Eu claramente não gosto de moralistas nem de hipócritas

Obama começou por dizer que se encontraria com os líderes dos países inimigos dos EUA sem pré-condições, depois (como a coisa caíu mal em muitos sectores que viram lirismo na proposta) lá haveria preparação (os comentadores afectos a Obama, que são muito, todos satisfeitos, lá insinuavam que pré-condições e preparação seriam a mesma coisa), agora já “esclarece” que só se encontra com quem julgar necessário (a sério?), que se começará por conversações de nível mais baixo (iniciativa pioneira em qualquer actividade diplomática) e que no caso do Irão não se encontraria necessariamente com o maluco do Ahmadinejad (pasmemo-nos: será que veremos um POTUS em reuniões de alto nível com o primo em segundo grau do subsecretário de estado da agriculrura iraniano?).

As declarações de política externa de Obama são para levar tão a sério como as suas afirmações sobre o NAFTA ou o financiamento público dos partidos. O homem fará o que for preciso para ganhar, sem qualquer peso na consciência: está convencido que é um ser iluminado, predestinado para liderar o mundo. Se for eleito, ainda acabaremos a ver Obama ser responsável pela maior mortandade às armas dos americanos desde Truman. Quem parece fraco tem sempre que fazer demonstrações de força.

“Obama Seeks to Clarify His Disputed Comments on Diplomacy”, no very obliging NYTimes.

 

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7 respostas a Eu claramente não gosto de moralistas nem de hipócritas

  1. Mário diz:

    Obama é o Sócrates americano. Mentiroso compulsivo mas vai ganhar a presidência carregado pela grande media.

    Mas dá-se demasiada importância a estas eleições. As grandes decisões do mundo moderno já não vêm dos governos eleitos, são elaboradas pelos burocratas da ONU e da UE, cozinhadas pelos Think Tanks poderosos, pelas ONG progressistas e pelas fundações bilionárias.

  2. Carmex diz:

    Hummm, não estou tão convicta da vitória de Obama (que, claro, pode acontecer) – não se esqueça que os EUA não tem um povo que ligue muito a jornais, e menos ainda a jornais nacionais; a imprensa local e estadual é consideravelmente diferente da imprensa nacional e tem, acho eu, mais influência) nem do poder da ONU e quejandos (a UE é diferente, sem dúvida). O que é um facto é que o próximo POTUS não poderá fazer nada muito diferente do que fizeram Bush ou Clinton em termos de política externa, por mais visionário que pretenda ser; a realidade vai ser mais forte.

  3. Mário diz:

    Sem dúvida que há uma imprensa americana, por cá é totalmente desconhecida, que tem um grande poder de influência, sobretudo a partir da rádio. Mas essa imprensa conservadora há muito que não consegue promover nenhum candidato realmente conservador, no máximo conseguem impedir que candidatos totalmente anti-conservadores cheguem ao poder. Nesta eleição todos os candidatos conservadores foram rapidamente eliminados, restando o McCain para fazer de conta que é de direita, e lá terão os conservadores de fazer o frete, que tinham feito com Bush, de serem obrigados a apoiá-lo apenas porque do outro lado está um candidato ostensivamente anti-americano.

  4. Mário diz:

    Seja qual for próximo presidente dos EUA ele vai ter de lidar com posições como esta:

    http://www.taipeitimes.com/News/editorials/archives/2006/02/21/2003294021

    É um artigo escrito pelo presidente do poderoso Council on Foreign Relations. A mensagem é redonda mas clara, a era das soberanias terminou. A globalização assim o exige, quer devido às ameaças de terrorismo, quer para o combate às alterações climáticas. O fim das soberanias é a solução de todos os problemas, reais e imaginários, quer os apregoados pela direita quer os denunciados pela esquerda.

    O puzzle é complexo. Durante décadas existem movimentos aparentemente disconexos: Criação de falsos alarmismos que pretendem ser ameaças globais, propagação da globalização política em detrimento da económica, promoção de um governo mundial da ONU, desgaste premeditado das religiões tradicionais, das soberanias, dos valores e instituições, promoção de uma religiosidade alternativa new-age e do relativismo cultural.

    Até uma criança consegue tirar deste cenário fictício as devidas conclusões: Vivemos num mundo globalizado, com ameaças terríveis e globais. Nem os estados isolados nem as religiões tradicionais se mostraram eficazes para a sua resolução. A solução está na transformação desta globalização, agora apenas uma exploração económica dos mais fracos, para uma comunidade global unida em torno de novos valores e de uma nova espiritualidade que vai afastar-se da matriz ocidental, suposta criadora de todos os males.

    É por aqui que se constroi o moderno totalitarismo, em grande parte apoiado nos totalitarismos passados, que a pesar de terem visto ruir as paredes mantiveram intactas, mas bem escondidas, as suas fundações.

  5. Mário diz:

    A segunda vaga do totalitarismo, actual, é muito diferente da primeira, a do nazismo e comunismos soviético e chinês. Mas tal como a primeira, a sua implantação ocorre porque a sociedade não está preparada para identificar os perigos e abraça o mal como um bem.

    Na primeira vaga as pessoas foram enganadas pelo prestígio das elites. Apesar de de todos os excessos e erros, as elites tinham guiado as sociedades durante séculos ou mesmo milénios, mantendo a ordem e mesmo algum nível de progresso. Além disso, era óbvio que os melhores encontravam-se nas elites reconhecidas na maior parte das vezes. Períodos de decadência alternavam com outros de regeneração. Quando novas elites revolucionárias atingem o poder, nazis, fascistas ou comunistas, as populações confiam nelas, imaginando que se tratam ainda de elites naturais renovadoras ou seja, lá no fundo conservadoras, no sentido correcto do termo. As técnicas de propagando começam a desenvolver-se rapidamente, acelerando o processo. Apenas o colapso estrondoso dos sistemas veio trazer algum descrédito.

    Hoje em dia as sociedades ocidentais acham-se preparadas para repudiar o totalitarismo. As sociedades planeadas são rejeitadas, a abolição da propriedade privada também. Os “ismos” têm os seus dias contados, é um cavalo morto que não vale a pena mais bater. Afirmações apressadas de quem só liga para o aspecto exterior das coisas e esquece as suas essências. É fácil encontrar muitos liberais a rebater a economia socialista. Mas perguntem sobre as causas progressistas e já serão menos seguros, começarão a tropeçar. Perguntem então sobre a importância da cultura clássica, e as reacções irão variar entre um repúdio de ignorância e uma exaltação vazia. Questionem sobre o papel da religião e verão quase sempre jacobinismo ou um relativismo moral.

    A conclusão é que grande parte daqueles que dizem assumir a linha da frente do totalitarismo têm armas apenas para o combate ao totalitarismo de primeira vaga. Eles mesmos, em graus variáveis, já são agentes activos do totalitarismo de segunda vaga.

  6. Carmex diz:

    Mário, Obama é claramente um político do sector mais à esquerda do partido democrata, que não teria qualquer chance de vitória se não estivessem os americanos fartos de Bush (mesmo que fosse sério, coisa que não é). McCain é um político heterodoxo, mas claramente no arco da direita americana. A abordagem à crise do crédito subprime foi muito mais conservadora do que a do próprio Bush, por ex..

    Quanto aos totalitarismos, concordo que há actualemnete uma tendência de restrição de liberdades, mas acho que isso está localizado sobretudo na Europa, mais uma vez. A UE produz e reproduz regulamentos, directivas, recomndações que interferem em cada vez mais decisões dos cidadãos, e acredito que um dia isso vai ser preocupante. Mas os EUA têm uma cultura muito mais libertária; ainda há pouco tempo houve um sururu porque alguns estados exigiam documentação identificativa com foto para as eleições presidenciais e o Supremo deu-lhes razão e muitos consideravam isso um atentado! A ONU é uma organização datada, com pouca influência, reflectindo a eoestratégia de 1945, contestada e endividada.

  7. Mário diz:

    Estou a ver que tenho de me esforçar mais, porque se você que é uma pessoa atenta não vê assim grande perigo fora da Europa é porque estamos mesmo muito mal preparados para enfrentar o que aí vem.

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