Coisas que nunca deixam de me surpreender

Duas coisas muito díspares:

1. Que as pessoas que sabem sempre tudo sem margem para dúvidas – e, pensando bem, também me surpreende sempre que estas pessoas existam e continuem a acreditar em si próprias – tenham tanta dificuldade em ler os textos dos outros: ou não percebem o que lá está ou percebem o que lá não está.

2. Como as pessoas que não têm grandes pressões económicas falam desdenhosamente de poupanças que podem ser muito pequenas mas que são tão mais importantes quanto menores os rendimentos dos que as conseguem. Deixem-me contar uma coisa: tenho uma empresa que tem umas lojas e as pessoas que trabalham nas lojas são, dentro da empresa, as que têm ordenados mais baixos. Tenho, ainda, o habito de tratar estas pessoas como pessoas; não pretendo ser amiga íntima nem gosto de excessiva familiaridade (eu gosto de alguma diferença de tratamento nas hierarquias) mas costumo saber como vai a vida: as doenças e as notas dos filhos, os desgostos de amor, etc. Além dos ordenados pagamos prémios de produtividade, que dependem dos objectivos alcançados por cada grupo. Os constrangimentos financeiros são de tal ordem que qualquer prémio de umas dezenas de euros é visto como uma benção. Mas, claro, é perfeitamente indiferente para pessoas com estes níveis de rendimento (ou mais baixos) poupar uns 40 ou 50 euros por ano. Afinal para que servem (para nós, confortáveis na vida) mais uns 40 ou 50 euros por ano?! Mais valia, sem dúvida, o IVA ter ficado nos 21%. (É muito preocupante quando José Sócrates acerta mais do que tantas outras pessoas.)

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5 respostas a Coisas que nunca deixam de me surpreender

  1. Rui MCB diz:

    Eu acho que Sócrates teria acertado mais se fosse por aqui que lhe parece?

  2. AAC diz:

    E outra coisa ainda mais díspar: quer continuar isto: http://aac-confidencias.blogspot.com/2008/04/meme-literrio.html? Ficava-lhe agradecido.

  3. Pingback: Eu, por mim, não os quero a gerir o dinheiro dos meus impostos « Farmácia Central

  4. Carmex diz:

    Caro Rui, bem-vindo aqui ao Farmácia. Não, não concordo. O complemento social para idosos é uma boa medida, mas os recursos terão que se encontrar noutro lado. A carga fiscal em Portugal é imoral e deve ser reduzida. Isto só por si é uma medida de justiça social. Além disto, há o compromisso de descer o IVA desde 2002. E era o que faltava não haver descida porque esta descida foi apenas de 1%! Claro que é pouco, mas em todo o caso melhor que nada. O que se diria se o Governo tivesse decidido aumentar 0,5% da taxa de IVA? Quanto aos efeitos, claro que far-se-ão sentir. Quando a taxa de IVA subiu de 19% para 21% também muitas empresas não subiram os preços – é que o comércio e os serviços não estiveram na melhor forma neste anos; eu falo pela minha empresa nesta questão do IVA. Em todo o caso, o sabonete que ficou mais caro é provável que embarateça um bocadinho (há concorrência no mercado dos sabonetes). Além disto, as empresas terão mais folga, uma vez que as suas fornecedoras (de produtos e serviços)
    lhes cobrarão menos IVA – o que é bom para toda a gente. Em último lugar, não é de desprezar o efeito psicológico que esta medida tem.

  5. Carmex diz:

    André, boa tarde! Bom desafio! Vou já responder.

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