4ª Feira de Cinzas

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« Ora suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser, pois Deus o disse, perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distinguimos logo os vivos dos mortos. Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: “Aqui jaz”. (…) Deu o vento, levantou-se o pó; parou o vento, o pó caiu: deu o vento, eis o pó levantado; parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: estes são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó; os vivos pó levantado, os mortos pó caído; os vivos pó com vento, e por isso vãos; os mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade: esta é a distinção, e não há outra. »

Padre António Vieira 

Sermão de Quarta-Feira de Cinzas

Igreja de Sto. António dos Portugueses, Roma, 1670

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