Será que ainda alguém tem dúvida sobre a militância jacobina deste governo?

Fala-se muito de uma hostilidade do Governo à Igreja. Não há real perseguição, mas sinais que alguns assim interpretam. O Ministério da Educação estrangula os colégios, ASAE e Segurança Social assediam creches e obras paroquiais, restringem-se os capelães, não se regulamenta a nova Concordata. Como tudo isto é feito sob capa formal e declarações pacificadoras, pode ter uma interpretação neutra. Agora porém é oficial: há mesmo um menosprezo pela fé católica.
JCN no DN.

Sobre esta brilhante lei do divórcio, ler também Paulo Marcelo nO Cachimbo de Magritte.

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20 respostas a Será que ainda alguém tem dúvida sobre a militância jacobina deste governo?

  1. Não seguir o catolicismo não é atentado a ninguém (tirando loucos varridos como o JCN)… aliás em boa verdade a concordata devia ser revogada unilateralmente pela sua inutilidade. Os acordos culturais a existirem inserem-se numa lógica de conservação do património e não na lógica de relação previligiada.

  2. PR diz:

    Uma coisa é não seguir a Igreja. Outra coisa é persegui-la, que é o que este Governo te feito.

  3. PR,

    Em que sentido? A sociedade não tem obrigação de se reger da forma que a Igreja gostaria.

  4. sargenor diz:

    E a Igreja não tem obrigação de se reger da forma que o governo gostaria…

  5. Sargenor,

    A Igreja tem a obrigação de respeitar as normas da República. Se não o faz arrisca-se a estar exposta às devidas consequências (assumindo claro que os políticos têm a coragem de ser consequentes).

  6. PR diz:

    Pedro Fontela,

    Correcto. A sociedade não tem de se reger da forma que a Igreja quer. Mas será que isso impede a Igreja de dar a sua opinião, de forma pública, para dar um rumo àqueles que nela acreditam?

    Quanto ao segundo comentário, tenho apenas uma pergunta:que consequências? Acabar com a Igreja? Multá-la? Mandar a ASAE fiscalizar a qualidade das hóstias?

  7. PR,

    Obviamente que nada a impede de exprimir as suas visões desde que não vão contra princípios básicos da República (uso exemplo para clarificar: se algum movimento religioso reclamasse direito a discriminação racial e a incitamento à violência racial – eu sei que não é o caso, o exemplo é hipotético – então não poderia escudar-se atrás da sua liberdade religiosa. A igualdade é algo consagrado na constituição e nada pode intrometer-se entre um cidadão e um direito fundamental). A pena de cada infracção tem que ser proporcional ao que foi feito mas em casos extremos pode ir a sanções elevadas e mesmo à extinção em território nacional, que é exactamente o que se faz a qualquer organização que opere fora da legalidade.

    Dito isto temos que reconhecer que a Igreja não faz um discurso para o interior. Faz um virado para a sociedade (convencida de que as ovelhas ainda lhe devem obediência) em que cada vez que se corta um nó que os une forçosamente ao catolicismo cai o Carmo e a trindade. Fala-se de perseguição deste governo mas onde está ela? Há cerimónias religiosas nas ruas, o uso de símbolos religiosos é livre, todos podem juntar-se a qualquer movimento religioso (e relembro que o catolicismo açambarca privilégios que mais nenhuma outra religião tem), ninguém é inquirido sobre as suas crenças religiosas ao entrar na função pública, etc, etc. O que realmente se tem feito é deixar de associar a religião privada de cada um ao catolicismo, percebo que isso afecte o ego da hierarquia mas em nada foram abusadas as liberdades religiosas. Se algo, estas medidas pecam pela moderação em vez de preferir uma reforma mais completa.

  8. PR diz:

    Pedro Fontela,

    Está enganado e, ao mesmo tempo, profundamente cegado pelo seu laicismo.
    Comparar uma opinião da Igreja sobre uma situação política a um incentivo à discriminação racial (ainda que hipoteticamente) é desproporcionado e perigoso.

    Quanto ao facto de a Igreja fazer um discurso virado para a sociedade, devo dizer-lhe que não vejo nisso um problema. A Igreja faz o discurso para quem a queira ouvir. Não impõe esse discurso a ninguém.

    Quer exemplos de perseguição à Igreja? O artigo de JCN acima citado (se lido no seu todo) fornece-lhe bastantes.

    E está enganado num outro aspecto. Não se deixou de associar a religião privada de cada um ao catolicismo. Impôs-se, sim, uma nova religião – o laicismo – que deve ser estendido a toda a sociedade, restringindo a liberdade dos que não querem ser laicos.

  9. PR,

    Com todo o respeito em nada do que diz desmente uma virgula daquilo que eu disse. Não há nenhuma liberdade religiosa ameaçada, o que deixou de ser norma é aceitar que em matérias religiosas a Igreja tenha o voto decisivo. Acertadamente percebeu-se que cada pessoa é perfeitamente competente para fazer as suas escolhas.

    Quando falo de um discurso para a sociedade não falo no sentido de ser aberta ao que se passa fora dela e a novos membros… falo de no fundo ao ler qualquer documento da Igreja ficar bastante claro que ainda não perceberam a diferença entre a população em geral e os católicos em particular e o conceito de pluralismo religioso – tudo é filtrado de forma egoísta pelas suas necessidades sócio-políticas. Quanto aos exemplos do texto, vou só falar do que a Carmex citou: Na educação a Igreja quer um subsidio à sua educação privada o que é errado, se querem construir um modelo alternativo que o façam de forma sustentável, se querem fornece-lo a todos então sugiro que deixem de cobrar mensalidades milionárias. A ASAE peca na maioria das vezes por excesso pela sede de protagonismo do badameco que está à frente daquilo – e não afecta nem pouco mais ou menos os católicos de forma exclusiva, não há qualquer perseguição orientada. Os capelães neste momento eram o único credo subsidiado o que não há razão nenhuma para ser. Não sendo o estado religioso não faz sentido que esta confissão continuasse a ser privilegiada, cada um que peça a assistência religiosa que lhe parecer mais apropriada. Como vê em nada a liberdade de ninguém foi abalada. Quem quer catolicismo sabe onde encontrá-lo (ou outra fé qualquer), simplesmente deixou de fazer coercivamente parte da vida de todos.

  10. Um erro no meu texto, quando digo: ” Os capelães neste momento eram o único credo subsidiado o que não há razão nenhuma para ser.” quero dizer “os capelães católicos eram os representantes do único credo…”

  11. Carmex diz:

    Desculpem só agora chegar a esta discussão muito interessante, mas ontem estive arredada dos computadores.

    Pedro, parece-me que está a fazer alguma confusão com a posição da Igreja. Não há questão nenhuma sobre ser a religião oficial, ou não haver aceitação de outras crenças e organizações religiosas, ou até de haver um veto não-oficial mas efectivo da Igreja sobre as leis da República. Se os não crentes lêem estas posições nas interenções da Igreja ou dos católicos, estão a transportar os seus radicalismos para as opiniões dos outros.

    Agora não me parece razoável considerar a Igreja como uma religião igual a qualquer outra em Portugal: é a religião maioritária e tem uma obra social imensa, por muito que custe aos jacobinos. Não se confunde com nenhuma outra religião em Portugal. E a Concordata é um tratado entre dois estados, Portugal e Vaticano, que não trata apenas de religião. Como qualquer tratado entre dois estados deve ser respeitado, isto se queremos ser um estado respeitável.

    Quanto a questões práticas, claro que este governo tem sido um perseguidor da Igreja, como se percebe muito bem do discurso de vários socialistas. É a questão da concordata, foi a retirada do protocolo de Estado do Cardeal Patriarca (uma das primeiras medidas do Governo), é a assistência religiosa nos hospitais que é dificultada, foram as aulas de religião que têm horários absurdos, é agora esta lei que se assume como um distanciamento às crenças religiosas (é para isto que serve uma lei?!, independemente do seu conteúdo). E se é mau a ASAE atormentar empresas privadas, é absolutamente imoral que vá atormentar organizações de solidariedade social que prestam serviços a pessoas carenciadas e que se são multadas não sobrevivem e se fecham essas pessoas carenciadas são quem mais sofre. Isto não pode ser deixado em branco.

    Este governo, em vez de ir na direcção de respeitar a vivência religiosa de quem a tem e assegurar por exemplo assistência religiosa nos hospitais públicos para judeus, muçulmanos, protestantes, etc, e incluir no protocolo de estado os representantes dessas religiões, faz o contrário. E faz o contrário apenas porque estes governantes não gostam de religiões (em especial a católica) e querem dificultar a vida a quem gosta. A verdade é esta. Não há aqui nenhuma justiça, apenas um proselitismo ateu militante.

  12. Carmex,

    Primeiro parece-me muito claro que a Igreja não se vê como uma organização religiosa mas como um estado dentro do estado. Fala-se constantemente nos círculos católicos de impor as suas normas à sociedade (só se assim se entende a necessidade patológica de que as leis sejam um reflexo de doutrina católica em vez de permitirem a liberdade de cada um), de recatolizar a sociedade – dada esta situação é original virmos falar de projecções no campo ideológico…

    Ninguém nega que seja maioritária, mas isso não lhe dá direitos extra – é isso que significa igualdade. Tal como cidadão mais abastado não deve ser legalmente privilegiado também a confissão mais numerosa não pode ser beneficiada. E se queremos ser exactos convém dizer que o número de católicos praticantes é ridiculamente pequeno quando comparado com o número que a Igreja reclama como seus fieis – basta ir a uma Igreja para ver quantas almas lá andam. Depois o Vaticano não é um estado real; é um criação fictícia. A sede de uma religião que só tem uns quanto hectares porque em questões de unificação Italiana alguém achou simpático não deixar o papado sem casa – é um figura legal explorada até à exaustão mas em nenhum termo real poderia ser considerado um estado.

    Depois há que distinguir a birra que se tem com este governo das medidas neste campo que apesar de tudo não foram más – aliás são mais fogo de vista que outra coisa. Eu a sério que acho muito giro estas birras clericais e anti-clericais mas estou longe das considerar um assunto real. Quanto aos vários assuntos: O patriarca foi removido, óptimo. Para assuntos de estado não há necessidade de representação de líderes religiosos, e a haver teria que ser diversificada. A questão dos hospitais já respondi, ninguém fica proibido de receber o apoio religioso que quiser, o que deixa de se dar é um passe gratuito à Igreja – no fundo um mini feudo da assistência religiosa na saúde tal como nas forças armadas. A ASAE age de forma cretina para glorificar o ego do seu director e isso afecta todos e não só os católicos por isso reclamar isso como discriminação religiosa é um despropósito.

    Volto a dizer. Para mim isto é claramente uma questão de egos da Igreja e dos católicos que estão a perder a sua visibilidade e não estão a conseguir lidar bem com um modelo estatal de independência religiosa e pluralidade de opiniões – são falasas questões e falsos problemas.

  13. Carmex diz:

    Pedro, se acha que sabe mais sobre o que a Igreja pensa das medidas deste governo e o que a Igreja quer ser do que a própria Igreja e os católicos (e apesar de eu lhe ter explicado as coisas que a Igreja diz), bem é sem dúvida anbolutamente nenhuma uma pessoa inexcedivelmente inteligente. Este conhecimento todo, apostaria, apesar de não frequentar nenhuma Igreja, não ter como hábito debater estes assuntos com quem está no meio, etc. É um conhecimento que lhe vem, quase diria, do espírito santo. E assim nem vale a pena discutir.

  14. PR diz:

    Exactamente. Atingimos o apogeu da evolução. Neste momento, os laicos e ateus dão lições de religiosidade aos católicos.

  15. Carmex e PR,

    Conhecem a diferença entre relações públicas e realidade? Se estou enganado que o mostrem meus caros, pela minha parte não estou a debater de má fé – já sei o que penso, não preciso de me ouvir a mim mesmo.

  16. PR diz:

    Pedro,

    Não falo pela Carmex, mas na minha opinião, melhor explicado do que isto só lhe fizéssemos um desenho.

  17. PR,

    Eu li o que escreveram! E aprecio a vossa posição mas também penso que já dei contra argumentos de peso. No meu intimo não sinto que as minhas “reservas” neste tema tenham sido esclarecidas. Pelas razões que já mencionei continuo a discordar profundamente do que a Carmex escreveu – e olhem que nem sequer sou ateu (também não católico já agora 🙂 ) ou grande fã deste governo.

  18. PR diz:

    Pedro,

    Eu não o estava a tentar convencer a adoptar as minhas posições. Assim como penso que o Pedro também não estava a tentar que eu concordasse com a sua posição.
    Para mim, isto foi uma troca de ideias entre pessoas com posições diferentes. Não nego o peso dos seus argumentos, e sei que, para mim, os meus argumentos também têm bastante peso.
    O grande problema é que os seus argumentos, pela minha maneira de ser e estar na vida, pura e simplesmente não fazem sentido.

  19. Agora imagine que eramos lideres de dois grandes partidos políticos em época de grande crise e imagine a barraca que esta discussão dava 🙂

  20. Rosarinho diz:

    Caríssimos
    Este diálogo é interessantíssimo.
    Na minha opinião este governo persegue claramente a Igreja católica.
    Eu, católica, no entanto, acho óptimo. À Igreja faz muito bem a perseguição. E é um excelente momento, pelo menos em Portugal, para se purificar a Igreja e todos nós. Para percebermos o que é importante, o que nos identifica. E, consequentemente, para que os católicos de circunstância, os das pompas de que fala o Pedro, deixem a sacristia e passem a marcar o ponto no Largo do Rato (ou noutro sítio qualquer mais “in”).
    Um beijinho a todos.

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