Infantilização da Sociedade em Curso

Vem um pouco atrasado o prometido post sobre a nova proposta (ainda não concretizada) socialista para abandonar o divórcio litigioso. Ocorre-me, perante o já desvendado da proposta, o seguinte:

1. Esta malta de esquerda gosta de perder tempo com estas questões que nada fazem para melhorar o quotidiano dos cidadãos. Nunca lhes passaria pela cabeça propor recursos suficientes para pagar nos hospitais públicos os métodos de procriação medicamente assistida a casais inférteis ou a legislar bem para agilizar a adopção em Portugal e defender os interesses das crianças institucionalizadas (por vezes dos pais biológicos, que não as querem sustentar nem desistir definitivamente dos filhos). Mas lá para o aborto, para um divórcio escorreito ou para investidas jacobinas (lembram-se dos crucifixos nas escolas públicas, esses responsáveis pelo insucesso escolar?) têm sempre tempo e energia.

 2. Sobre a proposta em concreto. Desde logo a intenção, que é facilitar um mecanismo que dissolve famílias – a partir deste momento, sempre que o PS falar de incentivo à natalidade ou de política familiar estamos justificados se as gargalhadas nos levarem às lágrimas. Nem vale a pena fustigar o teclado com muitas palavras sobre isto. Claro que as famílias são importantes para a sociedade, claro que todos temos a ganhar com famílias estáveis e saudáveis, claro que é dever do Estado proteger estas unidades básicas sociais se não no interesse da felicidade individual pelo menos para resolver questões sociais (se as famílias conseguissem funcionar, não haveria tantas crianças e idosos em risco ou institucionalizados).

3. A vontade de retirar o conceito de culpa de um divórcio litigioso é tão infantilizador que quase faz corar. O casamento – que, recorde-se, não é obrigatório – pressupõe uma vontade de permanência da relação e deve seguir-se a uma decisão séria. Os socialistas não devem gostar que os cidadãos tomem decisões sérias; para os socialistas as pessoas não devem viver para estar à altura da sua palavra; para os socialistas se uma pessoa desrespeita aquele ou aquela com quem casou, se entretém a brincar com a sua vida, desilude quem nele ou nela confiou, não faz mal, não interessa mostrar que o Estado não premeia quem não soube viver de acordo com o que se propôs, o que é importante é passar uma mão pelo ombro a dizer “não te culpes; foste infiel o tempo todo, mas que mal há nisso; davas umas valentes sovas na tua mulher/marido, mas quem a mandou aguentar tanto?; extorquias-lhe o dinheiro que ganhava, mas, bem, nem toda a gente tem vocação para trabalhar; o que importa é que saias desta experiência sabendo que não és má pessoa e que qualquer um no teu lugar teria feito o mesmo”; para os socialistas não há responsabilização pelas nossas acções livremente tomadas; para os socialistas somos crianças que não percebem as implicações das decisões que tomam e devemos ser protegidos das decisões que tomámos no passado.

4. A oratória de Alberto Martins é insuportável. Segundo o Público, “”Temos a ideia de que, com esta solução, estamos a valorar a instituição do casamento e não a reduzir-lhe importância”, afirma ao PÚBLICO o líder parlamentar do PS, Alberto Martins. “É a concepção da conjugalidade assente nos afectos” e não nos deveres, explica, considerando que se “torna mau o casamento que se transformou em fonte de litígios”.” Ora quem é Alberto Martins para decidir que casamentos são bons e que casamentos são maus? Quem é Alberto martins para me dizer, caso eu seja uma gold-digger ou discuta com o meu marido todos os dias, que o meu casamento deve acabar? Mais do que o sentimento, o que interessa para estes governantes é a sensação; o que não nos dá prazer momentâneo deve ser eliminado, e depressa, independentemente das consequências que tal crie para terceiros; o dever, a persistência, a vontade de resolver conflitos e divergências não têm lugar neste mundo hedonista e irresponsável que os socialistas gostariam de criar.

5. O legado dos Governos Guterres foi a cultura de facilitismo, laxismo, recusa do mérito, incompreensão pelo brio e pela vontade de fazer bem qualquer coisa que se faça. O legado do(s) Governos Sócrates, a continuar esta senda destruidora dos nossos valores familiares (e uma vez que a despesa pública cresce saudavelmente), será o da cultura da irresponsabilidade no domínio de todas as relações pessoais (marido e mulher, mãe grávida e filho, pais e filhos, filhos e pais idosos,….). 

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Uma resposta a Infantilização da Sociedade em Curso

  1. sargenor diz:

    Em tudo concordo. Mas o que me impressiona mais é que uma vez que o casamento é por comum acordo (pelo menos pressupõe-se) como pode só uma das partes dissolvê-lo. Ainda por cima tendo actualmente um casal a hipótese de com o acordo das partes acabar com o casamento e claro uma vez que entraram os dois nisto se um não estiver de acordo, em litigioso. Parece-me isto tão óbvio que nem consigo reagir.

    Além de que a possibilidade de apenas uma das partes se querer divorciar, implica à partida que a outra não está de acordo, e, como é evidente, como entrarão em acordo em todos os outros assuntos pendentes, que como se imagina devem ser alguns, pois a vida em casal tem mais implicações que os afectos.

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