Não me assumo!

Deixem-me revisitar este texto da Sargenor e levá-lo para maus caminhos. A mim poucas coisas me incomodam mais do que a hipocrisia ou (menos má mas de facto quase-quase tão má) a incapacidade de se assumir o que se é e o que se pensa. Claro que há assuntos que são indiferentes (ou perto) para cada um de nós e o melhor é não gastarmos energias nem alocarmos neurónios a pensarmos neles. Por exemplo, para mim, o hoquei em patins (que alguns me teimam em dizer que somos – ou fomos? – uma grande potência); não sei nada nem quero saber. E tantos outros assuntos. Não me interpretem mal: não é destes casos que quero escrever, muito diferentes daqueles (e que me interessam) em que as pessoas demonstram interesse, até paixão, revelam ter opiniões muito arregimentadas mas, depois, não gostam de ser conotadas com grupos com que partilham exactamente as mesmas opiniões. Isto por vezes é falta de honestidade, outras é desconforto em se associar a um grupo a que não se quer pertencer, apesar de terem tanto em comum.

Confesso que não tenho nenhum respeito por estes desconfortos, filhos tanto do preconceito como da falta de verdade que se aceita viver. Obviamente os argumentos são imensos e sempre em constante produção e mutação. O mais comum é: certas divisões não fazem sentido nenhum, estão ultrapassadas, a malta moderna rejeita-as. E, depois de as proferirem, os seus autores ainda se sentem na posição de olhar para os mais honestos com sobranceria.

Na política esta falta de verdade é comum. Ora vejamos, em sentido ascendente. Os novos projectos de partidos – MEP e MMS-Movimento Mérito e Sociedade – recusam definir-se de esquerda ou de direita e consideram a divisão obsoleta (isto apesar de o fundador do MEP defender política fiscal à esquerda do PCP). O PSD de Luís Filipe Menezes dizia-se de esquerda, mesmo nos dias em que defendia que ia desmantelar o Estado em seis meses; Manuela Ferreira Leite presume-se que não considere as categorias suficientemenete interessantes para se decidir por uma delas; Pedro Passos Coelho também já considerou a divisão esquerda/direita ultrapassada (o que lhe ficou um bocadinho mal), ao mesmo tempo que defende menos Estado na economia e se categoriza como liberal. Obama, o supremo político postiço, também se insinua centrista e capaz de congregar os “dois lados do corredor”, namora (com sucesso) os independentes centristas e, na realidade, tem o record de votações mais à esquerda do Senado.

Eu, com os meus modestos trinta e quatro anos, só tenho uma coisa a dizer a estas pessoas: ganhem juízo.

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