Pedro Passos Coelho

Tenho tido alguma dificuldade em ouvir e ler na totalidade as várias entrevistas recentes a Pedro Passos Coelho – parece uma maldição que sofri há uns bons anos e que se abatia sobre mim sempre que tentava ver um filme (pela primeira vez) do James Stewart que passasse numa das nossas estações de televisão; uma vez deixei a gravar o Mr Smith Goes to Washington e a cassete acabou quando o above mentioned Mr Smith desmaiou no chão do Senado, no meio do maior negrume e desânimo; outra vez programei o video para gravar o Rear Window; claro que o filme começou uma hora depois do previsto e eu vi os primeiros três quartos do filme. Mas se o PPC valer tanto a espera como o Jimmy Stewart, bem, temos homem, temos PM, temos PR, vamos já começar a esboçar perfis de PPC para cunhar nos nossos euros.

Dos fragmentos que ouvi e li, as ideias de PPC são uma refrescante surpresa. Tem um descomplexado discurso liberal e de centro-direita. Ataca as vacas sagradas do estatismo português como a CGD (que tem a incomensurável vantagem de permitir ao Estado, através dela, estar presente em sectores tão fundamentais para a soberania nacional como os sumos e o turismo), não defende um estado tentacular e que consome recursos enquanto asfixia a iniciativa privada, é articulado, agradável, sabe o que quer e o que tem para transmitir, tem muito boa imagem, vive para além da política, é apelativo a uma nova geração que não se revê nas várias variantes socializantes que nos têm governado nas últimas décadas (sendo que o país e o mundo não são os mesmos de há dez anos, pelo que a social-democracia e o socialismo eram mais compreensíveis então do que agora).

Fico a aguardar mais detalhes, mas até agora a candidatura de PPC traz novas ideias – é provável que seja a única – e um projecto diferente para o PSD. É uma gigantesca mais-valia nestas directas. Vai permitir uma escolha entre ideias e não apenas uma escolha entre pessoas (e personalidades, curricula, realizações, estilo de liderança, tec., tudo coisas muito importantes, sem dúvida, mas é conveniente uma boa embalagem conter um equivalente conteúdo). Juntamente com a candidatura de MFL, a de PPC torna este processo de directas interessante, clarificador e, quiçá, quiçá, regenerador.

Aproveito para me demarcar de todas as comparações que foram feitas entre PPC e Obama (que, incrivelmente, se pretendiam elogiosas, onde é que as pessoas estão com a cabeça). É uma grande injustiça comparar PPC a alguém tão postiço como Obama. E PPC é consideravelmente mais bonito.

Amanhã ou depois tentarei produzir alguns parágrafos sobre os restantes candidatos, o quase candidato e o que eu gostaria que fosse candidato.

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