Eng.º Ferreira do Amaral, o ganancioso (segundo as virgens ofendidas do regime)

Recomendo vivamente a leitura do post  A Lusoponte, O Concedente e os Outros do JCD no Blasfémias (não consigo o link só do post).

A memória, tantas vezes, é uma coisa muito entediante que não dá vontade nenhuma de ter, não é?

Não vou insultar a inteligência dos nossos queridos leitores relembrando que a Ponte Vasco da Gama foi construída por um privado só porque o Estado Português lhe deu compensações que pagavam e rentabilizavam o investimento. Lamento a desilusão, mas não é função de empresas de construção civil fazerem caridade ao povos pobres da West Coast da Europa. Também não vou perder muito tempo com a decisão populista do esponjoso Guterres de não aumentar a portagem na Ponte 25 de Abril e das compensações adicionais à Lusoponte que isso implicou. Leiam o JCD, já recomendei.

Ferreira do Amaral deixou de ser Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações em 1995. Considerado, quase unanimemente, como um ministro competente: realizou a política de construção de infra-estruturas que Cavaco Silva considerava necessária na sua década de governação – e que de facto devia ser uma muito boa política, afinal por muito que fale em qualificação e planos tecnológicos o governo socialista de Sócrates vem agora relançar o crescimento português com base em grandes obras públicas – e geriu os enormes fundos comunitários para essas obras sem que casos de corrupção ou de desvio ou de mau uso tenham sido identificados.

 Numa rápida pesquisa que fiz – onde só o período entre 2003 e 2006 não ficou explicado – Fereira do Amaral depois de ter saído do governo foi deputado vários anos, candidato à CML em 1997, candidato à Presidência da República em 2001, esteve na GALP (presumo que neste período entre 2003 e 2006) e desde 2006 – onze anos depois de abandonar o MOPTC – é Presidente do Conselho de Administração da Lusoponte.

O que eu não entendo é porque carga de água não deveria ele ter aceite o convite da Lusoponte?! Não pode voltar a trabalhar em empresas dos sectores que tutelou? Tem que se dedicar à panificação ou a ser “empresário da noite”? Deveria candidatar-se a um lugar num clube de futebol e programar a velhice vestido com um confortável fato de treino?

Defendo como comportamento minimamente ético não se ocuparem cargos em empresas do sector tutelado num período de anos razoável depois de ocuparem cargos governamentais, excepto nos casos de regresso às empresas de origem (também não é muito sensato obrigar ex-governantes a mudarem de profissão de repente). No entanto esse período nunca poderá ir além dos quatro-cinco anos. No caso de Ferreira do Amaral passaram-se ONZE anos. Seguramente que o período de nojo já tinha terminado em 2006.

Eu sei que os governos de Cavaco Silva foram o melhor que nós tivémos, que a seguir foram só desgraças, mas é conveniente lembrarmo-nos que estes governos terminaram há quase treze anos. Se nos parecem mais próximos é só por uma questão de saudades.

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