Está visto que não me posso ausentar à sexta-feira…

Estive eu nesta sexta-feira a cirandar fora do escritório, com pouco tempo de acesso ao computador, e cheguei mais cedo a casa para preparar o maravilhoso repasto que ofereci à Cara-Laroca do Panax, que cá veio jantar (a quem eu avisei com veemência o perigo que é a continuação do Panax em Manila entregue a si próprio, a escovar os dentes todo o santo dia com aquela água envenenada que lhe está a transtornar o juízo e resulta em comportamentos de bullying a outros bloggers e até aos nossos comentadores residentes sempre que não se concorda com ele).

Quando num pequeno intervalo, hoje, nas exigências familiares do fim-de-semana me permiti vir ao blog, constato com espanto e horror que só o Panax veio picar o ponto ontem. Outrageous!

Mas enfim, o Panax picou o ponto muito bem, que o texto de Desidério Murcho é muito recomendável. Mas – pobre do Panax, que foi o único farmacêutico a portar-se bem na sexta – lá vai ser o objecto de mais umas tiradas pretensiosas da minha parte. Novamente sobre George W. Bush, esse facínora.

 Já escrevi repetidamente que me parece que dentro de uns anos as administrações Bush vão ser reavaliadas. Tal como aconteceu com as administrações Reagan e Nixon. (Só por acaso são mais dois presidentes republicanos, e o facto de serem considerados, pelo menos na opinião publicada, como não tendo estatuto para ocuparem a presidência dos EUA não tem, claro que não, nada a ver com a maioria de liberals vigente na comunicação social.)

Posso estar enganada, que a futurologia costuma embaraçar muitas pessoas respeitáveis. Mas penso que não. O que acho verdadeiramente espantoso é a certeza do Panax sobre o julgamento da História sobre George W., e ainda mais acho espantoso tendo em conta que estamos a avaliar decisões que envolvem resultados dos serviços de espionagem e contra-espionagem. É que geralmente os processos que levam à tomada de uma decisão da magnitude da invasão do Iraque recorrem a mais informação do que aquela que os impagáveis jornalistas têm conhecimento e caridosamente transmitem aos outros mortais mais comuns. Não reconhecer que não fazemos ideia da informação que Bush e Blair receberam (e assumir que a informação que tinham era apenas aquela que forneceram ao Conselho de Segurança da ONU é demasiadamente ingénuo; a informação mais valiosa é sempre aquela que não se pode divulgar para não expor as fontes), se a credibilidade que se lhe atribuíu foi justificada ou não, se a avaliação do perigo “Saddam” foi exagerada ou não com motivos propagandísticos, se a decisão foi prudente ou não perante o conhecimento que tinham do arsenal e das intenções iraquianas, (por fim chego à conclusão da frase) é adoptar-se uma postura supostamente de grande responsabilidade e muito sentido crítico mas, de facto, é somente cheia de ignorância. Estas informações valiosas vamos conhecê-las quando os documentos que as sustentaram deixarem de estar restritos, ou seja, dentro de décadas.

Mas pronto, o Panax já sabe tudo.

A reavaliação de Bush virá quando as consequências da guerra do Iraque se fizerem sentir com mais força nos países do Médio Oriente. A Jordânia, um país moderado, colocou-se debaixo da aba protectora dos States. A Fatah palestiniana quer cultivar as boas relações com a Casa Branca. O Líbano estava em processo de contestação à (talvez expulsão da) hegemonia síria até que Bashar Al-Assad decidiu que uns tantos assassinatos eram necessários para não perder totalmente o controlo do Líbano. Cedo ou tarde as populações – que não se deixarão enganar eternamente, por maior que seja a repressão – do Médio Oriente perceberão que os culpados pela miséria em que vivem são os seus governantes e não os States, e sobretudo os seus governantes pelos recursos que gastam no combate aos States. E quanto maior for a pressão americana, mais cedo este momento de ruptura ocorrerá.

 E nesse momento todos os jornalistas e todos os “espíritos-livres” garantirão que sempre simpatizaram com a atitude bélica de George W. Bush, que, na realidade, até tricotaram umas tantas meias que enviaram para os soldados americanos estacionados nas frias noites do deserto iraquiano.

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