Nem que fosse só pela Murphy Brown…

Sou uma devoradora compulsiva de séries televisivas e filmes de tribunal. Adam´s Rib, Inherit the Wind, Anatomy of a Murder, Presumível Inocente, Law & Order, The Cause, Ally Mcbeal, etc., etc., etc – a lista é (quase) infindável.

Nunca fui tentada pela advogacia nem pela possibilidade de ocupar um orgão de soberania como juíza. É necessário ter um tipo de personalidade muito próprio para desempenhar estas funções sem enlouquecimentos; pessoas com tendências obsessivas para questionarem procedimentos ineficazes ou com imaginação suficiente para considerarem todas as alternativas como possíveis (e, em consequência, serem incapazes de decidirem qual é a verdadeira) não dão bons juízes nem bons advogados. Também me parece que as pessoas que exercem estas profissões tendem a julgar mais pela legalidade do que pela Justiça (o que é muito perturbante), e eu de modo nenhum confundo Lei com Justiça.

As séries ou os filmes de tribunal são diferentes: a Justiça geralmente prevalece (ou, se não, é subjugada com estilo e grandiosidade); os advogados são brilhantes (e giros e bem vestidos) e preocupam-se em vencer os seus casos e satisfazer os clientes; sobretudo, estão pejados de dramas humanos, de confrontos de emoções, de situações-limite para o comum dos mortais, de personalidades peculiares com objectivos heterodoxos, de conflitos entre o resultado do sistema judicial e a Justiça. Têm movimento, drama e suspense q.b. e, a maior parte das vezes, bons argumentos.

A minha última descoberta foi o Boston Legal, com o James Spader, o William Shatner e, tarararã, a Candice Bergen, Murphy Brown herself, com uns anitos e uns quilitos a mais mas igualmente luminosa como uma das sócias principais da fancy Crane, Poole & Schmidt – sendo que ela é a Schmidt – de Boston.

James Spader é um advogado que não hesita em recorrer a métodos traiçoeiros para ganhar o caso aos seus clientes, no que é geralmente bem sucedido mesmo quando os clientes não o merecem. Uma forte amizade, construída na série televisiva de onde se decidiu fazer o spin-off Boston Legal, liga-o ao sócio principal da sociedade de advogados – o lendário e reconhecido como genial e o preferido pelos clientes mais importantes quando há necessidade de irem a tribunal Denny Crane. O problema é que Denny Crane, o meu preferido, desconfia-se que tem Alzheimer ou (desconfia ele) a doença das vacas loucas; aos setenta e dois anos passa metade do tempo sem se lembrar dos casos e dos clientes e a outra metade a defender o seu credo (a posse de armas pelos cidadãos, o perigo dos comunistas e similares) e a comentar os seus casos amorosos ou meramente sexuais, em especial os acontecidos com as mulheres dos seus clientes e com a Shirley Schmidt.

O resultado é divertido e seriously entertaining.

Agora que talvez vos tenha deixado com a pulga atrás da orelha, vou ver mais um episódio da segunda série em dvd…

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