Alcochete, parte 34

Além das questões técnicas e financeiras já avaliadas no estudo do LNEC, a decisão por Alcochete (apesar de ser no deserto e implicar concerteza obras de engenharia de ponta adequadas a tais solos arenosos) foi bem tomada pelas seguintes razões:

1) Permite uma construção faseada do aeroporto, mantendo numa primeira fase a Portela em funcionamento. Claro que o governo jura que o aeroporto é para ser construido todo de uma vez e a Portela desmantelada o mais rapidamente possível(o que me leva a perguntar o que quererão fazer com aqueles terrenos) e que o governo não aprende com os erros – anunciou com a decisão de Alcochete uma nova ponte sobre o Tejo (mais investimento público!) com a localização Chelas-Barreiro, assim sem mais nem menos, como se tivessem visto (again) numa bola de cristal qual a melhor localização para a terceira travessia, sem qualquer coordenação com o aeroporto e o traçado do TGV – mas também é verdade que se a pressão da opinião pública e do PR for muito forte o governo cederá novamente.

2) A decisão por Alcochete é sempre melhor do que a da Ota, que estaria esgotada entre vinte e quarenta anos depois de entrar em funcionamento e sem capacidade de expansão, o que implicaria novo aeroporto. Alcochete tem uma maior capacidade de crescimento, logo é uma solução mais durável, mesmo que o investimento seja feito nos maus moldes pensados para a Ota.

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6 respostas a Alcochete, parte 34

  1. hirudoid diz:

    Mary, o localização anunciada para a TTT é a sugerida e analisada pelo estudo do LNEC.

  2. Carmex diz:

    Ah, não tinha percebido isso. Em todo o caso ouvi ontem prof. Viegas do Técnico comentar que ficava desalinhada com o trajecto do TGV e, logo, obrigaria a outra travessia ferroviária.

  3. Manuel Pedro diz:

    Caros farmaceiticos
    O professor Viegas é a pessoa mais troca tintas de todo este longo processo. Se forem ver o que este sujeito disse ao longo dos últimos 10 anos viriam que é dos eng civis deste pais que mais mudou de opinião. É verdade que ele fala bem. Mas já foi a favor da Portela+1, depois foi a favor de Rio Frio, depois aceitou a OTA, depois inventou uma localização em Poceirão (não viável) e finalmente foi a favor de Alcochete. Por isso, não liguem muito às opiniões deste eminente professor do técnico.

  4. Manuel Pedro diz:

    Carmex,
    a questão do esgotamento da OTA não é assim tão evidente. É verdade que o CTA tem mais capacidade de expansão, mas duvido que a capacidade da OTA não fosse suficiente para o país.
    Pessoalmente poderei ser beneficiado com a localização no CTA, mas o que estou a tentar dizer é que a opinião pública está a ser manipulada em todo o processo.
    Da leitura que fiz do relatório é que ambas as localizações são possíveis e ambas têm pros e contras. Pareceu-me que o relatório foi propositadamente tendencioso ao valorizar mais uma localização em relação à outra localização. Isso facilitou a vida ao governo ao peritiu dizer que a escolha foi Técnica e não Política.

  5. hirudoid diz:

    Concordo inteiramente. Acho que o artigo do João Miranda que o João Pedro aqui linkou é muito assertivo. Em termos gerais o CTA parece ser melhor do que a OTA mas a verdadeira mais valia dele pode não ser aproveitada se se quiser apenas fazer a OTA em Alcochete…
    Parece-me que o CTA é verdadeiramente melhor para uma solução progressiva em que se vá de uma Portela+1 par um Alcochete em pleno. Mas tenho a sensação de que esso não vai ser a decisão deste governo. Talvez venha a ser corrigido pelos próximos. E esta é também outra vantagem do CTA, a sua versatilidade permitirá, quiçá, resistir às gurras do bloco central!

  6. Carmex diz:

    Manuel Pedro, estás a distorcer claramente as opiniões do senhor, que por acaso me recordo de ouvir desde há alguns anos e de considerar que colocava boas questões.

    De início lembro-me que defendia que devia ser estudada a opção Portela+1, sendo o mais um por ex. Alverca. Opinião perfeitamente lógica.

    Depois da apresentação há uns dois anos da solução Ota com todos os estudos (até aí o maior segredo nacional desde a descoberta do Brasil) ficou com algumas questões resolvidas e respondidas. Ouvi-o dizer isso, mas nunca o ouvi afirmar que afinal a Ota se revelara a solução perfeita e providencial, sendo que com o tempo se voltou a inclinar para um asolução no sul do Tejo.

    Tendo em conta que até ao estudo da CIP não teve meios para estudos aprofundados, parece-me muito normal que tenha ponderado várias opções.

    E eu também acho, sempre que discordo da opinião pública, que esta está a ser manipulada. Quando concordo, não há problema e as pessoas até são inteligentes.

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