Sou eu que sou picuinhas ou escrever este texto revela que não se quer perceber?
Quanto ao choque e à revolta pelos casos de pedofilia nos Estados Unidos e consequente protecção de padres pedófilos pela hierarquia norte-americana claro que não questiono as palavras do CAA.
Mas no resto… Bem, em primeiro lugar, é bom verificar que CAA se juga na posição de definir quem é liberal ou não – significativo… que isto do liberalismo é como no comunismo, não pode haver variantes (perdão, traições ao movimento operário), temos todos que ter as opiniões iguaizinhas, ou corremos o risco do grande timoneiro publicamente denunciar a nossa blasfémia e – sempre que possível – enviarmo-nos para um saudável e arejado campo de reeducação onde aprendamos a repetir sem cessar que a religião é o ópio do povo (o que, de momento, está em alta).
Em segundo lugar, a Igreja norte-americana pagou indemnizações mais que devidas às vítimas de pedofilia. Comparar isso a vender indulgências é uma grosseira má-fé.
Em terceiro lugar, claro que é um escândalo Bento XVI não ir a Boston. Devia ir, pois sim, e levantar os seus paramento e deixar-se açoitar por todas as vítimas (que se calhar nem querem ser identificadas, mas o bem maior a isso obriga) de pedofilia em público. Isso e apenas isso faria sarar os traumas das vítimas e só assim se alcançaria justiça. Agora pagarem 400 milhóes de dólares aos abusados, onde é que já se viu… E, numa tentativa patética de impedir que a vergonha se repetisse, dificultar o acesso de homossexuais ao sacerdócio – que disparate!
«é bom verificar que CAA se juga na posição de definir quem é liberal ou não »
Nada disso. Não tenho essa presunção.
Mas o que dizer perante gente que jura que Salazar é o nosso modelo de liberalismo?
Já agora, porque não Hitler ou Estaline como grandes liberais?!
Não quero definir doutrinas ou nelas situar pessoas – mas há limites.
De entre os muitos tipos de liberalismos que existem, Salazar ou qualquer outro ditador extravasam o conceito.
É só isso.
ah ok… o dinheiro apaga a colaboração e o silêncio claro… nada mais “liberal”.
CAA, assim de repente o único que confunde liberalismo com salazarismo é o Pedro Arroja. E sinceramente nem sei se ele se considera liberal, na minha opinião quer ter uma escola de pensamento só dele, sem companhia. Mas se era a isso que se referia, então concordo.
E volte sempre, que nós gostamos de boa companhia.
Caro Pedro Fontanela, bem-vindo aqui ao Farmácia. O dinheiro não apaga nada, nem a Igreja, tanto quanto sei, tenta neste momento apagar o que se passou; pelo contrário, está a enfrentar com dignidade uma página negra, negra da sua história; no entanto a indemnização é uma forma de compensar as vítimas. Se as próprias não pensassem assim não teriam recebido a indemnização. Mas, repito, claro que isso não apaga nem o crime nem o pecado.
Carmex,
Vamos chamar as coisas pelos nomes… em nada foi abordado o assunto central de tudo isto. Justiça (e o dinheiro nunca será equivalente a isso – é apenas uma forma de calar os media e enterrar um pouco os contornos do caso). A farsa que a Igreja anda a tentar passar iliba de toda e qualquer responsabilidade todos os que encobriram (e ainda encobrem nos países onde a coisa ainda não foi denunciada) este escândalo durante décadas, e isso inclui o actual papa.
Achei a sua piada a essa conotação homossexual-pedofilia, do melhor da idade média mesmo… sei que pareço um daqueles tipos de bigodes que anos 70 agitavam bandeiras do PC quando digo coisas destas mas tenho que o fazer porque é verdade… vocês são reaccionários! Além de que isso é calúnia e fraude, depois queixem-se se apanharem com um processo em cima.
Nota ao último comentário… agora que reli o post penso que não li bem o último parágrafo, a ser esse o caso as minhas desculpas pelo meu “rant” da tal conotação.
Pedro, vamos lá por partes:
1. O que aconteceu com os casos de pedofilia foi horrível e agora o que se pode, em termos de Justiça, é condenar os abusadores, indemnizar as vítimas e por todos os meios procurar que nada disto se repita.
2. Não sei de casos de pedofilía, se soubesse denunciava-os. Pela minha experiência, e andei em colégios católicos, nunca fui abusada nem percebi que tal acontecesse a outros. Se o Pedro sabe de mais casos, deve também denunciar.
3. Claro que pedofília não se confunde com homossexualidade; nos casos norte-americanos, no entanto, os abusos foram sobretudo homossexuais.
4. O meu último parágrafo é irónico. Claro que este Papa não teve culpa nenhuma no sucedido, tal como não teve o anterior e tal como a esmagadora maioria da hierarquia católica não teve culpa pelo que uns tantos criminosos fizeram. Acho eu que é um conceito moderno considerar os indivíduos responsáveis apenas pelos seus próprios comprtamentos, não os da sua religião, raça, sexo, orientação sexual, etnia, etc. Mas se calhar sou eu que sou medieval.