O fascista do Bush

Na quinta-feira da semana passada estava eu em Frankfurt numa viagem de trabalho, sozinha e adoentada, tendo despachado quase todo o trabalho no dia anterior, e decidi ficar até mais tarde no quarto do hotel, a saborear aqueles pequenos almoços fantásticos (com um delicioso bircher muesli) que substituem também o almoço. Calhou a CNN ter um directo da conferência de imprensa de George W. Bush e Mahmoud Abbas na Autoridade Palestiniana, com reposição de algumas cenas da chegada de Bush e do recebimento pelo Presidente da Autoridade Palestiniana.

Eu – como de resto toda a gente – espero que se consiga alcançar um entendimento que restabeleça a paz perdida em 1947, mas não é disto que quero postar agora.

O que me surpreendeu naquelas imagens foi o bom relacionamento que era visível entre Bush e Abbas – pela falta de tensão quando conversavam entre si, pela linguagem corporal descontraída, pelo ambiente ligeiro que conseguiram criar. Recordei-me, depois disto, como Bush tem uma boa relação pessoal com Tony Blair e com Putin.

Qualquer pessoa que precise de estabeler contactos profissionais com outras entidades ou de negociar com elas sabe a importância de uma boa relação pessoal entre os intervenientes e como ela pode ser decisiva para desbloquear situações complexas, impulsionar um esforço extra que resolva diferendos a contento de todas as partes, estimular a creatividade quando as soluções usuais são difíceis de implementar. O que na minha insignificante dimensão é verdadeiro torna-se essencial em qualquer negociação entre-estados. Haver empatia e confiança entre os negociadores para se fazerem concessões acreditando que estas serão nos dois sentidos é obrigatório.

Para alguns a capacidade de citar Tocqueville e Rousseau é condição suficiente para se ser um grande presidente dos EUA; ou, na falta de Tocqueville e Rousseau, pelo menos que seja David Hume ou Platão; fora disto só há obscurantismo. (Um Presidente que cite – ou, ainda mais degradante, que leia – a Bíblia constitui o mais aflitivo drama vivido nos EUA depois da Guerra Civil.) Contudo eu inclino-me mais para os benefícios de um Presidente que tem capacidade de estabelecer boas relações pessoais com outros cujos objectivos são conflituantes ou paralelos.

Tenho a convicção que dentro de uns anos será reavaliada a verdade revelada que existe actualemte sobre a inépcia de George W. Bush.

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6 respostas a O fascista do Bush

  1. Só Maria diz:

    a isso só posso dizer que espero bem que sim, embora daqui a uns anos essa reavaliação já de pouco vá servir, mas ficará pelo menos o esclarecimento. a presidência de Bush ficará na história, mas por todas as piores razões… acho que é mesmo um caso a avaliar pelo guiness! 🙂

  2. Carmex diz:

    Pois, Sò Maria, na minha opinião essa é uma daquelas certezas da opinião pública que muito provavelmente está errada. Claro que há muito a criticar, mas sinceramente se posso ver alguma incompetência, não vejo a ignomínia que é moda atribuir a Bush. E repare o que se disse de Nixon e de Reagan, que chegamos à conclusão agora que até nem foram nada maus presidentes.

    E discordo totalmente: reavaliar permite conhecer melhor a história e dá-nos oportunidade de aprendermos com os erros do passado. Claro que há quem nunca aprenda, e este caso de anti-americanismo europeu é bem sintomático disso mesmo: os mais escandalizados com Bush são exactamente os mesmos que há umas décadas louvavam a URSS e as suas virtudes quando comparada com os EUA. E nem pense que vai passar com a saída de Bush; eu recordo-me muito bem o que se disse de Clinton pela intervenção na Jugoslávia ou quando bombardeou o Sudão por causa da Al-Qaeda; o próprio Clinton reconhece que teria invadido o Iraque como fez Bush.

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  4. panaxginseng diz:

    “Alguma incompetência”?

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