona euro durante o mês de Novembro, atingindo particularmente países como a Alemanha ou a Espanha. Perante este cenário, tanto nos EUA como na Europa, uma descida de taxas por parte dos bancos centrais seria útil para evitar uma recessão. O problema é que as autoridades monetárias dos dois blocos vêem-se neste momento forçadas a enfrentar, ao mesmo tempo, o abrandamento económico e a ameaça da inflação. Os futuros do petróleo superaram, durante o dia de hoje, a barreira mítica dos 100 dólares nos EUA, o que faz agravar as pressões inflacionistas e retira espaço de manobra aos bancos centrais. Em resultado destas ameaças, ontem, quer na Europa como nos
EUA, as bolsas reagiram, de uma maneira geral, em queda.
As boas notícias do dia para a economia mundial acabaram por vir da China. Não só o gigante asiático deverá, em 2008, pelo sexto ano consecutivo, crescer a uma taxa superior a 10 por cento, como as suas autoridades estão finalmente a mostrar vontade de corrigir o valor da sua divisa.
Ontem, mantendo a tendência das últimas duas semanas, o yuan valorizou-se face ao dólar, colocando a subida dos últimos dois meses em 2,33 por cento, o ritmo mais elevado desde a revalorização repentina de 2005. Durante a totalidade de 2007, o yuan apenas subiu 6,86 por cento face à divisa norte-americana.
A intenção de Pequim, ao deixar que a correcção aconteça, é a de contribuir para o arrefecimento da economia, que se arrisca neste momento a ser penalizada pela inflação excessiva. Mas quem também ganha são os EUA e a Europa, cujos responsáveis políticos, durante o último ano, não se têm cansado de protestar contra o que consideram ser uma vantagem injusta das empresas chinesas. Washington e Bruxelas, numa tentativa de defesa à competitividade das suas empresas, tentaram convencer Pequim, até com ameaças de aplicação de medidas proteccionistas, a deixar a sua divisa subir livremente. No entanto, na China, nunca abdicaram do sistema de câmbio parcialmente fixo ao dólar que vigora desde 2005 e apenas admitiram aplicar, no futuro, correcções mais acentuadas.
É isso que, agora, parece estar a acontecer, o que pode constituir uma ajuda preciosa para uma economia mundial cada vez mais sob ameaça da recessão.
 

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