Eurocentrismo

Hoje fui almoçar com um colega farmacêutico (que pediu para permanecer no anonimato) (e já agora deixem-me contabilizar: eu sou com certeza a farmacêutica que mais vezes almoça com os seus colegas e ainda janto todos os dias com o Borostyrol…) e tivémos – como é costume – uma conversa muito interessante. Dizia-me ele que a Europa tinha ganho com o empalidecer da dominância americana mundial, resultante do imbróglio iraquiano (a minha formulação é livre mas fiel ao que foi dito, apesar de também haver da parte do nosso amigo a consciência viva do declínio europeu). Eu discordo e penso que é uma falácia em que muitos que tão militantemente contestam as políticas americanas (não necessariamente o caso do nosso colega) caiem com facilidade. O enfraquecimento americano deve preocupar os europeus, não alegrá-los. A estrela europeia é mais uma supernova do que uma estrela-anã. Os americanos (por hábito, por tradição, por preguiça, por benevolência, por snobismo ou sabe-se lá porquê) ainda atribuem alguma importância aos europeus – até perderem de vez a paciência, entenda-se. Os europeus querem estar seguros mas não querem pagar a sua defesa nem enfrentar os problemas nas zonas planetárias que causam a sua insegurança dentro de portas (e, num mundo globalizado, dentro de portas é quase todo o lado); os EUA são vistos como o primo afastado e novo-rico que tem como obrigação sustentar os dispendiosos hábitos familiares enquanto sofre (de bom grado, desejavelmente) as desconsiderações dos membros da família com pedigree; dito de outra forma, a Europa considera que os EUA devem fazer o seu trabalho sujo enquanto recebem lições de moral (como com a História Europeia tivéssemos lições  a dar a alguém) dos entediados europeus sobre Guantánamo. Quando os americanos começarem a contar um bocadinho menos em termos geoestratégicos (e o tempo que ainda falta…), os seus herdeiros andarão lá pela Ásia, nas populosas China e India. E, a essas, interessa ter boas relações com os EUA. Com a Europa é só se calhar bem na altura.

(Novamente, com a devida vénia ao Henrique Raposo.)

E, colega anónimo, sentimos muito a sua falta aqui no Farmácia! Apareça brevemente!

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