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Ver (e imaginar quando não se vê) os militares chineses a esmagarem manifestações de tibetanos reclamando a sua independência é-me particularmente amargo. Afinal eu gosto da China, por tradição familiar desde pequena que me sinto ligada ao Extremo Oriente, já lá fui em trabalho bastantes vezes, conheço tantos chineses tão simpáticos e tão likeable, admiro esta gente admirável (é propositado o pleonasmo) que com muito trabalho tem melhorado a sua vida (em alguns casos enriquecido) e transformado a China num país mais livre, que se nota mais liberdade nas ruas de Guangzhou do que na maioria dos países árabes ou na India. A minha tentação é socorrer-me da Pearl S. Buck com o The Good Earth e restante trilogia ou do The Bitter Tea of General Yen, esta peculiaridade na obra de Frank Capra. E argumentar que os orientais são assim, mais crueis; que o sistema de valores é diferente, que o cristianismo e a complacência que acompanha o mandamento do amor ao próximo (que até os não crentes assimilam) não tiveram oportunidade de penetrar as cabeças e os corações dos chineses; que o valor da vida humana tem medida diversa quando avaliada pelos cidadãos de um país com um quinto da população mundial.

A tentação é grande, porque sou parcial com a China. No entanto eu, que sou intransigente no repúdio aos ataques dos direitos humanos das mulheres e crianças em qualquer zona do globo, inclusivé aquelas que têm como tradição maltratar mulheres e, por vezes, crianças (e inclusivé a China por esta razão); que não aceito relativismos culturais ou tolerâncias multiculturalistas para desculpar esta supressão de direitos humanos, não posso usar o mesmo relativismo cultural para justificar um país que me é caro. O comportamento das autoridades chinesas no Tibete é abjecto. Eu desejava que não fosse ou que se pudesse atenuar com uma desculpa provável. Espero que dentro de alguns anos – fruto também de uma expansão económica que transforma a vida de cada vez mais chineses, promove elites e aumenta a exigência – o regime político chinês seja menos brutal.

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