Fazem o obséquio de baixar o ISP?

Concordo em quase, quase, quase tudo o que escreve neste post João Miranda. Vamos às discordâncias: claro que as empresa portuguesas são menos competitivas do que as espanholas (também) por causa do mais alto preço dos combustíveis, desde logo porque têm custo de produção e transporte mais elevados. Além disto, não se pode dissociar a baixa de impostos da baixa da despesa pública; com a avidez dos políticos por se apoderarem do maior volume possível de impostos para gastar em clientelas, inutilidades (tipo porto de Sines) ou para “fazerem obra” (geralmente com as inutilidades), a despesa pública em Portugal só será reduzida se os políticos a isso forem obrigados por baixas de impostos. E as baixas de impostos só acontecem quando se percebe que o nível de impostos cobrados é eleitoralmente insustentável. Assim, para mim é um dever patriótico (hein? que grandiloquência…) exigir a descida do ISP e do IVA (que, claro, me beneficiariam individualmente).

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14 respostas a Fazem o obséquio de baixar o ISP?

  1. AAC diz:

    Mau mau Maria! Este post não é digno de um – neste caso uma – portuguesa esclarecida.

    Com que então, e cito, “a despesa pública em Portugal só será reduzida se os políticos a isso forem obrigados por baixas de impostos. E as baixas de impostos só acontecem quando se percebe que o nível de impostos cobrados é eleitoralmente insustentável”, é alguma coisa?

    Redução da despesa pública?

    Neste país?

    Podem baixar os impostos que quiserem que o monstro continuará a crescer. É inevitável. Está-nos no sangue.

  2. AAC diz:

    Ironia (e brincadeira) à parte, a situação está a tornar-se realmente insustentável.

  3. Carmex diz:

    Pois tem alguma razão… quando não há impostos ara pagar a despesa pública, criam-se défices. Esta tem sido a nossa tristíssima história.

  4. Carmex,

    Só uma coisa a apontar. Os privados também têm clientelas e não são moralmente mais puros que o estado – defendem mais ou menos intervenção pública conforme o interesse do momento.

  5. Carmex diz:

    Pedro, tem toda a razão. Aliás quanto maior o privado, mais dependente está do governo, logo mais bajulador é e mais predisposto fica a contribuir para as clientelas estatais.

    Em todo o caso, há uma diferença importante: o dinheiro dos privados é dos accionistas, enquanto que o dinheiro do governo é meu e seu e dos restantes contribuintes.

  6. Se o dinheiro lhes pertence depende de como essas fortunas se constituiram Carmex… além disso os grupos que dominam quer o público quer o privado são os mesmos e sempre foram.

    Sinceramente eu acho que os liberais não percebem que o fenómeno economico nunca vai estar desligado do politico em nenhum sistema real. O melhor que podemos fazer é domesticar o sistema economico e po-lo o mais possivel ao serviço de todos.

  7. Carmex diz:

    Mas a diferença fundamental entre liberais, socialistas, sociais-democratas, democratas-cristãos, comunistas não está percisamente na forma como o sistema económico melhor serve todos? Aí é que as opiniões divergem à séria.

  8. A diferença entre todos esses grupos está, a meu ver, no que assumem. E este laissez faire económico que roubou a “label” liberal para os seus usos assenta sobre pontos que não me parecem viáveis e daí a minha crítica. Quando eles atacam o estado fazem-no ignorando sem vergonha a falta de ética do sector privado nas suas acções. Ou seja dão como solução a submissão do interesse público a instituições que funcionam em proveito próprio – e mesmo assim é relativo já que mesmo um accionista, se for pequeno, acaba por perder dinheiro com a especulação bolsista que meia duzia de pessoas fazem na praça de Lisboa. Querem-nos vender Adam Smith quando o seu modelo económico e social já deu o berro há 200 anos…

  9. AAC diz:

    Pedro e Carmex, o que me dizem da visita do Rei Harald da Noruega ao Continente do Colombo?

    Pergunto isto lendo com atenção o que foram escrevendo…

  10. Carmex diz:

    Pedro, acho que neste ponto tem uma visão algo preconceituosa, porque obviamente as empresas não são todas pertencentes a pessoas sem escrúpulos e os trabalhadores todos uns santos oprimidos e os funcionários públicos todos a caminho da beatificação e por aí fora. Eu tenho uma empresa, que considero séria, e olhe que certas pessoas que trabalharam nela eram do piorio (e sem “desculpas” de pobreza, famílias disfuncionais, enfim, pessoas normais, umas com mais qualificações, outras com menos, umas mais remediadas, outras mais necessitadas – há uma falta de seriedade que é transversal); e também contacto com muito tipos de empresas e volto a verificar que a falta de seriedade é transversal: há empresas para todos os tipos, de pessoas formidáveis e de quem eu fico amiga e de uns espertalhões que vendem gato por lebre e deviam estar na cadeia. Na função pública a mesmíssima coisa, há os esforçados e os incompetentes, os que se fartam de trabalhar e os que picam o ponto antes de tirarem uma hora para tomar o pequeno almoço; com a agravante de que não têm incentivo para se esforçarem, pelo que a rebaldaria é maior.

    A natureza humana é igual em patrões e empregados, não se iluda, Pedro. E não seja simplista a atribuir intenções maquiavélicas ao sector privado. Mesmo que fossem uns seres desumanos que não se importam com a desgraça alheia, veja que nenhuma empresa ganha com o empobrecimento dos consumidores em geral. Às empresas interessa consumidores com grande rendimento disponível.

  11. Carmex diz:

    André, o quê?!! Não vi os telejornais, não me diga que levaram o senhor ao Colombo!!! O que sofre a realeza…

  12. AAC,

    A sério que levaram um chefe de estado lá??? lololololol Não sei quem está encarregue do protocolo mas devia ser demitido.

    Carmex,

    Ah esteja descansada que não caio no erro primário de pôr seja quem for no “altar”. O que eu digo é que estou muito cansado de ouvir um discurso de promoção das virtudes do privado quando estou cansado de saber as “trafulhices” que para lá andam – e acho que sinceramente a maioria das empresas não faz contas a longo prazo para estar muito preocupada com o poder de compra, e isto sem entrar em questões já de ordem política. Como um todo o sector privado não me inspira a mínima confiança e apesar de o estado partidocrático também estar na pior esse pelo menos é reformável – desde que não se privatize até à extinção.

  13. AAC diz:

    Andam distraídos 🙂 http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/d04fff04bf00d16f3a96b9.html O rei Harald foi lá porque (1) Portugal é o maior importador de bacalhau da Noruega e (2) A Modelo Continente é o maior vendedor em Portugal do dito.

    Um país rico e pujante vê o seu Chefe de Estado a promover as riquezas desse seu país, sem preconceitos nem bacocadas.

    E os nossos representantes? Terão alguma vez coragem de fazer o mesmo, promover de modo tão “agressivo” as marcas nacionais? É que muitos dos nossos problemas estruturais poderiam ser minimizadas com mais penetração do nossos produtos nos mercados internacionais… E muito do que se fala, nomeadamente aqui, teria uma importância menor.

  14. AAC diz:

    Desculpem os erros de português do comentário anterior.

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