Quando anunciaram, há três anos, que o próximo Papa seria Joseph Ratzinger, não tentei sequer esconder o meu desagrado, proferindo frases pouco próprias para serem aqui reproduzidas (ainda assim não cheguei ao ponto de soltar um sonoro m****, como sucedeu com um certo sacerdote). A minha opinião foi entretanto sendo suavizada. Ratzinger fora o coordenador desse documento notável que é A Intrepretação da Bíblia na Igreja, de 1995, onde é perceptível uma enorme inteligência, uma desconcertante abertura para a liberdade da investigação científica (que é querida e acarinhada), um gosto por se responder a questões (aparentemente) difíceis da Bíblia. Enfim, quem coordena aquele documento não é nenhum tonto, por muito conservador que seja. De seguida, a primeira encíclica de Bento XVI centrou o seu pontificado no que é mais importante, de facto no que é fundamental e criador, no cristianismo. Acresce a tudo isto Bento XVI ser saudavelmente pouco mariano quando comparado com o antecessor.
Agora, com a viagem aos Estados Unidos e a forma como Bento XVI tem enfrentado os escândalos sexuais que enfraqueceram a Igreja norte-americana, informo que o considero muito corajoso.
O facto de haver eleições e ele ter relembrado em que se deve votar é uma coincidência? Ou também é mais um acto corajoso? 🙂
Bento XVI tem feito bem em não se envolver nos issues das eleições americanas, mas isso já é “só” matéria de bom senso, não de coragem, eh, eh.
Joseph Ratzinger, Zé Rato como é carinhosamente conhecido cá em casa, tem uma qualidade que faz dele o primeiro Papa pelo qual tenho algum apreço. Não gosta de mouros!
O grande problema do Papa é que, antes de o ser, não tinha “boa imprensa”. Já li várias coisas escritas por ele, e dá para ver que é um homem de uma coerência e sapiência absolutamente extraordinárias (embora peque um pouco por falta de clareza).
A diferença de estilo para o Papa João Paulo II é notória, mas de qualquer forma, Bento XVI é o Papa certo no momento certo. A forma como ele tem tratado este caso de pedofilia é brilhante. Pelo estatuto que tem, o Papa podia ter-se limitado a uma breve referência a esse caso. Mas preferiu abordar o caso de forma explícita, e inclusivamente encontrou-se com as vítimas.
Para mim, esteve muito bem.