Dedicando

O Pedro Lomba escreveu sobre a problemática e espinhosa questão das dedicatórias dos livros (e vale a pena ler, ou eu não o linkaria, por supuesto).

Outras dedicatórias a evitar poderiam ter sido referidas, que isto de confiar nos amores alheios é ainda mais traiçoeiro do que confiar na nossa própria constância (exceptuando os farmacêuticos, que são todos fieis pessoas de família). Lembro-me da dedicatória do Vile Bodies do Evelyn Waugh, que foi dedicado à Diana e ao Brian Guiness em 1930, tendo os beneficiários da dedicatória a ingrata ideia de se divorciarem dois anos depois, sem qualquer consideração pelos sentimentos do autor. Actualmente as edições do livro estão dedicadas à Lady Diana Mosley e ao Brian Guiness, e quem não sabe da história acha algo despropositado.

Já a amiga de Evelyn Waugh (e irmã da Diana Guiness/Mosley) Nancy Mitford – que dedicou também o seu último livro Frederick, the Great a Diana – dedicou o seu primeiro sucesso literário The Pursuit of Love a Gaston Palewski, seu amante e seu grande amor. Esqueceu-se, no entanto, que lá pelo meio do livro referia a Mme. Lamballe como amante de Fabrice, personagem inspirada no real Gaston que, de facto, havia sido amante da também real Mme. de Lamballe. Algo embaraçoso para o politicamente ambicioso Palewski, a quem a sua carreira de philanderer sempre prejudicou (e em França!).

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